Pergunta
Algum dos diversos estilos de adoração é antibíblico?
Resposta
Antes de decidirmos se certos estilos de adoração são antibíblicos, precisamos definir o que é adoração. A adoração é geralmente definida como “o ato de demonstrar reverência e adoração por uma divindade, honrando-a por meio de ritos religiosos”. Mas a adoração pode ir ainda mais além disso. A adoração pode ser definida com mais precisão como “a arte de perder-se na adoração de outro”. Por essa definição, muitos atos de adoração não têm nada a ver com Deus ou mesmo com uma suposta divindade. As pessoas adoram estrelas do rock, atletas e outras celebridades. Elas se perdem na adoração da riqueza, da fama e do poder. Portanto, há muitos estilos e práticas de adoração que são idólatras e, portanto, antibíblicos.
Ao longo da Bíblia, as pessoas expressam a adoração a Deus de várias maneiras, desde a construção de altares e a oferta de sacrifícios queimados até a oração e o canto. A adoração a Deus ou aos deuses era frequentemente equiparada ao serviço regular. Na verdade, Deus usou a frase “adorar e servir” quando se referiu à lealdade de um povo a Ele ou a um ídolo (Deuteronômio 5:9; 11:16; Jeremias 25:6; Lucas 4:8). Para os israelitas, adorar a Deus significava obedecer aos Seus mandamentos. A verdadeira adoração piedosa é um estilo de vida ligado ao serviço, não um ato isolado restrito a um edifício, evento ou ação.
Muitas pessoas hoje equiparam adoração a ir à igreja. A adoração coletiva ocorre quando o Corpo de Cristo se reúne, mas não é necessariamente o caso todas as vezes. Sabemos, por Atos 2:42–47, que os membros da igreja primitiva “dedicavam-se ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e à oração”. Portanto, esses quatro elementos precisam estar presentes para que haja um culto bem equilibrado. Mas, como as tradições e culturas variam, os cultos em todo o mundo podem parecer muito diferentes. Algumas práticas, se não forem cuidadosamente monitoradas, podem desviar o foco de Deus para a própria adoração, tornando esses estilos de adoração antibíblicos. Algumas dessas práticas estão listadas abaixo:
1. Música. Alguns cristãos equiparam a adoração à parte musical do culto na igreja. Embora a música seja uma parte vital da expressão de nossos corações a Deus (Salmo 96:1; 149:1; Êxodo 15:1; Efésios 5:19), a música em si pode se tornar o objeto de nossa adoração. Quando a música sensacionalista é a soma total da experiência de adoração, devemos perguntar: “O que exatamente está sendo adorado?” Quando o estilo musical e a performance se tornam mais importantes do que buscar ou glorificar a Deus, a música se torna algo negativo. Não estamos mais adorando a Deus, mas adorando a experiência. Se a batida, a letra, o arranjo ou o intérprete assumem o centro do palco durante um momento dedicado à adoração, então Jesus não é quem está sendo exaltado — a nossa satisfação emocional se tornou a estrela.
2. Liberdade pessoal. Em algumas igrejas, a liberdade de expressão pode se tornar um estilo de adoração antibíblico. Quando os participantes estão mais focados em suas próprias manifestações externas de “adoração”, como correr pela sala, gritar ou agitar os membros descontroladamente, a reunião coletiva passa da adoração a Deus para uma competição entre participantes desinibidos. As Escrituras nunca endossam o caos como parte de uma reunião coletiva. Na verdade, Paulo repreende os coríntios por permitirem que seus cultos saíssem do controle (1 Coríntios 14:26–33). Em vez disso, ele lembra à igreja que tudo, incluindo a liberdade pessoal de adoração, deve ser feito “com decência e ordem” (1 Coríntios 14:40).
3. Falta de alegria. No extremo oposto do espectro, muitas igrejas têm adotado um estilo de culto antibíblico ao criar uma atmosfera monótona e sombria, desprovida de qualquer emoção. Muitos dos presentes acreditam que cumpriram seu dever para com Deus ao suportar uma hora de ortodoxia árida uma vez por semana, mas onde estavam seus corações? Eles podem chamar isso de adoração, mas está longe de sê-lo. Jesus repreendeu esse tipo de legalismo sem alegria quando citou o profeta Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8; cf. Isaías 29:13). Passar pelos movimentos de honrar a Deus enquanto secretamente deseja que o tempo passe não é adoração de forma alguma. Ele não tem prazer em nossas ofertas sem alegria (2 Coríntios 9:7).
4. Tradição. A tradição criada pelo homem tem sido a ruína da verdadeira adoração desde antes de Jesus andar sobre a terra. Ele a repreendeu naquela época e a repreende agora (Marcos 7:7–8; Colossenses 2:8). O que às vezes chamamos de “adoração” nada mais é do que um exercício para nos sentirmos bem, repleto de práticas confortáveis que nos foram transmitidas por nossos pais e avós. Muitas pessoas se consideram parte de um determinado grupo religioso simplesmente porque foi assim que foram criadas. Elas nunca pensam em questionar as tradições, ritos ou práticas não bíblicas que essa igreja segue, pois essas práticas lhes são muito familiares. Muitas vezes, essas práticas extra-bíblicas na verdade contradizem as verdades das Escrituras, mas são justificadas porque “é assim que sempre fizemos”.
Qualquer estilo de adoração pode ser antibíblico se não vier do coração. A mulher samaritana perguntou a Jesus sobre um aspecto técnico da adoração, e a Sua resposta é aquela que todos devemos seguir. Ele disse: “Deus é Espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Quando exaltamos a verdade das Escrituras, quando nos perdemos pessoalmente na adoração a Deus, podemos nos envolver na verdadeira adoração, seja em uma catedral lotada ou sozinhos no deserto. Quando nossas vidas são dedicadas a honrar a Deus em tudo o que fazemos, estamos vivendo um estilo de vida de adoração.
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Algum dos diversos estilos de adoração é antibíblico?
