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Pergunta

O apedrejamento de Estêvão - Por que os judeus tiveram permissão para apedrejar Estêvão, mas tiveram que passar por Pilatos para matar Jesus?

Resposta


Quando Jesus foi julgado, os líderes religiosos judeus passaram pelo governador romano, Pilatos, já que não tinham o direito legal de infligir a pena capital. Quando Pilatos disse aos judeus que julgassem Jesus de acordo com a lei judaica, eles responderam: "Não nos é lícito matar ninguém" (João 18:31). Mais tarde, porém, uma multidão liderada por esses mesmos líderes apedrejou Estêvão até a morte em Jerusalém (Atos 7:58). Isso parece apresentar um enigma: se os líderes religiosos não tinham permissão para infligir a pena de morte, por que executaram Estêvão? Ou, se eles podiam aplicar a pena capital, por que envolveram Pilatos na morte de Jesus?

A resposta está nas circunstâncias muito diferentes desses dois incidentes. No caso de Jesus, uma das preocupações das autoridades religiosas era que a imensa popularidade de Jesus levasse de alguma forma a uma retribuição romana (João 11:47-48). Especificamente, eles tinham medo de que, se Jesus iniciasse uma revolta, Roma culparia os líderes judeus. Portanto, parte da motivação para envolver Pilatos era provar - ou pelo menos dar a impressão - de que a liderança judaica era leal ao Império Romano. Isso se reflete na declaração ultrajante dos chefes dos sacerdotes a Pilatos: "Não temos outro rei senão César" (João 19:15).

Não há dúvida de que Jesus e os líderes religiosos estavam em conflito (João 11:57) e que eles queriam Jesus morto (versículo 53). Mas teria sido impossível para eles matar Jesus sem deixar óbvio que haviam ultrapassado os seus limites legais sob Roma. Até mesmo um ataque da multidão a Jesus teria levantado suspeitas. Por outro lado, o fato de os romanos executarem Jesus daria aos líderes judeus duas camadas de proteção: Roma não se oporia - legalmente - à Sua morte, e os partidários de Jesus seriam desencorajados a tentar vingança.

Pilatos já estava em uma posição política precária quando Jesus foi levado à sua presença. Os registros históricos sugerem que Pilatos havia sido criticado por ser muito violento em sua resposta à agitação judaica no passado (veja Lucas 13:1). Portanto, quando os líderes judeus incitaram uma multidão a exigir a morte de Jesus, Pilatos estava mais interessado na harmonia política do que na justiça (João 19:4, 6, 15-16). A situação só piorou para Pilatos no período entre a crucificação de Jesus e o apedrejamento de Estêvão. Em 36 d.C., alguns anos após o martírio de Estêvão, Pilatos perdeu o seu cargo de governador.

A diferença no caso de Estêvão é que ele não tinha um histórico extenso de antagonismo com os líderes religiosos judeus. Estevão era relativamente desconhecido, e o seu apedrejamento provavelmente não atrairia nenhuma atenção de Roma. A multidão que de fato matou Estevão sempre poderia ser culpada por fazer justiça com as próprias mãos, sem a sanção oficial do Sinédrio. E, dada a crescente fraqueza política de Pilatos, havia pouca chance de ele reagir a um incidente de justiça popular, dos judeus, contra um judeu. Além disso, o sermão de Estêvão parece ter enfurecido tanto a multidão que é possível que ninguém estivesse pensando logicamente (Atos 7:54, 57).

Em resumo, os líderes religiosos judeus não tinham o direito legal de impor a pena de morte. No entanto, o interesse de Roma em aplicar essa regra estava sujeito a muitos fatores, entre os quais o fato de o incidente valer ou não - na opinião de Roma - a pena ser investigado. O apedrejamento de Estêvão pelos judeus era tecnicamente ilegal, mas os romanos não tinham interesse no assunto e os líderes do templo em Jerusalém achavam, com razão, que Roma não responderia. Jesus, por outro lado, havia chamado a atenção de muitas pessoas poderosas, e os judeus não se aventurariam a violar a lei romana executando Jesus por conta própria.

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