Pergunta
O que é o Jubileu católico?
Resposta
No final do livro de Levítico, Deus ordenou a Israel que observasse um “Ano do Jubileu” (Levítico 25:13). A cada 50 anos — ao final de sete ciclos de sete anos — a nação deveria tomar medidas drásticas. O ano bíblico do Jubileu se concentrava principalmente no perdão de dívidas. Dívidas simples deveriam ser perdoadas. Terras tomadas para pagar dívidas deveriam ser devolvidas à família a quem pertenciam originalmente. Escravos por dívida deveriam ser libertados. Não há evidência clara de que Israel tenha obedecido às leis do Jubileu.
O catolicismo romano adota o conceito de um ano “Jubileu” e o utiliza para seus próprios fins a cada vinte e cinco anos, além de em certas ocasiões especiais. A celebração começa e termina com um feriado litúrgico e inclui peregrinações e cerimônias que supostamente remitem os pecados. A celebração católica do Jubileu está associada aos seus ensinamentos sobre o “tesouro de méritos” e as indulgências. A versão católica romana do ano do Jubileu não é bíblica.
De acordo com o catolicismo, pecados não mortais podem ser perdoados por meio de um processo específico. Uma vez perdoados, tais pecados não resultam mais em uma eternidade no inferno, mas ainda exigem alguma forma de punição. Essa dívida de punição deve ser quitada, após a morte, no purgatório ou, nesta vida, pela realização de obras de justiça. Uma indulgência é uma dispensa que remove a punição não eterna por um ou mais pecados. A Igreja Católica Romana ensina que tem autoridade para utilizar parte do excedente de “satisfações” alcançadas por Jesus e pelos santos, mantidas em um “tesouro de méritos”. A graça acumulada conquistada por Jesus e pelos santos pode absolver a culpa dos pecados não mortais, de acordo com o ensino católico.
A versão católica do ano jubilar teve início no século XIV com um decreto do Papa Bonifácio VIII. O dinheiro arrecadado nessa primeira convocação para a peregrinação a Roma alimentou as críticas de que a Igreja estaria vendendo espiritualidade.
A Igreja Católica Romana proclamou 2025 como ano jubilar, usando “Peregrinos da Esperança” como tema. O objetivo é que esse seja um momento para enfatizar o perdão e a reconciliação. Como em qualquer ano jubilar, a Igreja oferece oportunidades especiais para que os católicos reduzam sua dívida de punição por meio da obtenção de indulgências. Estas podem ser adquiridas de várias maneiras. De acordo com o decreto oficial relacionado ao Jubileu de 2025, as indulgências podem ser obtidas por aqueles que realizarem uma ou mais das seguintes atividades:
• fazer uma peregrinação a um importante local sagrado, como Roma, Jerusalém ou Belém
• visitar outros locais designados para o Jubileu, conforme determinado pelos líderes católicos
• recitar orações, caso não possam ir fisicamente a um local designado
• realizar atos de caridade ou serviço aos pobres e doentes
• jejuar e orar
• doar dinheiro para os pobres
Esses atos devem ser realizados com espírito de contrição por um católico professo que tenha se desligado totalmente do pecado a ser remido. Uma autoridade competente da Igreja deve aprovar a concessão da indulgência. Em 2025, as indulgências também poderão ser obtidas em nome de pessoas falecidas, pois a Igreja concederá “uma segunda indulgência plenária [completa] por dia para as almas do purgatório, mediante a realização de um ato de caridade. Aplicam-se as condições habituais, incluindo receber a sagrada comunhão no contexto da missa uma segunda vez naquele dia” (https://catholicreview.org/what-is-a-jubilee/, acessado em 18/03/25).
O catolicismo aplica o conceito bíblico de Jubileu a ideias que são totalmente estranhas à Bíblia. É claro que designar um ano para enfatizar a oração, a resolução de conflitos, a caridade e assim por diante não contradiz os ideais bíblicos. No entanto, a ideia de que qualquer esforço humano — por mais nobre que seja — poderia saldar nossa dívida de pecado para com Deus é falsa, assim como o ensinamento de um “tesouro de méritos”. A implicação é que o sacrifício de Cristo não foi suficiente para conferir justiça completa àqueles que confiam nEle. Igualmente antibíblica é a ideia de que viajar para algum lugar ou praticar boas ações dá aos líderes da Igreja o direito de alterar a resposta de Deus ao pecado.
Alguns temas associados ao Jubileu católico são admiráveis. Mas outros aspectos enfatizam um sistema tragicamente falso que afasta as pessoas da verdade do evangelho.
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O que é o Jubileu católico?
