Pergunta
O que Jesus quis dizer quando afirmou, na cruz: “Mulher, eis o teu filho”?
Resposta
Enquanto Jesus estava pendurado na cruz, a Bíblia relata que Ele proferiu sete últimas palavras. A terceira delas, registrada em João 19:26–27, expressa o carinho e a preocupação do Senhor por Sua mãe: “Vendo Jesus a sua mãe e junto dela o discípulo amado, disse: 'Mulher, eis aí o seu filho.' Depois, disse ao discípulo: 'Eis aí a sua mãe.' Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.” O discípulo não identificado a quem Jesus se dirigiu era o próprio apóstolo João.
Apesar de Sua agonia física excruciante, Jesus estava preocupado com o bem-estar de Sua mãe e com a dor que ela estava sentindo. Com os Seus pensamentos voltados para a segurança e proteção futuras de Maria, Jesus a confiou aos cuidados de João, o Seu discípulo amado.
A maioria dos estudiosos acredita que José, marido de Maria, já estava morto nessa época. Tradicionalmente, o filho mais velho em uma família judaica tinha o dever de cuidar de sua mãe caso ela ficasse viúva. Ao confiar Maria aos cuidados de João, Jesus estava cumprindo a Sua responsabilidade familiar como um filho devotado.
Normalmente, um filho moribundo confiaria sua mãe aos cuidados de outro membro de sua família imediata. No caso de Jesus, esse teria sido Tiago, Judas ou outro irmão. Mas Jesus sabia que nenhum de Seus meio-irmãos era discípulo ainda — eles não haviam aceitado as afirmações de Cristo nem se comprometido com a Sua missão. Assim, Jesus provavelmente escolheu João por profunda preocupação espiritual com a Sua mãe. Mesmo na morte, Cristo estava focado em questões espirituais.
Com as palavras: “Mulher, eis aí o seu filho”, Jesus convidou a Sua mãe a olhar para João, o Seu discípulo e amigo muito amado, para que ele fosse agora seu filho. Jesus estava se afastando dela, mas João ocuparia o lugar do Senhor em sua vida tanto quanto fosse possível. João foi o único apóstolo corajoso o suficiente para permanecer ao lado das mulheres que haviam acompanhado Jesus até a cruz (Lucas 23:49; Marcos 15:40; João 19:25). O restante dos discípulos de Cristo havia se dispersado, abandonando o Senhor com medo (João 16:32).
Não há desrespeito no uso que o Senhor faz do título “mulher” em vez de “mãe”. Ele já havia se dirigido a ela como “Mulher” antes (João 2:4). A forma de tratamento pode soar desrespeitosa em português, mas não em grego. Mulher era, na verdade, “uma forma de tratamento altamente respeitosa e afetuosa” (Marvin Vincent, Estudos de Palavras no Novo Testamento, Charles Scribner’s Sons, 1887, entrada para Jo 2:4). A Bíblia Amplificada traduz como “[Querida] Mulher”.
Um significado simbólico pode ser extraído das palavras de Jesus: “Mulher, eis aí o seu filho”. Estabelecer a família de Deus estava no centro da missão e do ministério de Cristo. Por meio do relacionamento com Jesus Cristo, os crentes tornam-se membros de uma nova família (João 1:12). Ao concluir o Seu ministério terreno, as palavras de Jesus a Maria, “Mulher, eis o teu filho”, e a João, “Eis a tua mãe”, ilustraram profundamente o nascimento da nova família de Deus aos pés da cruz.
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O que Jesus quis dizer quando afirmou, na cruz: “Mulher, eis o teu filho”?
