Pergunta
Quem eram Ratramno e Radberto?
Resposta
Ratramno e Radberto foram dois monges medievais cujos escritos conduziram à controvérsia eucarística do século XI. Pascásio Radberto foi um monge francês que se tornou abade do mosteiro de Corbie, na França, em 844. Ele escreveu um livro em 831 chamado Sobre o Corpo e o Sangue de Cristo, que afirmava que os elementos consumidos durante a Eucaristia (a Ceia do Senhor) são os mesmos do corpo físico de Cristo tal como Ele apareceu na Terra. Radberto posteriormente revisou o seu livro e o apresentou como um presente ao rei Carlos II (Carlos, o Calvo), rei da França e imperador do Sacro Império Romano. Após ler o livro, o rei Carlos teve dúvidas sobre ele e consultou outro monge em Corbie chamado Ratramno. A resposta de Ratramno colocou os dois monges em desacordo teológico e vinculou para sempre seus nomes em referência ao que mais tarde seria conhecido como a doutrina católica da transubstanciação.
Radberto sustentava que Cristo pode estar presente em milhares de lugares ao mesmo tempo através dos sacramentos, porque Deus "cria diariamente a carne e o sangue de Cristo por um poder invisível através da santificação do seu sacramento, embora exteriormente não seja compreendido nem pela visão nem pelo paladar" (Sobre o Corpo e o Sangue de Cristo, III.4). Radberto ensinava que o pão e o vinho não são meramente simbólicos do corpo e do sangue de Cristo, mas são partes do corpo humano real que abrigou o Filho de Deus enquanto esteve na Terra. Apesar de não haver fundamento bíblico para sua afirmação, Radberto declarou que, após a consagração por um sacerdote, os elementos se tornam "nada mais do que a carne e o sangue de Cristo" (I.2).
Quando Ratramno considerou as alegações de Radberto, ele discordou e respondeu com um livro próprio: Sobre o Corpo e o Sangue do Senhor. Nele, Ratramno refutou a ideia de que o pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue reais e físicos de Cristo. Ratramno sustentava que os elementos são, na verdade, o corpo e o sangue espirituais de Cristo — Cristo está misticamente presente nos elementos. O debate continuou acalorado, prolongando-se além da vida dos dois monges, até o século XI e além.
A visão de Ratramno, conforme promulgada por Berengário de Tours, foi rejeitada no Concílio de Vercelli (1050), e o livro de Ratramno foi condenado à destruição. Posteriormente, o Sínodo de Latrão de 1059 condenou Ratramno. A doutrina de Radberto foi formalmente introduzida e aceita pelo Quarto Concílio de Latrão em 1215, e a transubstanciação tornou-se dogma católico oficial. Radberto foi até mesmo canonizado pela Igreja Católica Romana. As opiniões de Ratramno influenciaram a compreensão de alguns reformadores sobre a Ceia do Senhor, particularmente a visão que ficou conhecida como consubstanciação. Embora as opiniões de Ratramno fossem muito mais bíblicas do que as de Radberto, suas crenças ainda estavam impregnadas de conceitos metafísicos não encontrados na Bíblia.
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