settings icon
share icon
Pergunta

Como os cristãos devem encarar o Indicador de Tipos de Myers-Briggs (MBTI)?

Resposta


O Indicador de Tipos de Myers-Briggs® (MBTI, sigla em inglês) é um popular questionário de personalidade publicado pela primeira vez em 1943 e baseado na teoria dos tipos psicológicos de Carl Jung. O teste foi desenvolvido por Isabel Briggs Myers e sua mãe, Katharine Briggs, como uma forma de ajudar as pessoas a compreenderem melhor a si mesmas e aos outros.

O MBTI avalia preferências em quatro áreas diferentes e especifica dezesseis tipos de personalidade. As áreas de preferência incluem: 1) foco no mundo exterior (extroversão, E) ou no mundo interior (introversão, I), 2) um foco em informações básicas (sensação, S) ou na interpretação e atribuição de significado às informações (intuição, N), 3) a tomada de decisões com base na lógica (pensamento, T) ou considerando primeiro as pessoas envolvidas (sentimento, F), e 4) o desejo de que as coisas sejam decididas (julgamento, J) ou a abertura a outras opções (percepção, P). Os dezesseis tipos de personalidade são identificados como combinações dessas quatro preferências; por exemplo, ISTJ é um tipo de personalidade que é basicamente introvertido, focado em informações básicas, lógico e se sente mais à vontade quando a tomada de decisão já foi resolvida.

O MBTI é uma ferramenta de avaliação popular. Independentemente de as pessoas terem feito ou não a avaliação psicológica oficial, muitas já ouviram falar dos termos e testaram informalmente suas personalidades ou se identificaram com um tipo específico. Abundam as descrições de traços gerais de personalidade, pontos fortes e fracos, melhores empregos para cada tipo, melhores ambientes de aprendizagem para cada tipo e até mesmo as melhores combinações românticas de cada tipo.

A Fundação Myers & Briggs faz questão de salientar que nenhum tipo de personalidade é melhor do que qualquer outro. Além disso, os tipos de personalidade não são indicativos de capacidade ou caráter. Os tipos são simplesmente oferecidos como ferramentas úteis para compreender melhor a si mesmo. O tipo de personalidade pode ser útil na tomada de decisões, mas não deve ser a única ferramenta que uma pessoa usa para determinar a trajetória profissional, parceiros românticos ou similares.

Apesar das considerações científicas seculares do MBTI, a ideia de que existem diferentes tipos de personalidade é bíblica? Os tipos de personalidade são algo que os cristãos devem considerar? Eles são úteis de alguma forma? Vamos descobrir o que a Bíblia diz.

Sabemos que todos os seres humanos são criados à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Sabemos que somos formados de maneira única e que Deus nos conhece plenamente e nos ama plenamente (Salmo 139). Não há dois seres humanos exatamente iguais. Nada no MBTI contradiz isso. A simples observação nos mostra que algumas pessoas parecem se energizar ao passar tempo com outras, enquanto outras se recarregam melhor sozinhas. A Bíblia deixa espaço para que existam diferentes tipos de pessoas, bem como para semelhanças entre os diferentes tipos. O fato de João da Silva ser único não significa que tudo sobre o Sr. da Silva seja diferente de todas as outras pessoas. Não contradiz a verdade bíblica classificar certas semelhanças gerais entre as pessoas.

O benefício do MBTI para os cristãos está em nos ajudar a compreender melhor a nós mesmos, a fim de servir melhor a Deus. Muitas vezes, nossos traços de personalidade coincidem com o chamado de Deus para nossas vidas. Por exemplo, podemos tender mais para a introversão e ter como parte de nosso chamado ser um escritor. Ou talvez tendamos mais para a extroversão e descubramos que Deus nos pediu para conduzir estudos bíblicos em grupos grandes. Conhecer nossos pontos fortes “naturais” pode nos ajudar a estar em sintonia com os lugares onde podemos servir de forma mais eficaz; conhecer nossas fraquezas “naturais” pode nos ajudar a evitar caminhos que mais facilmente nos fariam tropeçar.

Compreender os tipos de personalidade também pode ajudar os cristãos a amar e servir melhor aos outros. Por exemplo, quando sabemos que um de nossos amigos tende mais para a introversão, sabemos que o tempo passado juntos a sós provavelmente é mais significativo do que o tempo passado juntos em ambientes sociais maiores. Se nosso amigo tende mais para a extroversão, sabemos que ele gosta de ser incluído em atividades sociais, então podemos ter certeza de convidá-lo. Compreender os tipos de personalidade também pode nos ajudar a perdoar os outros mais facilmente. Por exemplo, quando um amigo introvertido diz “não” ao nosso convite para um encontro, talvez não levemos isso para o lado pessoal. Ou, quando uma pessoa que é um “pensador” fala primeiro sobre o resultado final em uma decisão de contratação na igreja, podemos reconhecer que suas palavras não se devem a dureza de coração, mas à maneira como Deus o criou naturalmente para a análise.

Um perigo do MBTI para os cristãos — ou para qualquer pessoa — é tornar o tipo de personalidade algo rígido e usá-lo para justificar estagnação. O tipo de personalidade não desculpa mau comportamento nem limita a capacidade de mudar ou de fazer (e apreciar) coisas que normalmente não se encaixam no estereótipo daquele tipo. Um introvertido ainda é chamado a compartilhar o evangelho. Um extrovertido ainda é chamado a passar tempo sozinho com Deus. Uma pessoa “pensadora” ainda deve considerar as pessoas afetadas por suas decisões. Uma pessoa “sentimental” ainda deve ser uma boa administradora. Quando Deus nos chama para fora da nossa zona de conforto, o tipo de personalidade não é motivo para desobedecer. Pelo contrário, um chamado de Deus que desafia nossas inclinações naturais nos dá mais oportunidade de confiar nEle e compreender mais profundamente que é somente a Sua obra em nós que realiza coisas extraordinárias (veja Zacarias 4:6).

Outro perigo do MBTI é permitir que ele defina totalmente nossa identidade. Um cristão é, antes de tudo, filho de Deus (João 1:12). A nossa personalidade é algo que Deus projetou, e certamente vale a pena explorá-la para glorificar a Deus. Mas somos definidos primeiramente por Jesus. Paulo estava disposto a perder todas as coisas “para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria... mas aquela que vem mediante a fé em Cristo” (Filipenses 3:8–9).

O Indicador de Tipo Myers-Briggs, ou MBTI, pode ser uma ferramenta útil para compreender o projeto único de Deus para a humanidade — e especificamente para você. Ele aponta tanto para a ordem quanto para a diversidade com que Deus criou o mundo, demonstrando Sua lógica e Sua criatividade. Compreender a nós mesmos pode nos ajudar a administrar melhor os dons que Deus nos deu. Em vez de tentar nos tornar outra pessoa, podemos agradecer a Deus por Seu projeto único e fazer o melhor uso possível dos dons que Ele nos concedeu.

English



Voltar à página principal em português

Como os cristãos devem encarar o Indicador de Tipos de Myers-Briggs (MBTI)?
Assine a

Pergunta da Semana

Comparte esta página: Facebook icon Twitter icon YouTube icon Pinterest icon Email icon
© Copyright Got Questions Ministries