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Pergunta

O que significa ser companheiro de tolos (Provérbios 13:20)?

Resposta


Além de nossos pais, talvez as pessoas mais influentes na formação de nossas vidas sejam aquelas com quem escolhemos conviver. As Escrituras, portanto, aconselham-nos a selecionar cuidadosamente nossos amigos e companhias, pois a influência deles é poderosa. Provérbios 13:20 afirma: “Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.”

A primeira parte de Provérbios 13:20 diz: “Quem anda com os sábios será sábio”. Na linguagem bíblica, andar com alguém significa compartilhar a vida, caminhar na mesma direção e adotar valores semelhantes. A ideia não é de um contato casual, mas de uma escolha intencional de companhias. Deus nos criou para crescer em sabedoria tanto por meio de relacionamentos quanto do estudo. Conviver regularmente com pessoas sábias nos ajudará a nos tornarmos mais sábios. Passar tempo com aqueles que temem o Senhor, valorizam a verdade e buscam a justiça nos moldará na mesma direção.

Muitos provérbios abordam a influência de nossas companhias (veja Provérbios 1:8–19; 2:12; 4:14–17; 16:29; 22:24–25; 23:20–21; 28:7). Provérbios 27:17 diz: “O ferro se afia com ferro, e uma pessoa, pela presença do seu próximo.” Companheiros sábios nos desafiam, encorajam, corrigem e fortalecem. Eles servem de exemplo de uma vida piedosa no dia a dia. Por essa razão, Hebreus 10:24–25 exorta os crentes a “animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. Não deixemos de nos congregar”. À medida que ouvimos pessoas sábias, recebemos sua orientação e observamos seu exemplo, a sabedoria delas é transmitida a nós e nos molda.

O outro lado dessa moeda é igualmente impactante. Se nos associarmos regularmente a tolos, nos tornaremos como eles e enfrentaremos os mesmos problemas. Se escolhermos amigos ímpios, eles nos desviarão do caminho certo (Provérbios 12:26). Se nos tornarmos companheiros de tolos, eles não nos transmitirão nada que valha a pena (Provérbios 10:21; 15:2; 18:2). Provérbios 14:7 nos aconselha a nos afastarmos dos insensatos, pois não encontraremos conhecimento nem conselhos sábios em seus lábios.

Ser um “companheiro de insensatos”, conforme mencionado em Provérbios 13:20, significa escolher amizades íntimas com pessoas que rejeitam a sabedoria de Deus e, consequentemente, deixar-se moldar por suas atitudes, hábitos e decisões. Segundo as Escrituras, o insensato não é apenas alguém que carece de inteligência ou bom senso, mas alguém que se recusa a viver segundo os caminhos de Deus. Provérbios 1:7 afirma: “O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os insensatos desprezam a sabedoria e o ensino.” Provérbios 12:15 acrescenta: “O caminho do insensato parece reto aos seus olhos, mas o sábio ouve os conselhos.” Os insensatos são guiados pelo impulso em vez do discernimento (Provérbios 14:16), pelo orgulho em vez da humildade (Provérbios 11:2) e pela própria vontade em vez da obediência (Provérbios 3:5–7; 15:5; 28:26).

Quando escolhemos insensatos como nossos companheiros mais próximos, colocamos nossos corações sob a influência daqueles que não estão submissos a Deus e à Sua verdade. Se nos cercamos constantemente de pessoas que ignoram a Palavra de Deus, resistem à correção e agem por impulso, inevitavelmente absorvemos os mesmos padrões de pensamento e comportamento. Com o tempo, os valores daqueles que nos cercam tornam-se os nossos próprios valores.

As consequências de nos tornarmos companheiros de insensatos podem ser devastadoras. O apóstolo Paulo afirma: “As más companhias corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15:33; veja também 1 Coríntios 5:6). Essa corrupção é gradual e, muitas vezes, passa despercebida no início. Com o tempo, passamos a tolerar o que antes rejeitávamos, a rir do que antes nos entristecia e a imitar comportamentos que antes considerávamos preocupantes. Provérbios 22:24–25 alerta: “Não faça amizade com quem facilmente fica irado, nem ande na companhia de quem é agressivo, para que você não aprenda os seus caminhos e, assim, fique preso numa armadilha.” O perigo não é apenas de ordem moral, mas também prática. Os insensatos tomam decisões imprudentes, e aqueles que andam lado a lado com eles frequentemente compartilham as consequências dessas escolhas, sejam elas financeiras, relacionais, emocionais ou espirituais. É impossível não ser afetado pelas companhias que escolhemos. O Salmo 1 descreve vividamente o afastamento gradual que ocorre quando alguém anda, permanece e, por fim, assenta-se entre os ímpios, levando à instabilidade, à esterilidade e, em última análise, à ruína espiritual.

Provérbios 13:20 nos confronta com perguntas que exigem reflexão: Quem está nos moldando? As pessoas que mais nos influenciam estão nos conduzindo para perto de Deus ou nos afastando dEle? Elas cultivam a humildade, a integridade e o discernimento, ou nos levam a comprometer nossos princípios e à insensatez?

A influência dos relacionamentos nunca é neutra. Estamos sempre sendo moldados, seja para a sabedoria ou para o prejuízo. Ao caminhar com os sábios, plantamo-nos junto à correnteza das bênçãos de Deus (Salmo 1:3). Por outro lado, andar na companhia de insensatos é colocar a vida em um caminho precário e de perigo desnecessário. Que possamos escolher relacionamentos que cultivem a sabedoria, fortaleçam a nossa fé e nos levem a encontrar alegria nos caminhos da justiça.

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