Pergunta
Por que Deus permitiu o incesto na Bíblia?
Resposta
Existem inúmeros exemplos de incesto na Bíblia. Os exemplos mais conhecidos são os filhos e filhas de Adão e Eva (Gênesis 4), Abraão casando-se com a sua meia-irmã Sara (Gênesis 20:12), Ló e suas filhas (Gênesis 19), Anrão, pai de Moisés, que se casou com a sua tia Joquebede (Êxodo 6:20), e Amnom, filho de Davi, com a sua meia-irmã Tamar (2 Samuel 13). É importante observar, no entanto, que em dois dos casos acima (Tamar e Ló), uma das partes envolvidas não consentiu no incesto — o que, nesses casos, seria mais corretamente descrito como estupro.
É importante distinguir entre as relações incestuosas anteriores à proibição de Deus (Levítico 18:6–18) e o incesto que ocorreu após a revelação das ordens divinas. Até que Deus o proibisse, não se tratava de incesto. Era apenas o casamento com um parente próximo. É inegável que Deus permitiu o “incesto” nos primeiros séculos da humanidade. Como Adão e Eva eram os únicos dois seres humanos na Terra, seus filhos e filhas não tinham outra escolha a não ser casar-se e procriar com seus irmãos e parentes próximos. A segunda geração teve que casar-se com seus primos, assim como, após o dilúvio, os netos de Noé tiveram que casar-se entre seus primos. Uma das razões pelas quais o incesto é tão fortemente desencorajado no mundo de hoje é o entendimento de que a reprodução entre indivíduos com parentesco próximo apresenta um risco muito maior de causar anomalias genéticas. Nos primórdios da humanidade, porém, isso não era um risco, devido ao fato de que o código genético humano era relativamente livre de defeitos.
Outra consideração é que, hoje em dia, o incesto quase sempre envolve uma vítima pré-púbere ou indefesa, e o agressor está abusando de sua autoridade com o objetivo de obter prazer sexual unilateral. Por esse critério, o “incesto” da Bíblia não tem absolutamente nada em comum com o incesto dos dias de hoje. Não havia diferença de poder entre Caim e sua esposa, por exemplo; o objetivo do casamento de Abraão e Sara era formar uma família. O casamento entre parentes próximos era uma necessidade nas gerações imediatamente seguintes a Adão e Noé e não constituía uma perversão pecaminosa do sexo.
Parece que, na época de Moisés, o código genético humano já estava tão contaminado que os casamentos entre parentes próximos não eram mais seguros. Assim, Deus proibiu as relações sexuais entre irmãos, meio-irmãos, pais e tios (Gênesis 2:24 parece indicar que o casamento e as relações sexuais entre pais e filhos nunca foram permitidos por Deus). Foi somente muitos séculos depois que a humanidade descobriu a razão genética pela qual o incesto é inseguro e imprudente. A genética não era uma questão nos primeiros séculos da humanidade, e os casamentos que ocorreram entre os filhos de Adão e Eva, Abraão e Sara, e Anrão e Joquebede não foram buscas egoístas de satisfação sexual ou abusos de autoridade; portanto, essas relações não devem ser vistas como incestuosas. O ponto-chave é que as relações sexuais entre parentes próximos eram vistas de maneira diferente antes e depois da Lei. Isso só se tornou “incesto” quando Deus ordenou que fosse proibido.
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