Pergunta
Quem é o rei do Norte em Daniel 11?
Resposta
O "rei do Norte" mencionado em Daniel 11 é, na verdade, uma série de reis gregos na Síria da dinastia selêucida. A Síria fica ao norte de Israel, portanto o rei da Síria é o "rei do Norte". O Egito fica ao sul de Israel, portanto, a série de reis egípcios da dinastia ptolomaica é o "rei do sul" nessa passagem.
Nos capítulos que antecedem Daniel 11, Deus revela que Israel será restaurado; no entanto, Ele também fala a Daniel sobre um período de grandes problemas para Israel. O tempo previsto em Daniel 11 ocorreu durante o que é conhecido como Período Intertestamentário - os cerca de 400 anos entre o final do Antigo Testamento e o início do Novo. Não houve livros canônicos escritos durante esse período, mas os livros apócrifos de 1 e 2 Macabeus registram a história desse período. As informações em Daniel 11 são tão precisas que os estudiosos seculares postulam que se trata de profecia ex eventu, ou seja, profecia "após o fato", o que não seria realmente uma profecia.
Daniel 11 começa com um poderoso rei grego cujo reino é dividido após a sua morte. Todos concordam que se trata de Alexandre, o Grande, que morreu em 323 a.C. no auge da vida e cujo império foi dividido entre seus quatro generais. Um desses generais, Ptolomeu, tomou uma área ao sul de Israel que incluía o Egito. Outro general, Seleuco, assumiu o controle de uma área ao norte de Israel que incluía a Síria. Daniel 11 abrange centenas de anos, portanto, os reis do Norte e do Sul não são indivíduos isolados; ao contrário, são os governantes da dinastia ptolomaica (com sede no Egito) e da dinastia selêucida (com sede na Síria). Essas duas dinastias eram antagônicas entre si, e Israel foi pego no meio. O rei do Norte é o rei grego da Síria, da dinastia selêucida.
Aqui estão alguns termos-chave que devem ser lembrados:
Norte = Síria = a dinastia selêucida, que incluía vários reis com o nome de Antíoco
Sul = Egito = dinastia ptolemaica
Aqui está a profecia de Daniel 11:5-6: "O rei do Sul será forte, mas um dos seus príncipes será mais forte do que ele, e reinará, e será grande o seu domínio. Mas, depois de alguns anos, eles se aliarão um com o outro. A filha do rei do Sul casará com o rei do Norte, para estabelecer a concórdia. Ela, porém, não conservará o seu poder, e ele não permanecerá, nem manterá o seu poder. Porque ela será entregue, juntamente com os que a trouxeram, o seu pai e aquele que a tomou por sua naqueles tempos."
Cumprimento: No início, o rei selêucida na Síria ("o Norte") era súdito de Ptolomeu no Egito ("o Sul"), mas com o tempo ele se tornou mais poderoso. Portanto, o rei do Sul propôs uma aliança de casamento para unir os reinos. A princesa Berenice, do Sul, casou-se com o rei selêucida, e dessa união nasceu um filho. Mas o rei do Norte morreu repentinamente, e a esposa e a criança foram assassinadas em 246 a.C. Em vez de selar uma aliança, os dois reinos entraram em guerra.
Daniel 11:7-10: "Mas em lugar dele se levantará um renovo da linhagem dela, que avançará contra o exército do rei do Norte, entrará na sua fortaleza, lutará contra eles e prevalecerá. Também levará como despojo para o Egito os deuses deles, as suas imagens fundidas e os seus objetos preciosos de prata e de ouro. Por alguns anos, ele deixará o rei do Norte em paz. Depois, este avançará contra o reino do rei do Sul, mas voltará para a sua terra. Os seus filhos farão guerra e reunirão um grande exército. Um deles virá apressadamente, arrasará tudo e passará adiante; e, voltando, levará a guerra até a fortaleza do rei do Sul."
