Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a confidencialidade?
Resposta
O conceito de confidencialidade é abordado na Bíblia. Assim como em temas semelhantes, o fato de a confidencialidade ser boa ou não, ou mesmo possível, depende de quem está sendo privado da informação e com que finalidade. É melhor manter alguns detalhes da vida de uma pessoa longe dos olhos do público, mesmo que revelar esses segredos fosse vantajoso para nós. Ao mesmo tempo, há algumas coisas que talvez queiramos manter em sigilo, especialmente sobre nós mesmos, mas que seria melhor confessar e resolver.
Obviamente, é impossível manter qualquer coisa “confidencial” diante de Deus. “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hebreus 4:13). Portanto, a confidencialidade é uma preocupação terrena, mas não se estende verticalmente até o céu. Deus é o revelador de segredos (Daniel 2:22). O rei da Síria descobriu isso da maneira mais difícil; toda vez que suas tropas tentavam emboscar o exército de Israel, os israelitas estavam prontos para enfrentá-los. O rei de Arã não conseguia entender como os israelitas estavam obtendo suas informações até que um de seus oficiais descobriu a fonte do vazamento: “o profeta Eliseu, que está em Israel, conta ao rei de Israel as palavras que o senhor fala no seu quarto de dormir” (2 Reis 6:12). Lá se vai a confidencialidade; se Deus quiser que algo seja conhecido, será conhecido.
Curiosamente, um sinônimo comum para confidencialidade é discrição. Isso faz sentido, na medida em que é importante distinguir entre as informações que devem ser tornadas públicas e aquelas que devem ser mantidas em sigilo. Poucas pessoas gostariam de procurar um terapeuta ou pastor que não fosse capaz de manter a confidencialidade. No entanto, esses conselheiros precisam avaliar quando as informações precisam ser compartilhadas, mesmo que a outra pessoa não queira que isso aconteça. Por exemplo, ameaças a outras pessoas ou intenções de automutilação não podem, por definição, ser mantidas em sigilo. O livro de Provérbios, que exalta as virtudes da sabedoria, também incentiva a “discrição” quatro vezes nos primeiros cinco capítulos (Provérbios 1:4; 2:11; 3:21; 5:2). Portanto, a questão bíblica sobre a confidencialidade não é se ela é ou não aceitável, mas como saber quando uma determinada informação deve ser mantida em sigilo.
Um aspecto da confidencialidade a ser considerado é exatamente de quem estamos tentando esconder a informação. Não há nada que Deus não possa ver, ouvir ou saber (Salmo 44:21; 90:8). Portanto, qualquer tentativa de esconder segredos de Deus é inútil (Jeremias 23:24; Marcos 4:22). Além disso, cada ação e pensamento se tornará de conhecimento público algum dia (Mateus 12:36; 2 Pedro 3:10). Por outro lado, alguns segredos devem ser mantidos longe de nossos inimigos — algo que Sansão não levou em conta (Juízes 16:16–21). Aspectos relacionados às forças armadas, à aplicação da lei ou aos negócios também podem exigir confidencialidade (Josué 2:1). Isso, em alguns casos, ocorre porque o conhecimento pertence literalmente a outras pessoas. Trair informações confidenciais em um ambiente de negócios, por exemplo, não é significativamente diferente de roubar.
Há aspectos de nossas vidas sobre os quais nos é explicitamente dito para não mantermos segredo, como a nossa fé (Mateus 5:14–16). Há outros aspectos de nossas vidas que são apenas entre nós e Deus (Mateus 6:6), mesmo que o que seja mantido em segredo sejam coisas boas (Mateus 6:4). Manter algo confidencial por bom senso não é necessariamente algo ruim. Mas evitar a confissão e o arrependimento de nossos pecados é outra história (1 Coríntios 4:2; Provérbios 28:13; 1 Pedro 2:16). Seja a informação nossa ou de outra pessoa, precisamos nos perguntar: “Estou guardando isso em segredo por um bom motivo?”
A Bíblia exige confidencialidade em certas áreas. Temos a obrigação de honrar os segredos que nos são confiados, a menos que haja uma razão imperiosa para não fazê-lo (Provérbios 11:13; 12:23). Na verdade, devemos evitar aqueles que não sabem guardar segredos: “O mexeriqueiro revela os segredos; portanto, não se meta com quem fala demais” (Provérbios 20:19). A necessidade de manter a confidencialidade se aplica até mesmo quando se confronta alguém sobre o seu próprio pecado (Mateus 18:15). A resposta inicial de José à gravidez de Maria foi um divórcio discreto, feito em segredo (Mateus 1:19), uma escolha atribuída à sua justiça.
A confidencialidade com discrição é importante, mesmo quando as informações dizem respeito aos nossos inimigos (Provérbios 25:9; 17:9). Em algum momento, pode ser necessário denunciar publicamente o pecado (1 Timóteo 5:20). Mas essa não deve ser a nossa primeira reação diante de tais informações (Mateus 18:15–17).
Do ponto de vista bíblico, é muito valioso ter o bom senso de saber quando manter algo em sigilo e quando compartilhar a informação com os outros. Devemos ter especial cuidado para não esconder segredos pessoais, a fim de não termos que lidar com o nosso próprio pecado e com a tentação de expor os outros por rancor ou vingança. Em vez de sermos fofoqueiros (Provérbios 16:28; 1 Timóteo 5:13) ou excessivamente argumentativos (1 Timóteo 6:4; 2 Timóteo 2:23), devemos agir com dignidade em relação ao que sabemos. A confidencialidade é importante, mas deve ser mantida de maneira biblicamente correta.
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O que a Bíblia diz sobre a confidencialidade?
