Pergunta
O que significa ter uma boa consciência (1 Timóteo 1:5)?
Resposta
Em 1 Timóteo 1:3-11, o apóstolo Paulo instrui seu discípulo Timóteo sobre como lidar com os falsos mestres na igreja. Depois de dar uma breve descrição de seus falsos ensinamentos (versículos 3-4), Paulo explica por que ele quer que Timóteo impeça que essas ideias destrutivas e divisivas se espalhem: "O objetivo desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia" (1 Timóteo 1:5).
A motivação por trás da instrução de Paulo a Timóteo é o amor. Em vez de demonstrarem amor uns pelos outros, os crentes de Éfeso estavam perdendo tempo com "fábulas" e "genealogias sem fim", discutindo sobre "mitos e pedigrees espirituais" que não contribuíam em nada para "ajudar as pessoas a viver uma vida de fé em Deus" (1 Timóteo 1:4). Eles estavam tão envolvidos em controvérsias que perderam o chamado mais elevado - amar a Deus primeiro e depois aos outros (Mateus 22:35-40; 1 João 3:11; 4:7; 1 Coríntios 13:13).
Por mais vital que seja ser doutrinariamente correto, é igualmente importante que as atitudes de nosso coração e os comportamentos resultantes sejam corretos diante de Deus. Nossa missão não é estar certo e mostrar aos outros que eles estão errados. O amor é o verdadeiro objetivo. A qualidade do amor deve definir nossa vida e motivar nossas ações acima de tudo. Em 1 Timóteo 1:5, Paulo lista três atributos fundamentais necessários para cultivar o amor: um coração puro, uma boa consciência e uma fé sincera. Essas eram virtudes das quais os falsos mestres haviam "se afastado" (1 Timóteo 1:6).
Então, o que significa ter uma boa consciência? A palavra grega original (agathos) que Paulo usa em 1 Timóteo 1:5, traduzida como "boa" em português, refere-se à excelência moral. A "consciência" (syneidēsis em grego) é a faculdade psicológica ou capacidade interna que permite que uma pessoa faça a distinção entre o certo e o errado. É o juiz interno escrito no coração do crente (ver Jeremias 31:33) que acusa e condena quando agimos errado e aprova quando agimos certo (ver Romanos 2:14-15).
Uma pessoa com uma boa consciência vive e se comporta de acordo com um código moral de excelência dado por Deus; ela possui convicções íntimas retas e é capaz de discernir entre o certo e o errado. Paulo pede a Timóteo: "... mantendo a fé e a boa consciência, porque alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé" (1 Timóteo 1:19).
É possível ter uma boa consciência ou uma consciência "contaminada" ou "corrompida" pela rebelião (Tito 1:15). Quando recebemos Jesus Cristo como Senhor e Salvador, Seu sangue purifica "a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!" (Hebreus 9:14). Nossa consciência culpada foi "limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura" (Hebreus 10:22).
Warren Wiersbe compara uma boa consciência, ou uma consciência limpa, "a uma janela que deixa entrar a luz da verdade de Deus" (Comentário Expositivo da Bíblia, vol. 2, Victor Books, 1996, p. 414). Quanto mais estudamos a Palavra de Deus, mais luz deixamos entrar e mais sensíveis nos tornamos ao certo e ao errado. Paulo informa a Timóteo que os falsos mestres, aqueles que "abandonam a fé e seguem espíritos enganadores e coisas ensinadas por demônios", persistiram em seu pecado e rebelião contra Deus a ponto de terem suas consciências "cauterizadas como por um ferro quente" (1 Timóteo 4:1-2). A luz da verdade de Deus é bloqueada nesses corações.
O conceito de ter uma boa consciência tinha um significado um pouco diferente para os crentes de Éfeso: "Para as pessoas do primeiro século, a consciência tratava da conduta de uma pessoa dentro do grupo escolhido. Uma boa consciência significava viver de acordo com os padrões e práticas que o grupo (nesse caso, a igreja) considerava adequados e aceitáveis. Significava viver sem vergonha entre seus pares ou companheiros" (Larson, K., Comentário Holman do Novo Testamento, vol. 9, Broadman & Holman Publishers, 2000, pp. 146-147).
Hoje em dia, vemos o fato de ter uma boa consciência e a capacidade de discernir o certo do errado principalmente a partir de uma perspectiva individual. Mas, nos tempos antigos, a palavra carregava o peso da responsabilidade e da obrigação de prestar contas. O apóstolo Pedro parece ter em mente esse senso de responsabilidade entre os colegas quando instrui: "... pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo" (1 Pedro 3:15-16).
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O que significa ter uma boa consciência (1 Timóteo 1:5)?
