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Pergunta

O que a Bíblia diz sobre como ser batizado / como batizar?

Resposta


Em Mateus 28, temos as últimas palavras registradas de Jesus na terra: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (versículos 18–20). Incluída na Grande Comissão está a ordem de batizar os discípulos.

O batismo é importante, mas temos muito poucas instruções concretas sobre ele no Novo Testamento. Não há um manual de “como fazer”, e talvez essa seja a razão pela qual existem muitas visões diferentes sobre o batismo.

Quanto ao modo de batismo, algumas igrejas aspergem ou derramam água sobre a cabeça, enquanto outras imergem o corpo inteiro na água. Algumas imergem três vezes, enquanto outras imergem apenas uma vez; algumas imergem de costas, e outras de frente, ou seja, com o rosto para baixo.

Quanto aos candidatos adequados para o batismo, algumas igrejas praticam o batismo de crentes (credobatismo — da palavra credo, que se refere a uma declaração de fé), enquanto outras batizam bebês (pedobatismo ou paedobatismo — da palavra grega paidia, que significa “crianças”) que não têm como compreender o que está acontecendo com eles. Em muitas igrejas, o batismo de crianças é um sinal da Nova Aliança e da fé dos pais, semelhante à circuncisão na Antiga Aliança. Na Igreja Católica Romana, acredita-se que esse batismo lava o pecado original e permite que a criança comece de um ponto “neutro” de inocência e graça.

Quanto à eficácia do batismo, alguns ensinam que ele é um sinal externo de uma realidade interna. Para outros, o próprio ritual é eficaz para a purificação do pecado. Alguns ensinam que o batismo é um ato necessário de obediência, sem o qual uma pessoa não pode ser salva, e outros chegam a ensinar que o batismo deve ser feito em nome de Jesus para ser eficaz para a salvação.

Seria melhor simplesmente seguir o ensinamento das Escrituras a respeito do batismo; no entanto, a maioria daqueles que defendem qualquer uma das posições acima acredita estar seguindo as Escrituras. Na realidade, muitas crenças sobre o batismo baseiam-se em pressupostos teológicos e na tradição, assim como muitas crenças sobre outras questões.

Este artigo tentará esclarecer parte dessa confusão.

Quanto ao modo de batismo: a palavra grega baptizo significa simplesmente “mergulhar”. A palavra não era um termo teológico no primeiro século, mas uma palavra comum usada na conversa cotidiana. Ao falar sobre o tingimento de tecidos, as pessoas diziam que ele era “imerso” no corante. A razão pela qual as versões em português transliteram a palavra como “batizar” em vez de traduzi-la como “imersão” é que, na época em que a Bíblia estava sendo traduzida para o português, vários outros modos de batismo eram populares, e os tradutores não queriam causar muito alvoroço. Essa tradição se mantém até hoje. Quando a Bíblia ordena o batismo, a imersão na água é o entendimento mais natural.

Não há nenhuma passagem no Novo Testamento que fale do batismo e que não permita ou exija a imersão na água. Um exemplo é João 3:23: “Ora, João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque ali havia muitas águas, e o povo se dirigia para lá e era batizado.” Se a aspersão ou o derramamento estivessem em vista, o batismo de João poderia ter sido realizado em qualquer lugar com um poço ou mesmo o menor dos riachos — “havia água em abundância” não teria sido necessário. Outro exemplo é o batismo do eunuco etíope em Atos 8. Filipe explica o evangelho a ele e então, “seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: 'Eis aqui água. O que impede que eu seja batizado?' Então mandou parar a carruagem, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco” (Atos 8:36, 38). Se a aspersão ou o derramamento fossem tudo o que era necessário, Filipe poderia ter feito isso enquanto seguia na carruagem, usando água potável. Não teria havido necessidade de parar em um lugar onde havia água e, certamente, nenhuma necessidade de “descer à água”.

Além da imersão, a Bíblia não diz se a imersão é para frente, para trás ou diretamente para baixo. O entendimento mais comum é o de imersão única, porque a imersão tripla nunca é mencionada nas Escrituras. Aqueles que mergulham três vezes fazem isso porque o batismo é em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo — enfatizando as três Pessoas da Trindade. Não há nada na ordem de ser batizado que implique outra coisa senão a imersão única, e se a imersão tripla fosse o único método adequado, esperaríamos que isso tivesse sido claramente articulado. Além disso, Mateus 28:19 (“batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”) usa o nome no singular, o que enfatiza a unidade na Trindade. No fim das contas, a imersão tripla parece ser uma forma admissível, embora não obrigatória, de batizar.

Quanto aos candidatos adequados para o batismo: no Novo Testamento, nunca encontramos qualquer indicação de que bebês fossem batizados como sinal da aliança ou da fé de seus pais. Quando Pedro pregou no dia de Pentecostes (Atos 2), aqueles que creram foram batizados. Alguns ressaltam que toda a casa do carcereiro de Filipos foi batizada (Atos 16:33); contudo, não sabemos se a sua casa incluía crianças de colo. Além disso, a passagem indica que a fé foi o fator determinante: “Creia no Senhor Jesus e você será salvo — você e toda a sua casa” (Atos 16:31).

