O que é uma igreja atracional?
A igreja atracional busca alcançar a cultura ao seu redor e atrair pessoas para dentro da igreja. Igrejas atracionais estruturam seus cultos e programas de forma a “atrair” participantes. Um foco principal desse modelo é trazer pessoas para os cultos. O modelo da igreja atracional, frequentemente associado à abordagem seeker-friendly (“amigável ao visitante”), costuma ser contrastado com o modelo da igreja missional.
A maioria das megas igrejas modernas cresceu até o seu tamanho atual por meio de uma abordagem atracional. Os líderes dessas igrejas são movidos pelo desejo de encher o prédio com pessoas perdidas, sem vínculo com igreja ou afastadas dela. Têm paixão por alcançar pessoas que ninguém mais está alcançando e utilizam programas e eventos para atrair multidões. Uma expressão-chave nesse contexto é relevância cultural, e fazem grandes esforços para que visitantes se sintam confortáveis. Em vez de planejar cultos principalmente para crentes reunidos para adorar a Deus, muitas igrejas atracionais concentram-se em fazer os descrentes se sentirem acolhidos e à vontade, alegando que isso ajuda mais pessoas a conhecer Jesus.
A maioria dos líderes de igrejas que creem na Bíblia concordaria que o propósito principal de uma igreja local é glorificar a Deus. E isso acontece de três formas: adorando-O, edificando o Seu povo e evangelizando o mundo. Jesus deu uma ordem aos Seus seguidores: “Ide por todo o mundo e fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19). Esse “ir” dos crentes é o coração da igreja missional. A igreja atracional, por outro lado, concentra-se no “vir” dos descrentes, criando um ambiente acolhedor para visitantes.
Utilizar todos os meios possíveis para evangelizar os perdidos é um objetivo admirável (1 Coríntios 9:22), e não há nada de errado em tornar a igreja um lugar convidativo e acolhedor. Alguns pontos fortes do modelo atracional são:
- A igreja atracional possui uma estratégia definida para alcançar pessoas.
- Ela dedica tempo para entender o que é importante para a comunidade não convertida, de onde as pessoas vêm e o que procuram.
- Geralmente mantém alto nível de profissionalismo nos cultos. Busca excelência na apresentação.
- Costuma oferecer orientação prática para a vida atual. Procura aplicar a mensagem do evangelho à vida real.
Ainda assim, precisamos avaliar cuidadosamente qualquer igreja — fundamentalista, denominacional, missional ou atracional — e perguntar se ela realmente está formando discípulos verdadeiros. Podemos avaliar isso observando seus membros: andam em santidade? Têm preocupação com os perdidos? Crescem “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18)?
A primeira “megaigreja” começou em Atos 2, como resultado da proclamação ousada e sem concessões do evangelho e da obra sobrenatural do Espírito Santo. O aspecto “atracional” da igreja primitiva vinha do poder de Deus para transformar vidas. O teólogo James Montgomery Boice certa vez advertiu: “Aquilo com que você os conquista é aquilo para o qual você os conquista.” Devemos conquistar pessoas com o evangelho e para o evangelho (1 Coríntios 15:3–4). Se as pessoas frequentam a igreja apenas para ouvir uma celebridade, ganhar um carro ou participar de atrações, estão sendo atraídas para as coisas certas?
A igreja atracional também pode apresentar fraquezas. Algumas perguntas importantes são:
- As mensagens são planejadas para fazer as pessoas se sentirem melhor consigo mesmas, em vez de mostrar a necessidade de arrependimento e reconciliação com Deus?
- As decisões ministeriais são baseadas no que é popular ou no que é bíblico? O mundo está redefinindo o que a igreja deve ser?
- A igreja é movida pelo consumidor, como se os frequentadores fossem a razão de sua existência, em vez da adoração a Deus?
- Salvação, cruz e arrependimento recebem prioridade ou são secundários?
- Os líderes medem sucesso pela maturidade espiritual dos membros ou pelo crescimento da frequência?
- Questões sociais e temas controversos são tratados biblicamente no púlpito?
- Há ênfase em discipulado e obediência ao Senhor? Existe disciplina eclesiástica?
- Quanta atenção é dada às qualificações bíblicas para presbíteros e líderes, conforme 1 Timóteo 3:1–7?
- A mensagem da cruz é suficiente por si só, ou existe a ideia implícita de que precisa ser complementada com incentivos agradáveis ao consumidor?
Muitas igrejas atracionais podem descobrir, para sua tristeza, que em vez de formar discípulos encheram seus auditórios de cristãos culturais. Em uma sociedade consumista, onde Jesus é apresentado apenas como mais um caminho para melhorar a vida, milhares presumem estar salvos porque gostam de sua igreja. Gostam dos programas, das pessoas simpáticas, dos projetos comunitários e das campanhas sociais. Servir como voluntário ou exercer liderança pode fazê-los sentir-se boas pessoas, e supõem que, porque a igreja está satisfeita com eles, Deus também está.
Quando o evangelho é comprometido, como ocorre em algumas igrejas atracionais, o resultado é a falta de verdadeira pregação sobre o pecado e a presença de muitos que nunca experimentaram arrependimento genuíno (Atos 3:19). Em uma igreja comprometida, não há tristeza pelo pecado (Salmo 51:3–4), nem busca de santidade (Hebreus 12:14), nem negação de si mesmo e tomar a cruz (Lucas 9:23), nem disciplina eclesiástica. Em lugar da espiritualidade verdadeira surgem personalidades carismáticas de líderes e o apelo magnético da reputação da igreja. Se a “atração” for embora, as pessoas também irão.
Não vemos no Novo Testamento qualquer precedente para tentar atrair descrentes para uma igreja local. As epístolas do Novo Testamento foram escritas aos crentes, ensinando-os a suportar perseguição (2 Timóteo 2:3), buscar piedade (2 Pedro 1:3) e viver como sal e luz em uma cultura pagã. Muito antes do surgimento do movimento atracional, Charles Spurgeon já percebia esse perigo:
“Creio que uma das razões pelas quais a igreja de Deus tem hoje tão pouca influência sobre o mundo é porque o mundo tem muita influência sobre a igreja.”
O que é uma igreja atracional?