Cumprimento: O irmão da princesa Berenice, o rei do Egito, realizou uma campanha militar bem-sucedida contra o Norte em 245-241 a.C. Mais tarde, o reino sírio do norte tentou retaliar e até tentou invadir o Egito.
Daniel 11:11-13: "Então o rei do Sul ficará furioso e sairá para atacar o rei do Norte. Este reunirá um grande exército, que será entregue nas mãos do rei do Sul. O grande exército será levado, e o coração do rei do Sul se exaltará; ele derrubará muitos milhares, porém não prevalecerá. Porque o rei do Norte voltará, e reunirá um exército ainda maior do que o primeiro, e, depois de alguns anos, virá com um grande exército e abundantes provisões."
Cumprimento: A Síria foi derrotada pelo Egito em 217 a.C.; o rei greco-egípcio do Sul matou cerca de um quinto das forças sírias, mas a vitória durou pouco, pois a Síria invadiu novamente com uma força maior e foi bem-sucedida.
Daniel 11:14-16: "Naqueles tempos, muitos se levantarão contra o rei do Sul. Também os violentos do seu povo, ó Daniel, se levantarão para cumprirem a visão, mas serão derrotados. O rei do Norte virá, levantará rampas de ataque e tomará cidades fortificadas. As forças do Sul não poderão resistir. Nem mesmo os melhores soldados terão forças para resistir. O invasor fará o que bem quiser, e não haverá quem lhe possa resistir. Ocupará a terra gloriosa, e tudo estará em suas mãos."
Cumprimento: Israel estava inicialmente sob o domínio mais tolerante dos reis ptolomaicos do sul. Mas com a vitória da Síria, o controle de Israel passou para o rei selêucida do norte em 200 a.C. Alguns israelitas apoiaram os selêucidas contra os ptolomeus, considerando-os opressores. Havia divisões e facções em Israel, pois as pessoas tomavam lados diferentes. Jerusalém, a "cidade fortificada", tinha tropas egípcias (do sul) estacionadas lá, e elas foram derrotadas pelo rei do norte.
Daniel 11:17-19: "Resolverá vir com a força de todo o seu reino e entrará em acordo com o rei do Sul. Ele lhe dará uma filha em casamento, para destruir o reino do Sul, mas isto não vingará, nem será para a sua vantagem. Depois, se voltará para as terras do mar e tomará muitas delas. Mas um príncipe porá fim à arrogância dele e fará com que pague por isso. Então voltará para as fortalezas da sua própria terra, mas tropeçará e cairá, para nunca mais ser achado."
Cumprimento: Os reinos rivais tentaram outra aliança matrimonial. A filha do rei selêucida (do norte) casou-se com o rei ptolomaico (do sul) em 193 a.C. O plano não era realmente construir uma aliança, mas minar o rei do Sul, pois a filha seria uma agente de seu pai. Entretanto, após o casamento, a lealdade da rainha mudou para o marido. Como o subterfúgio não funcionou, o rei selêucida do norte atacou várias ilhas gregas e parte da Ásia Menor, apesar de ter sido avisado pelos romanos para não entrar na Grécia. Os romanos o atacaram e o derrotaram nas Termópilas em 191 a.C. O rei do Norte foi humilhado e obrigado a pagar tributo a Roma.
Daniel 11:20: "Depois, se levantará em lugar dele um que fará passar um arrecadador de impostos pela glória do reino; mas, em poucos dias, será destruído, e isso sem ira nem batalha."
Cumprimento: O sucessor selêucida estava preocupado em conseguir dinheiro para satisfazer Roma. A sua tentativa de saquear o templo em Jerusalém para conseguir dinheiro para o tributo não teve sucesso. Esse rei teve um reinado curto e sem consequências.
Isso nos leva a Antíoco IV Efifanes, um dos reis mais notórios e brutais do Norte.
Daniel 11:21-24 parece ser um resumo do reinado de Antíoco IV, e o versículo 25 começa a dar detalhes específicos, mas não necessariamente em ordem cronológica.
