Pergunta
Por que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os tipos de males?
Resposta
O apóstolo Paulo, em sua primeira carta ao seu jovem discípulo Timóteo, disse o seguinte "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e atormentaram a si mesmos com muitas dores" (1 Timóteo 6:10). Esse versículo é muitas vezes citado erroneamente como se dissesse: "O dinheiro é a raiz de todos os males". Observe como "dinheiro" é substituído por "amor ao dinheiro" e "a raiz de todos os males" é substituído por "uma raiz de todos os tipos de males". Essas mudanças, embora sutis, têm um enorme impacto no significado do versículo.
A versão citada erroneamente ("o dinheiro é a raiz de todos os males") faz do dinheiro e da riqueza a fonte (ou raiz) de todos os males do mundo. Isso é claramente falso. A Bíblia deixa bem claro que o pecado é a raiz de todos os males do mundo (Mateus 15:19; Romanos 5:12; Tiago 1:15). Entretanto, quando refletimos sobre a citação correta desse versículo, vemos que é o amor ao dinheiro, e não o dinheiro em si, que é a fonte de todos os diferentes tipos de problemas e males. A riqueza é moralmente neutra; não há nada de errado com o dinheiro, por si só, ou com a posse do dinheiro. Entretanto, quando o dinheiro começa a nos controlar, é aí que os problemas começam.
Dito isso, vamos considerar a questão que temos diante de nós: Por que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os tipos de males? Para nos ajudar a responder a essa pergunta, devemos analisar a passagem em seu contexto mais amplo. Perto do final da carta (1 Timóteo 6:2-10), Paulo está exortando Timóteo quanto à necessidade de "ensinar e exortar estas coisas" à sua congregação, "estas coisas" referindo-se ao material anterior da epístola. Paulo então adverte Timóteo sobre os falsos mestres que procurarão distorcer e perverter o conteúdo da sã doutrina para seu próprio ganho ganancioso (versículos 3-5). Agora, observe o que o apóstolo diz no final do versículo 5: "imaginando que a piedade é um meio de lucro". Esses falsos mestres fazem o que fazem pela fama e notoriedade que alcançam, juntamente com as recompensas financeiras que isso traz.
Paulo quer desviar Timóteo dessa armadilha. Ao fazer isso, ele lhe diz qual é a verdadeira fonte de "grande lucro", ou seja, a piedade com verdadeiro contentamento (versículo 6). O contentamento, em um sentido bíblico, é o reconhecimento de que viemos ao mundo sem nada e que tudo o que temos é um presente das mãos de Deus (versículos 7-8). No entanto, aqueles que desejam ser ricos (ou seja, aqueles que têm o "amor ao dinheiro") são os que são levados à tentação e caem em um laço (versículo 9). Paulo conclui a passagem dizendo a Timóteo que o amor ao dinheiro leva a todo tipo de pecado e maldade.
Uma simples reflexão sobre esse princípio confirmará que ele é verdadeiro. A ganância leva as pessoas a fazerem todo tipo de coisa que normalmente não fariam. Assista a qualquer série de dramas de tribunal na TV, e o crime em questão geralmente é motivado por ciúme ou ganância, ou ambos. O amor ao dinheiro é o que motiva as pessoas a mentir, roubar, trapacear, jogar, desviar dinheiro e até mesmo assassinar. As pessoas que amam o dinheiro não têm a piedade e o contentamento que são o verdadeiro ganho aos olhos de Deus.
Mas a Bíblia faz uma declaração ainda mais forte sobre o amor ao dinheiro. O que discutimos até agora simplesmente descreve o nível horizontal do amor ao dinheiro. Em outras palavras, mencionamos apenas como o amor ao dinheiro pode levar uma pessoa a cometer pecados maiores contra os seus semelhantes. Mas a Bíblia deixa bem claro que todo pecado é, em última análise, contra o caráter santo de Deus (Salmo 51:5). Precisamos considerar a dimensão vertical do amor ao dinheiro.
No Sermão da Montanha, Jesus disse: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou irá odiar um e amar o outro, ou irá se dedicar a um e desprezar o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas" (Mateus 6:24). Esse versículo vem no final de uma passagem em que Jesus nos diz para "ajuntar tesouros no céu" (v. 19). Aqui, Jesus compara o "amor ao dinheiro" à idolatria. Ele se refere ao dinheiro como um "mestre" a quem servimos em detrimento de servir a Deus. Deus nos ordenou que não tivéssemos "outros deuses" diante do único Deus vivo e verdadeiro (Êxodo 20:3; o primeiro mandamento). Qualquer coisa que ocupe o primeiro lugar em nossas vidas que não seja o nosso Deus Criador é um ídolo e nos torna culpados de violar o primeiro mandamento.
Jesus tinha muito a dizer sobre riqueza. Sua conversa mais memorável sobre dinheiro é o encontro com o jovem rico (Mateus 19:16-30). O jovem pergunta a Jesus o que ele deve fazer para obter a vida eterna, e Jesus lhe diz para seguir os mandamentos. Quando o homem diz a Jesus que já fez tudo isso, Jesus testa a sua capacidade de obedecer ao primeiro mandamento e lhe diz para vender todos os seus bens, dar aos pobres e segui-lo. O jovem não podia fazer isso; sua riqueza havia se tornado um ídolo - era o seu mestre!
Depois desse encontro, Jesus se volta para os discípulos e diz: "Em verdade lhes digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E ainda lhes digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" (Mateus 19:23-24). Essa é uma frase difícil, especialmente para as pessoas do século XXI que vivem na América do Norte. Jesus está dizendo que a riqueza é um dos maiores obstáculos para se chegar à fé em Cristo. O motivo é óbvio: a riqueza se torna um senhor de escravos em nossa vida e nos leva a fazer todo tipo de coisa que nos afasta cada vez mais de Deus. A boa notícia é que o que é impossível para o homem, entrar no Reino de Deus, é possível para Deus (Mateus 19:26).
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