Certamente, a promessa feita ao carcereiro não era de que toda a sua família, incluindo bebês, seria salva com base na fé do carcereiro; ao contrário, a promessa de salvação pela fé em Cristo era para o carcereiro e qualquer outra pessoa em sua casa — qualquer outra pessoa no mundo inteiro, aliás — que acreditasse. O versículo seguinte diz: “E pregaram a palavra de Deus ao carcereiro e a todos os que faziam parte da casa dele” (Atos 16:32). Aqui presume-se que aqueles que estavam na casa tinham idade suficiente para ouvir, compreender e responder à Palavra. “Então, imediatamente, ele e toda a sua família foram batizados” (Atos 16:33). Isso incluía bebês? “Então, levando-os para a sua própria casa, deu-lhes de comer; e, com todos os seus, manifestava grande alegria por ter crido em Deus” (Atos 16:34). Este último versículo indica que toda a sua casa havia chegado à fé; portanto, ou 1) a sua casa não incluía bebês, ou 2) os bebês não eram capazes de responder à Palavra e, portanto, não foram incluídos na contagem. (Se um homem diz: “Toda a minha família dirige caminhonetes”, é óbvio que ele não está incluindo o seu filho de 2 anos.)

De Atos 16:31–34, parece claro que a promessa de salvação era para toda a casa; toda a casa ouviu a Palavra e creu, e toda a casa foi batizada. Não há nada nesta passagem que indique, muito menos que ordene, o batismo de crianças.

Os evangélicos que praticam o batismo infantil (pedobatistas) equiparam o batismo no Novo Testamento à circuncisão no Antigo Testamento. Todo menino sob a Antiga Aliança era circuncidado porque os seus pais queriam que ele fosse incluído na comunidade e queriam ser obedientes a Deus. Os pedobatistas evangélicos querem a mesma coisa para os seus filhos pequenos e percebem que os seus filhos terão que aceitar a Cristo por conta própria mais tarde. A cerimônia de batismo funciona de maneira muito semelhante à “dedicação de bebês” nas igrejas que praticam o batismo de crentes (credobatismo).

Os pedobatistas também apontam que o Novo Testamento foi escrito para os cristãos da primeira geração; portanto, é lógico que todos os que foram batizados no Novo Testamento eram novos crentes. Embora isso possa ser verdade, é inconcebível que nenhuma das pessoas que se converteram na igreja primitiva tivesse filhos; no entanto, não há nenhum exemplo de crianças sendo batizadas porque os seus pais acreditavam, não há nenhuma ordem para que pais crentes batizem os seus filhos e não há nenhuma passagem que vincule explicitamente o batismo à circuncisão. O pedobatismo é uma inferência teológica baseada em analogia.

Quanto à eficácia do batismo: a Bíblia não ensina e os evangélicos não acreditam que o batismo traga a salvação ou que seja necessário para a salvação. A visão católica romana de que o batismo infantil remove o pecado original e retorna a criança a um estado “neutro” de graça simplesmente não se encontra nas Escrituras, mas se baseia no ensino da Igreja que os católicos romanos acreditam ter a mesma autoridade que as Escrituras. Outros que acreditam que o batismo é necessário para a salvação apontam para alguns versículos que ligam o batismo à salvação, como Atos 2:38: “Pedro respondeu: 'Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo.'” Pedro diz claramente à multidão que eles precisam ser batizados; no entanto, este é o único lugar onde o batismo parece ser ordenado em uma apresentação do evangelho. É possível entender o batismo aqui simplesmente como uma forma de proclamar publicamente a fé, como se Pedro estivesse dizendo a eles: “Arrependei-vos e confessai a Cristo publicamente”. Na igreja primitiva, o batismo era a confissão pública de Cristo. Era também o momento em que um crente era levado a sério e em que a perseguição se tornava uma possibilidade real. Uma pessoa que dizia acreditar, mas se recusava a ser batizada, não teria sido levada a sério nem dentro nem fora da igreja.

Além disso, a maioria dos grupos que ensinam a regeneração batismal também acredita que o batismo é simplesmente o primeiro passo em uma vida de obediência necessária para a salvação. Portanto, é a obediência do crente que, em última instância, garante a salvação, e não a fé em Cristo. Para eles, o batismo é apenas uma das muitas obras necessárias para a salvação.

Alguns enfatizam que o batismo deve ser feito apenas em nome de Jesus. Esses grupos geralmente defendem alguma forma de modalismo. Jesus ordenou o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas em Atos, às vezes, as pessoas são batizadas em nome de Jesus. Isso provavelmente indica que a fórmula específica usada não é tão importante quanto o significado. O ponto do ensino trinitário que é mais frequentemente atacado (tanto naquela época quanto hoje) é a divindade de Cristo. No Novo Testamento, quando alguém era batizado em nome de Cristo, afirmava a divindade de Cristo. O modalismo e o ensino “Somente Jesus” são desenvolvimentos posteriores e não constituíam uma questão no Novo Testamento. O fato de Jesus ter dado a fórmula trinitária em Mateus 28 parece excluir a posição “Somente Jesus” como a única fórmula adequada.

Em última análise, acreditamos que a maneira mais bíblica de batizar é a imersão de crentes que depositaram a sua fé em Cristo e que estão sendo batizados como uma confissão pública de sua identificação com Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição. Aqueles que tornam o batismo ou um modo específico de batismo essencial para a salvação estão corrompendo o evangelho. Os evangélicos que divergem quanto ao modo de batismo ou aos candidatos adequados para o batismo podem ainda assim concordar nos pontos essenciais do evangelho, ter comunhão uns com os outros e até mesmo unir-se no ministério, mantendo as suas práticas distintas dentro de suas próprias igrejas.

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