Pergunta
Qual é o significado de Ramá na Bíblia?
Resposta
Ramá é o nome de várias cidades diferentes na Bíblia. