Pergunta
O que é a hipótese da estrutura?
Resposta
O relato da criação em Gênesis 1 revela o Criador, que demonstra poder ao criar o universo, sabedoria ao ordenar a vida na terra e amor ao cuidar das pessoas que criou. Embora muitas interpretações do relato da criação sejam literais, outras, como a hipótese da estrutura (framework hypothesis), são simbólicas. Assim, a hipótese da estrutura sugere que Gênesis 1 não é um relato cronológico da criação; antes, trata-se de uma descrição poética cuidadosamente organizada, destinada a transmitir verdades teológicas em vez de detalhes científicos.
Notavelmente, a hipótese da estrutura rejeita a interpretação de que o termo “dia” no relato da criação descreve um período específico de tempo (Gênesis 1:5, 6, 13, 19, 23, 31). Isso a diferencia de outras visões, como o criacionismo da terra jovem, que interpreta “dia” como um período literal de 24 horas, e o criacionismo da terra antiga, que entende o termo como simbolizando eras mais longas abrangendo bilhões de anos. A interpretação da estrutura baseia-se em como certos eventos dos Dias 1–3 correspondem aos atos dos Dias 4–6. Os defensores dessa visão propõem que as descrições correspondentes têm um propósito literário, e não histórico ou científico, enfatizando os princípios teológicos refletidos na organização da criação.
Na hipótese da estrutura, os Dias 1–3 são descritos como atos de “formação”, refletindo a criação dos domínios da terra por Deus. Os Dias 4–6 são descritos como atos de “preenchimento”, referindo-se às entidades criadas por Deus para habitar esses domínios. Por exemplo, a criação do céu por Deus é um ato de “formação”, pois Ele fez a atmosfera acima da terra e do mar. A criação das aves é um ato de “preenchimento”, pois elas são as formas de vida que ocupam o domínio do céu. Os defensores da hipótese enfatizam a importância desse padrão no relato da criação.
Especificamente, a formação da luz no Dia 1 (Gênesis 1:3–5) prepara o preenchimento do sol, da lua e das estrelas no Dia 4 (Gênesis 1:14–19). A formação do mar e do céu no Dia 2 (Gênesis 1:6–8) prepara o preenchimento das aves e dos peixes no Dia 5 (Gênesis 1:20–23). A formação da terra e da vegetação no Dia 3 (Gênesis 1:11–13) prepara o preenchimento dos animais e dos seres humanos no Dia 6 (Gênesis 1:24–31). Finalmente, como Deus descansou no Dia 7, não houve atos de formação nem de preenchimento.
Há três críticas principais à hipótese da estrutura. Primeiro, a correspondência entre formação e preenchimento é inconsistente. Por exemplo, a relação entre a luz criada por Deus no Dia 1 e as estrelas, a lua e o sol criados no Dia 4 não se encaixa completamente na hipótese, pois esses corpos celestes não “preenchem” a “forma” da luz. Outra crítica é que o Dia 3 inclui tanto atos de formação quanto de preenchimento, já que Deus cria a terra e a vegetação que cresce nela.
Segundo, muitos estudiosos apontam que há indicadores claros de que “dia” na passagem não possui significado simbólico, já que cada dia é descrito como tendo “tarde e manhã” (Gênesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31). Além disso, a palavra “dia” é descrita em relação ao sol (Gênesis 1:14), indicando uma interpretação mais literal. Adicionalmente, nos escritos de Moisés, sempre que “dia” é usado com um adjetivo numérico, como na expressão “primeiro dia”, ele se refere consistentemente a um período literal de 24 horas. Por fim, o estabelecimento de cada sétimo dia como dia de descanso sugere que os destinatários originais de Gênesis interpretavam “dia” no relato da criação como um período literal de 24 horas.
A terceira crítica à hipótese da estrutura baseia-se em sua leitura da passagem como poesia hebraica. Gênesis 1 não apresenta a principal característica da poesia hebraica, a saber, o paralelismo encontrado em Salmos e Provérbios. Por exemplo, Salmo 19:1 contém duas cláusulas equivalentes: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. Os chamados atos de formação e preenchimento em Gênesis 1 não exibem esse tipo de paralelismo sinônimo. Outros tipos comuns de paralelismo literário na poesia hebraica são o paralelismo antitético (por exemplo, Salmo 1:6), o paralelismo sintético (por exemplo, Salmo 93:5), o paralelismo emblemático (por exemplo, Salmo 42:1) e o paralelismo climático (por exemplo, Salmo 29:1). Nenhum deles aparece no relato da criação. Além disso, defensores proeminentes da hipótese da estrutura, como Meredith Kline, interpretam Gênesis 2 como histórico, embora não haja mudança de gênero literário entre os capítulos 1 e 2.
Em resumo, a hipótese da estrutura carece de apoio dentro do próprio relato da criação. Ela também contradiz a maneira como os antigos israelitas interpretavam a passagem (Êxodo 20:11) e é inconsistente com o ensino de Jesus sobre Gênesis 1 (por exemplo, Mateus 19:4–5; Marcos 10:6). Além disso, alguns dos principais defensores da hipótese da estrutura, como Kline, demonstraram abertura à evolução darwinista. Isso levanta a questão de saber se sua interpretação do relato da criação não seria uma acomodação a essa teoria secular.
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O que é a hipótese da estrutura?
