Pergunta
O que o fermento simboliza na Bíblia?
Resposta
A Bíblia menciona o fermento em vários contextos. Em alguns casos, a referência ao fermento é obviamente literal; em outros, o fermento assume conotações simbólicas.
O fermento faz a massa crescer, mas o processo leva tempo. Os israelitas, quando Deus os libertou do cativeiro no Egito, não tinham tempo a perder; assim, na pressa, assaram e comeram pão achatado (sem fermento) para a viagem: “E assaram pães sem fermento da massa que levaram do Egito, pois a massa não tinha levedado, porque eles foram expulsos do Egito. Não puderam deter-se e não haviam preparado para si provisões” (Êxodo 12:39).
Para comemorar a sua libertação do Egito, Deus ordenou aos israelitas que celebrassem uma semana de festas após o Dia da Páscoa (o 14º dia do 1º mês do calendário judaico). Essa festa era chamada de “Festa dos Pães Ázimos”. Durante esse período, os israelitas foram ordenados a remover todo o fermento de suas casas e a não comer pão que contivesse fermento (Êxodo 12:15; 13:6–7).
Em outras partes da Lei Mosaica, o fermento representa o pecado ou a corrupção. A lei proibia as ofertas de cereais feitas com fermento (Levítico 2:11). Na verdade, não era permitido que fermento fosse queimado no altar em nenhum sacrifício. A oferta de cereais para Arão e seus filhos (os sacerdotes) também não deveria conter fermento e deveria ser consumida em um lugar santo (Levítico 6:17).
O fermento também é mencionado no Novo Testamento. Em Mateus 16:6–12, Jesus comparou os falsos ensinamentos dos fariseus, saduceus e herodianos ao fermento. Os fariseus tinham ido até Jesus para testá-lo (versículo 1), mas Jesus percebeu a sua verdadeira intenção e o estado de seus corações. Mais tarde, Ele advertiu Seus discípulos contra serem enganados por seus ensinamentos (versículo 12), que Ele comparou ao fermento. Uma pequena porção do “fermento” da falsidade pode permear o coração e a mente de uma pessoa. Em Lucas 12:1, Jesus especifica que o fermento dos fariseus é a “hipocrisia”. Fingir piedade, sem verdadeira santidade, é como o fermento, pois aumenta gradualmente e espalha a corrupção, enchendo a pessoa de vaidade. Mentiras e hipocrisia podem envenenar todo o caráter de uma pessoa.
Paulo advertiu a igreja de Corinto contra a tolerância ao pecado em seu meio, usando o fermento como metáfora (1 Coríntios 5:1–8). Havia um homem na igreja que era culpado de imoralidade sexual. Paulo disse-lhes para expulsarem o homem de sua comunhão porque, assim como o fermento, sua influência se espalharia por toda a igreja. “Não é bom esse orgulho que vocês têm. Por acaso vocês não sabem que um pouco de fermento leveda toda a massa?”, pergunta Paulo (versículo 6). Em seguida, ele os remete à Páscoa e à Festa dos Pães Ázimos: “Joguem fora o velho fermento, para que vocês sejam nova massa, como, de fato, já são, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (versículo 7).
Em uma das parábolas de Jesus sobre o reino dos céus, Ele usa o fermento em um sentido diferente: “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado” (Mateus 13:33). Nesse caso, o fermento não é usado como símbolo do mal; ao contrário, o fermento é um símbolo do reino, que gradualmente e de forma discreta irá permear a sociedade. Assim como uma mulher usa a menor quantidade de fermento na massa, o evangelho começa com pequenos passos. Assim como o fermento age silenciosamente em toda a massa, o evangelho terá um impacto profundo em todos os setores da sociedade.
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O que o fermento simboliza na Bíblia?
