Pergunta
Qual é a visão católica sobre a “ignorância invencível”?
Resposta
Conforme definido pela teologia moral, a ignorância é a falta de conhecimento ou instrução que uma pessoa deveria possuir. Na teologia da Igreja Católica Romana, a ignorância é dividida em algumas categorias. A ignorância invencível é o termo católico utilizado para isentar uma pessoa da culpabilidade ou culpa pelo pecado com base na condição de ignorância. Aquele que é invincivelmente ignorante não é considerado culpado porque desconhece os ensinamentos da Igreja e carece desse conhecimento devido a circunstâncias alheias à sua vontade.
Diz-se que uma pessoa se encontra em estado de ignorância invencível se, ao agir, desconhece totalmente a lei ou os ensinamentos da Igreja e, portanto, não tem consciência de sua obrigação e é incapaz de chegar a um conhecimento específico. Ele não sabe algo que deveria saber, mas não é culpa sua. Ele não pode eliminar a sua ignorância.
Um termo relacionado na teologia moral católica romana é a ignorância vencível. A ignorância vencível ocorre quando uma pessoa está ciente de sua falta de conhecimento, mas não consegue obter as informações que lhe permitiriam evitar o pecado. A ignorância é considerada vencível se essa pessoa reconhece seu dever de buscar mais informações, mas negligencia as oportunidades de fazê-lo. Nesse caso, ela não sabe algo que deveria saber, e a culpa é dela. Ela poderia ter tomado medidas para eliminar a ignorância.
Podemos definir a diferença entre ignorância invencível e vencível de outra maneira: a ignorância invencível é o estado de alguém que é ignorante e não tem poder para mudar o fato. A ignorância vencível é o estado de alguém que é ignorante, mas tem o poder de mudar — um poder que negligencia usar.
De acordo com a teologia católica, a ignorância invencível isenta a pessoa do pecado, enquanto a ignorância vencível não. O catolicismo ensina que, fora da Igreja Católica Romana, não há salvação (Lumen Gentium 16). O Catecismo da Igreja Católica explica então que “esta afirmação não se dirige àqueles que, sem culpa própria, não conhecem Cristo e a sua Igreja” (847). Assim, por exemplo, uma pessoa que nunca ouviu falar de Cristo, do evangelho ou da Igreja, mas que busca sinceramente a Deus e segue sua consciência, “pode alcançar a salvação eterna” (ibid.). A tal pessoa é concedida a graça porque ela é “invincivelmente ignorante”.
A ignorância invencível também pode se aplicar àqueles que ouviram o evangelho, mas, por uma razão ou outra, não conseguem compreendê-lo (ver Lucas 23,34). Além disso, a ignorância invencível não significa que a pessoa seja incapaz de alcançar maior esclarecimento sobre um determinado ensinamento; significa apenas que ela se encontrava em um estado de ignorância invencível quando a ação ofensiva foi cometida.
O conceito de ignorância invencível permite a salvação de não católicos, tais como pagãos moralmente íntegros, crianças pequenas, pessoas com deficiência mental e outros que atendam a certos critérios. O ensinamento bíblico, embora possa permitir a salvação daqueles que verdadeiramente não podem compreender, é diferente. A humanidade caída está “morta em transgressões” (Efésios 2:5). Ela não busca a Deus (Romanos 3:10–11) porque ama as trevas (João 3:19). Os pecadores são responsáveis por responder ao conhecimento que possuem, mas não o fazem; por isso, “os seres humanos são indesculpáveis” (Romanos 1:20). Eles suprimem a verdade de Deus na injustiça (Romanos 1:18), e a Escritura dá este veredicto:
“Como está escrito: 'Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se desviaram e juntamente se tornaram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer'” (Romanos 3:10–12, citando Salmos 14:1–3).
Ou seja, todos os homens são culpados pelo pecado, e toda ignorância é superável.
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Qual é a visão católica sobre a “ignorância invencível”?