Daniel 11:21-24: "Depois, se levantará em seu lugar um homem desprezível, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá de surpresa e tomará o reino, com intrigas. Exércitos serão arrasados diante dele; serão esmagados, inclusive o príncipe da aliança. Apesar da aliança com ele, usará de engano; subirá e se tornará forte com pouca gente. Virá também de surpresa aos lugares mais férteis da província e fará o que nunca fizeram os seus pais, nem os pais de seus pais: repartirá entre eles a presa, os despojos e os bens; e fará os seus planos contra as fortalezas, mas só por certo tempo."
Cumprimento: Antíoco Epífanes não era um herdeiro legítimo do trono, mas conseguiu reunir um exército e assumir o trono pela força em 187 a.C. Ele era um bandido e um louco com uma vingança especial contra Jerusalém. Ele foi o responsável pelo assassinato do sumo sacerdote. Embora tenha adotado o nome Epifanes ("Deus manifesto"), alguns o chamavam de "Epimanes" ("louco").
Daniel 11:25-28: "Despertará a sua força e a sua coragem contra o rei do Sul, à frente de grande exército. O rei do Sul sairá à batalha com um grande e poderoso exército, mas não prevalecerá, porque farão planos contra ele. Os que comerem as finas iguarias dele o destruirão, o exército dele será arrasado, e muitos serão mortos. Também estes dois reis se empenharão em fazer o mal e, sentados à mesma mesa, falarão mentiras. Porém isso não prosperará, porque o fim virá no tempo determinado. Então o rei do Norte voltará para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será contra a santa aliança; fará o que quiser e depois voltará para a sua terra."
Cumprimento: Antíoco invadiu o Egito em 169 a.C. O jovem e inexperiente rei do Egito, confiando em conselheiros inadequados, foi derrotado. Nas negociações, nenhum dos dois reis era honrado. Antíoco deixou o Egito como vencedor. Ao voltar para casa, ele saqueou o templo de Jerusalém, colocou uma guarnição lá e contaminou o templo sacrificando animais impuros. No Novo Testamento, as descrições da "Besta" lembram as ações de Antíoco Epífanes.
Daniel 11:29-30: "No tempo determinado, voltará a atacar o Sul, mas desta vez não será como foi na primeira vez, porque virão contra ele navios de Quitim. Contrariado, ele voltará e se indignará contra a santa aliança, e fará o que quiser. E, tendo voltado, dará atenção aos que abandonaram a santa aliança."
Cumprimento: Antíoco voltou para casa, mas logo decidiu invadir o sul novamente. Ele foi interceptado pelos romanos, que lhe disseram para "cessar e desistir". Ele não teve escolha a não ser obedecer, mas o incidente o humilhou e pareceu deixá-lo mais determinado a praticar a violência em outros lugares.
Daniel 11:31-32: "Forças enviadas por ele profanarão o santuário e a fortaleza, acabarão com o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora. Com lisonjas, perverterá aqueles que violaram a aliança, mas o povo que conhece o seu Deus se tornará forte e ativo."
Cumprimento: Na tentativa de saquear o templo pela segunda vez, Antíoco tentou comprar as autoridades judaicas e interrompeu os sacrifícios diários. Dessa vez, porém, ele enfrentou a resistência dos judeus. A Revolta Macabeia ocorreu em 167 a.C.
Daniel 11:33-35: "Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo. Ao caírem, receberão uma pequena ajuda; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e limpos, até o tempo do fim, porque se dará ainda no tempo determinado."
Cumprimento: A revolta contra Antíoco teve sucesso misto e apoio misto entre a população judaica, com alguma ajuda de Roma, que mais tarde se tornou uma potência ocupante.
