Pergunta
Quais são alguns exemplos de eufemismo na Bíblia?
Resposta
Um eufemismo é uma expressão diplomática e indireta usada no lugar de um termo áspero, direto ou socialmente incômodo. Em vez de encarar uma verdade difícil de frente, ele envolve essa verdade em uma linguagem mais suave. Os seres humanos sempre precisaram de maneiras de falar sobre temas delicados — morte, funções corporais, sexo, doença, conflito ou qualquer coisa que pudesse causar constrangimento ou dor emocional. Os eufemismos abrangem idiomas, culturas e períodos históricos, incluindo a Bíblia. Os eufemismos bíblicos não são tentativas de obscurecer a verdade, mas de comunicá-la com reverência, esperança ou modéstia.
Um eufemismo comum no Novo Testamento é “adormecer” para descrever a morte do cristão. Em vez de enfatizar o caráter definitivo da morte, o “sono” destaca a esperança da ressurreição para a vida eterna. Ele também sugere descanso e paz para aqueles que se esforçaram e a garantia de despertar além da morte. O apóstolo Paulo escreve: “Irmãos, não queremos que vocês ignorem a verdade a respeito dos que dormem, para que não fiquem tristes como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13, NAA). Jesus usa a mesma linguagem ao falar de Lázaro: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo” (João 11:11). Os discípulos interpretam mal, pensando que Lázaro estava literalmente dormindo. Então, Jesus esclarece: “Lázaro morreu” (João 11:14). Esse eufemismo transmite que a morte não é o fim e que Deus pode ressuscitar os mortos com a mesma facilidade com que se acorda alguém que está dormindo.
Outros eufemismos para a morte ou o ato de morrer incluem “ir para junto de seus pais” (Gênesis 15:15), “descansar com seus pais” (Gênesis 47:30; Deuteronômio 31:16; 2 Samuel 7:12), “ser reunido ao seu povo” (Gênesis 25:8; Números 20:24) e “reunido aos seus pais” (Juízes 2:10; 2 Reis 22:20). Essas expressões refletem a crença do antigo Israel de que a morte leva os indivíduos à presença das gerações anteriores, fortalecendo seu senso de identidade nacional e ancestralidade.
A Bíblia emprega “pés” ou “pé” como eufemismo para os órgãos genitais. Em Isaías 7:20, “cabelos dos pés” refere-se à depilação dos pêlos púbicos, enquanto Ezequiel 16:25 descreve a promiscuidade sexual de Jerusalém como “alargar as pernas” (ARC). O ato de Rute de descobrir os pés de Boaz constituiu uma proposta de casamento (Rute 3:7). Os pés também aparecem em descrições do parto, como em Deuteronômio 28:57, onde a placenta “sai de entre seus pés” (ARA).
“Conhecer” é uma forma recatada de descrever a intimidade sexual na Bíblia. O termo hebraico original transmite uma profunda proximidade relacional sem detalhes físicos explícitos. Gênesis 4:1 diz: “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu” (ARC). A expressão enfatiza a unidade relacional, em vez da mecânica biológica. Além disso, destaca a natureza de aliança da intimidade conjugal como algo conhecido, compartilhado e pessoal, não apenas físico. Esse eufemismo aparece por toda a Escritura, especialmente em contextos genealógicos ou narrativos nos quais o decoro é culturalmente importante (Gênesis 4:17, 25; 19:8; Números 31:17–18; Juízes 21:11–12; 1 Samuel 1:19; Mateus 1:25).
“Descobrir a nudez” serve como eufemismo para atos sexuais proibidos. Em vez de enumerar comportamentos detalhados, o texto preserva a modéstia ao mesmo tempo em que comunica claramente os limites morais. Por exemplo, Levítico 18 adverte repetidamente: “Não descobrirás a nudez de…”, seguido por vários parentes próximos. A frase não se refere à nudez literal, mas a relações sexuais proibidas. Após a queda da humanidade, a nudez passou a ser associada à vergonha — um forte contraste com a inocência de Adão e Eva antes que o pecado entrasse no mundo (ver Gênesis 2:25; cf. Gênesis 3:7–11). Por essa razão, o eufemismo de “expor a nudez” carregava grande peso moral na lei israelita.
Outros eufemismos comuns para descrever encontros sexuais em contextos narrativos são “entrar em” e “deitar-se com”. Em Gênesis 38:16, Judá diz a Tamar: “Deixa-me entrar em ti” (ARC). Da mesma forma, a esposa de Potifar tenta seduzir José, dizendo: “Deita-te comigo” (Gênesis 39:7, ARC). Essas frases suavizam a descrição, mas ainda assim transmitem o significado essencial. Elas também permitem que os autores bíblicos discutam situações moralmente complexas sem detalhes desnecessários.
Os eufemismos são evidência da atenção cuidadosa da Bíblia à experiência humana, à compaixão e à sabedoria cultural. Eles foram originalmente usados para proteger a dignidade do leitor, evitando descrições explícitas. Até hoje, eles lembram aos leitores que as Escrituras são ricas em nuances literárias. Desvendar essas expressões nos ajudará a interpretar passagens difíceis com mais clareza e a ler o texto antigo com maior precisão.
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Quais são alguns exemplos de eufemismo na Bíblia?
