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Pergunta

A ideia de uma igreja estatal é bíblica?

Resposta


Uma igreja estatal é um sistema religioso administrado pelo governo. As igrejas estatais têm sido comuns em muitas nações e culturas ao longo da história cristã, mas a ideia em si não é bíblica.

No Antigo Testamento, poderia-se argumentar que Israel tinha uma “igreja estatal”. A nação inteira existia para adorar a Deus e servi-lo na terra. No entanto, o antigo Israel era uma teocracia e diferia das igrejas estatais modernas, que se baseiam em ideias, planos e políticas humanas. Por exemplo, as reformas de Constantino, o Grande, que acabaram levando a uma igreja estatal, basearam-se na conveniência política e no desejo de estabilidade social. Mesmo tendo abraçado o cristianismo, ele não possuía um domínio sólido da teologia e a misturou com outras visões de mundo e com as crenças pagãs de Roma. Isso levou a conflitos intermináveis na igreja, com muitos cristãos verdadeiros sendo mortos.

Durante a Idade Média, uma fusão entre Igreja e Estado, na forma do Sacro Império Romano, dominou toda a Europa, com os papas escolhendo líderes políticos, iniciando Cruzadas e estabelecendo Inquisições. Mais tarde, o rei Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana para se separar da autoridade da Igreja Católica, que proibia o divórcio (e o rei queria pôr fim ao seu casamento). Assim nasceu outra igreja estatal. Tanto em Roma quanto na Inglaterra, o perigo de uma igreja estatal é evidente: pessoas que nada sabem de Cristo tornam-se repentinamente “cristãs” pelo simples fato de fazerem parte do Estado. O cristianismo bíblico sempre sofre com as tentativas de torná-lo “oficial” em uma nação.

A ideia por trás de algumas igrejas estatais era estabelecer o reino de Cristo antes do retorno de Cristo, mas isso simplesmente não é o que os cristãos foram chamados a fazer. Quando Jesus andava na terra, os Seus discípulos pensavam que Ele estabeleceria o reino e reinaria como rei imediatamente, mas Jesus lhes contou uma parábola para contrariar essa noção (Lucas 19:11–27). Mais tarde, Ele lhes disse: “Não cabe a vocês conhecer tempos ou épocas que o Pai fixou pela sua própria autoridade” (Atos 1:7). Isso significa essencialmente “ainda não”. Durante um de Seus julgamentos, Jesus disse a Pilatos: “Meu reino não é deste mundo. . . . Mas agora o meu Reino não é daqui” (João 18:36). Seus seguidores permanecem “estrangeiros e peregrinos” neste mundo (1 Pedro 2:11). Na segunda vinda, Jesus reinará (Apocalipse 20:6); até lá, “tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” (2 Coríntios 5:18, NAA), não de estabelecer um reino político terreno.

Por fim, a Bíblia chama os crentes a adorarem a Deus “em espírito e em verdade” (João 4:24). Uma igreja estatal sempre degenerará em formalismo vazio e tradição, criando uma forma de cristianismo cultural e produzindo cristãos nominais. Os cristãos devem respeitar e obedecer ao governo (Romanos 13:1–7), mas não somos chamados a criar governos ou a legislar para levar as pessoas ao céu por meio de uma igreja estatal. A nossa é principalmente uma batalha espiritual, em vez de política (2 Coríntios 10:4).

A história mostra que os sistemas administrados por humanos fracassarão, e as igrejas estatais são frequentemente criadas e mantidas para alcançar objetivos humanos. A Bíblia revela que o reino de Deus será estabelecido por Cristo em Sua volta; ele não depende de os crentes alcançarem poder no presente. As igrejas estatais podem mudar o comportamento dos cidadãos — historicamente, por meio da coerção —, mas raramente alcançam o coração.

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