Pergunta
Qual é o papel dos árabes na Bíblia?
Resposta
Deus chamou Abraão para deixar sua terra natal e seguir o Senhor com fé. Deus prometeu a Abraão que ele se tornaria o pai de uma grande nação (Gênesis 12:1–3). Muitos anos se passariam antes que essa promessa se cumprisse. Durante a longa espera, a esposa de Abraão, Sara, permaneceu sem filhos. Ela sugeriu que Abraão tomasse sua serva egípcia, Agar, para conceber um herdeiro (Gênesis 16:1–3). O filho nascido dessa união foi Ismael, de quem descendem os povos árabes.
Quando Agar engravidou, ela passou a olhar para Sara com desprezo, o que levou Sara a tratar a jovem mãe com tanta dureza que ela fugiu com Ismael para o deserto. Enquanto Agar estava sentada ao lado de uma fonte no deserto, um anjo do Senhor se aproximou dela e disse: “Você está grávida e dará à luz um filho, a quem chamará Ismael, porque o Senhor ouviu o seu grito de aflição. Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos será contra ele; e habitará diante de todos os seus irmãos” (Gênesis 16:11–12). Agar então voltou para Abraão e lhe deu um filho, Ismael.
Deus disse a Abraão: “Quanto a Ismael, eu ouvi o pedido que você me fez: vou abençoá-lo, farei com que seja fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; ele será pai de doze príncipes, e dele farei uma grande nação” (Gênesis 17:20). Mais tarde, Sara deu à luz Isaque, o filho prometido que herdaria as bênçãos prometidas a Abraão e à sua descendência (Gênesis 21:1–3).
À medida que os meninos cresciam juntos, Sara ficou chateada quando Ismael zombou de Isaque. Ela exigiu que Abraão mandasse Ismael e Agar embora (Gênesis 21:10). Abraão relutou, mas Deus o tranquilizou: “Não fique incomodado por causa do menino e por causa da escrava. Faça tudo o que Sara disser, porque por meio de Isaque será chamada a sua descendência. 13Mas também do filho da escrava farei uma grande nação, porque ele é seu descendente” (Gênesis 21:12–13).
Abraão os mandou embora, e Agar e Ismael vagaram pelo deserto de Berseba até que estavam prestes a morrer de sede. Deus ouviu seus clamores, encarregou outro anjo de levá-los até a água e renovou a Sua promessa de fazer dos descendentes de Ismael uma grande nação. O menino cresceu, tornou-se um arqueiro habilidoso e estabeleceu-se no deserto de Parã, na parte oriental da Península do Sinai. Ele se casou com uma mulher egípcia (ver Gênesis 21:14–20) e teve doze filhos e uma filha, que cresceu e se casou com Esaú (Gênesis 28:9). Dessa família surgiram os árabes, ou as nações árabes que hoje habitam a região da Arábia.
A Arábia é um vasto território, abrangendo mais de um milhão de milhas quadradas, dominado por um deserto inóspito. O termo “árabe” pode ter derivado de uma palavra semítica que significa “deserto” ou talvez “nômade”. Alternativamente, pode ter vindo de uma palavra hebraica que significa “povo misto”. Os árabes da Bíblia eram “as tribos nômades do deserto” (ver Jeremias 25:24), vivendo principalmente na parte noroeste da Arábia. Eles moravam em tendas (Salmos 83:6; 120:5; Jeremias 49:29) e viajavam em camelos em grandes caravanas mercantes transportando especiarias, ouro e joias preciosas (Gênesis 37:25; 1 Reis 10:2). Eles comercializavam mantas de sela caras, cordeiros e cabras (Ezequiel 27:20–22) e também eram comerciantes de escravos (Joel 3:8). A Bíblia às vezes se refere aos árabes como “o povo do Oriente” (Juízes 6:3). Como descendentes de Sem, falavam línguas semíticas (Gênesis 10:25–30).
A Bíblia lista as seguintes tribos árabes: amalequitas, buzitas, dedanitas, hagritas, ismaelitas, cadmonitas, quedaritas, queneus, meunitas, midianitas, naamatitas, sabeus e suítas. Os nomes dos povos árabes aparecem pela primeira vez na Tabela das Nações em Gênesis 10:7, entre os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Sabtecá, Sabá e Dedã. Mais descendentes árabes foram identificados entre os filhos de Joctã: Hazarmavé, Uzal, Sabá, Ofir e Havilá (ver Gênesis 10:26) e de Naor: Uz, Buz, Quésede e Hazo (ver Gênesis 22:21–22).
O relato bíblico mais antigo sobre a interação dos israelitas com os árabes conta que José foi vendido por seus irmãos a uma “caravana de ismaelitas” ou “comerciantes midianitas” (ver Gênesis 37:25–28; 39:1). Ismaelita é o termo geral para árabe, enquanto midianita se refere à tribo.
Moisés viveu entre os árabes midianitas depois de matar um homem e fugir do Egito (Êxodo 2:11–25). Mais tarde, Jetro (sogro de Moisés, um midianita) aconselhou Moisés sobre como governar as multidões de israelitas. Ele disse-lhe para nomear juízes e subpastores (Êxodo 18:13–27). Assim, a liderança e a estrutura administrativa de Israel seguiram um modelo árabe.
Os midianitas parecem ter sido os primeiros árabes a se opor abertamente aos israelitas quando uniram forças com os moabitas para bloquear sua passagem pela Transjordânia (Números 22). Na época de Gideão, a opressão midianita sobre os israelitas havia se intensificado consideravelmente (Juízes 6:1–6).
“Gesém, o árabe”, teve destaque como adversário no relato da reconstrução de Jerusalém por Neemias (Neemias 2:19–20; 6:1–2). Isaías profetizou contra a Arábia, exortando os residentes a levarem água e pão aos fugitivos da invasão babilônica do norte da Arábia. Ele advertiu que Quedar seria aniquilada em menos de um ano (Isaías 21:13–16). Jeremias profetizou a destruição contra “as tribos mistas” dos árabes, como parte daqueles que seriam destruídos pela Babilônia por meio do “cálice do vinho da ira” de Deus (Jeremias 25:15–29).
Não é surpresa que os árabes tenham assumido um papel adversário contra o povo de Deus na Bíblia, especialmente à luz da profecia de Gênesis 16:12 — de que a mão de Ismael “será contra todos, e a mão de todos será contra ele” e que ele “viveria em hostilidade para com todos os seus irmãos”.
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