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Pergunta

De onde veio a expressão "ame o seu próximo e odeie o seu inimigo" (Mateus 5:43)?

Resposta


Em Mateus 5:43, Jesus desafia um ensinamento comum de Sua época: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo'". Esse versículo aparece no Sermão da Montanha, onde Jesus reinterpreta muitos ensinamentos conhecidos e eleva as expectativas morais de Seus seguidores. Mas de onde veio o ditado "Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo"?

A primeira parte desse ensinamento, "Ame o seu próximo", tem origem direta no Antigo Testamento. Em Levítico 19:18, Deus ordena: "Não procure vingança, nem guarde ira contra os filhos do seu povo, mas ame o seu próximo como você ama a si mesmo. Eu sou o Senhor." Esse mandamento foi fundamental para a vida ética do antigo Israel e moldou grande parte da instrução moral na sociedade judaica.

Em seu contexto original, o termo "próximo" era geralmente entendido como "companheiro israelita" ou "membro da comunidade do convênio". O mandamento de amar o próximo como a si mesmo era um chamado para buscar o bem-estar dos outros dentro da identidade religiosa e nacional compartilhada de Israel. O mandamento era claro: em vez de guardar rancor ou buscar vingança, as pessoas eram chamadas a estender o amor, a compaixão e a justiça a seus companheiros israelitas.

Há vislumbres no Antigo Testamento de que a ideia de amor ao próximo foi ampliada. Por exemplo, em Levítico 19:34, Deus ordena: "Tratem o estrangeiro que peregrina entre vocês como tratam quem é natural da terra; amem o estrangeiro como amam a vocês mesmos, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito". Essa ordem amplia a definição de próximo para incluir até mesmo aqueles que estão fora da comunidade do convênio de Israel, especialmente os vulneráveis ou marginalizados.

No entanto, na época de Jesus, muitos em Israel interpretavam o próximo de forma mais restrita, excluindo estrangeiros, gentios ou inimigos percebidos. Essa interpretação limitada tornava mais fácil justificar a hostilidade ou o ódio contra aqueles que não faziam parte de seu grupo.

Ao contrário da ordem de "amar o próximo", não há nenhuma ordem explícita no Antigo Testamento para "odiar o inimigo". Entretanto, a história tumultuada de Israel pode ter contribuído para uma atitude de ódio contra os inimigos. Os israelitas estavam frequentemente em guerra com as nações vizinhas, e alguns textos do Antigo Testamento descrevem ações que parecem severas pelos padrões modernos. Por exemplo, em Deuteronômio 7:2, Deus instrui Israel a destruir as nações cananeias e a não ter misericórdia delas. Essas passagens se concentravam na preservação da santidade de Israel e podem ter influenciado uma mentalidade que via os inimigos com desprezo e ódio.

Além disso, alguns salmos expressam uma forte reação emocional em relação aos inimigos de Deus. No Salmo 139:21-22, Davi escreve: "Acaso não odeio os que te odeiam, Senhor? E não desprezo os que se levantam contra ti? Eu os detesto com ódio completo; para mim são inimigos de fato." Esse salmo reflete a intensidade da justa indignação contra aqueles que se opõem a Deus e pode ter dado origem ao ensinamento de que o ódio contra inimigos pessoais era justificado.

Embora esses textos do Antigo Testamento expressem uma linguagem forte sobre os inimigos, eles não são comandos para nutrir ódio pessoal. Em vez disso, eles refletem momentos da história de Israel ou atitudes específicas em relação aos inimigos de Deus. No entanto, com o passar do tempo, alguns professores e intérpretes judeus podem ter interpretado essas ideias como se o ódio aos inimigos fosse permissível ou até mesmo virtuoso, especialmente em contraste com o mandamento de amar os companheiros israelitas.

Em Mateus 5:43-44, Jesus reconhece essa crença comum: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês." Aqui, Jesus subverte completamente as normas aceitas em Sua época. Em vez de limitar o amor à comunidade imediata e permitir o ódio aos inimigos, Jesus ordena um amor revolucionário que se estende até mesmo àqueles que se opõem a nós ou nos prejudicam.

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