Daniel 11:36-39 parece recapitular o reinado de Antíoco: "Este rei fará o que quiser, se levantará, e se engrandecerá sobre tudo o que se chama deus. Falará coisas incríveis contra o Deus dos deuses e será bem-sucedido, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito. Não terá respeito aos deuses dos seus pais, nem ao deus que as mulheres preferem, nem a qualquer deus, porque se engrandecerá acima de tudo. Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas; a um deus que os seus pais não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e objetos de valor. Com o auxílio de um deus estranho, atacará as mais poderosas fortalezas, e aos que o reconhecerem, multiplicará a honra, e os fará reinar sobre muitos, e lhes repartirá a terra por um preço."
Cumprimento: Antíoco fez tudo o que quis. Ele até se autoproclamou um deus ao usar o título Epifanes. Ele escolheu o sábado como dia de adoração. Ele foi muito além de seus antecessores em termos de arrogância. Ele não se baseou nos deuses pagãos, mas em seu próprio poder financeiro e militar.
Daniel 11:40-45 tem sido um pouco problemático. Esses versículos não seguem o que sabemos sobre Antíoco. A solução cética é que o autor de Daniel estava vivo durante o reinado de Antíoco (escrevendo a pseudoprofecia depois que os eventos aconteceram), portanto, ele conseguiu acertar tudo até certo ponto, e os versículos finais são apenas a sua previsão do que estava por vir, e ele errou. Entretanto, para aqueles que consideram a Bíblia a Palavra de Deus com autoridade, essa visão é inaceitável.
Daniel 11:40-45: "No tempo do fim, o rei do Sul lutará contra ele, e o rei do Norte arremeterá contra ele com carros de guerra, cavaleiros e com muitos navios, e entrará nas suas terras, e as inundará, e passará. Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas Edom, Moabe e as primícias dos filhos de Amom escaparão do seu poder. Estenderá a sua mão contra as terras, e nem mesmo a terra do Egito escapará. Tomará posse dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do Egito; os líbios e os etíopes o seguirão. Mas será perturbado por rumores vindos do Oriente e do Norte e sairá com grande furor, para destruir e exterminar muitos. Armará as suas tendas palacianas entre o mar e o glorioso monte santo. Mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra."
Cumprimento: Não há dúvida de que o foco do capítulo 11 é Antíoco Epífanes, mas ele é apenas um rei do Norte entre muitos. Depois de sua época, ainda havia um rei do Sul e um rei do Norte, e é comum que a profecia faça um telescópio dos eventos, atingindo apenas os pontos altos. Muitos acreditam que esse parágrafo final se refere a um último rei do Norte que superará até mesmo Antíoco em seu orgulho e blasfêmia. Essa pessoa será o Anticristo final no fim da história ("no tempo do fim"). Nesse cenário, a identidade específica dos dois reis ainda está para ser revelada.
Outros consideram que os eventos registrados em Daniel 11:40-45 se referem ao sucessor de Antíoco (Antíoco V) e ao fim do Império Grego. Os romanos, que conquistaram a Síria, tornaram-se o novo "rei do Norte" e depois derrotaram o rei grego no Egito (o rei do Sul) e o resto do mundo mediterrâneo, destruindo o templo em Jerusalém no ano 70 d.C. No entanto, até mesmo o poderoso Império Romano caiu e não pôde ser ajudado. Outros ainda veem um cumprimento duplo: a profecia se refere tanto aos eventos dos anos anteriores a Cristo quanto aos eventos do final dos tempos, antes de Sua segunda vinda.
Daniel 12 continua a telescopar os eventos até o final da história, a ressurreição e o julgamento final.
Mais uma vez, o rei do Norte é o rei governante da Síria, seja ele quem for em um determinado momento, e não um indivíduo específico. Se os versículos finais de Daniel 11 se referem ao ainda futuro "fim dos tempos", então a identidade específica desse futuro rei do Norte (a Besta ou o Anticristo) ainda está para ser revelada, e a sua sede pode ou não incluir a Síria.
English
Quem é o rei do Norte em Daniel 11?
