Pergunta
O que se entende por “eternidade passada”?
Resposta
Tanto as Escrituras quanto a ciência afirmam que o universo teve um início. O mistério atemporal anterior à criação do mundo é frequentemente descrito por meio do termo “eternidade passada”. Falar de “eternidade passada” é particularmente comum em contextos teológicos como forma de retratar a existência eterna de Deus.
A expressão “eternidade passada” não é encontrada explicitamente nas Escrituras, mas termos intimamente relacionados transmitem a mesma ideia. Por exemplo, Paulo proclamou que Deus “nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Efésios 1:4). Pedro também fala de Jesus como tendo sido “predestinado antes da fundação do mundo” (1 Pedro 1:20). O “tempo” “antes da fundação do mundo” se refere a uma eternidade passada.
O que ocorreu na eternidade passada? Temos poucos detalhes, mas certas passagens oferecem pistas. O Deus eterno e Trino existia em uma comunidade amorosa de Pai, Filho e Espírito (João 17:24). Os planos e propósitos complexos de Deus foram estabelecidos antes da criação, provavelmente levando em conta todos os “riscos” e possibilidades (Isaías 46:9–10; Salmo 33:11). Incluído em Seu plano estava o sacrifício do Cordeiro (Apocalipse 13:8). Na eternidade passada, o Deus soberano nos escolheu em Cristo, ao mesmo tempo em que permitiu a livre escolha, incluindo nossa decisão de crer em Cristo (ver Romanos 8:29–30). Deus também predestinou na eternidade passada que todos os que crêem em Cristo se tornariam semelhantes a Jesus (Romanos 8:29) e seriam ricos em boas obras (Efésios 2:10). Além disso, o reino de Deus foi preparado na eternidade passada (Mateus 25:34).
Nosso conhecimento finito e limitado pelo tempo não consegue compreender plenamente a relação entre uma existência eterna e a vida temporal. Por essa razão, é impossível entender como as escolhas livres que fazemos no tempo se encaixam no plano soberano de Deus na eternidade passada. No entanto, ao contemplarmos a pré-existência de Deus na eternidade passada, ganhamos tanto humildade quanto confiança na soberania de Deus. Não há motivo para nos vangloriarmos de nossas conquistas ou identidade em Cristo, pois sabemos que a salvação remete a Deus. A glória de tudo é dEle. O orgulho morre naturalmente à medida que ponderamos o fato de que Deus controla tudo. Nossa confiança deriva da certeza de que seremos transformados à imagem de Cristo e que Deus completará o que começou. Como Paulo afirmou: “Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).
Também vale a pena enfatizar que nosso Senhor Jesus estava presente na eternidade passada. No princípio, o Verbo já estava lá (João 1:1), um fato que afirma a Sua divindade. Ao contrário do que algumas seitas e religiões afirmam, o Filho não foi criado. Em vez disso, a criação, a redenção e a restauração de todas as coisas são realizadas por meio dEle. Ninguém que espera em Cristo será envergonhado.
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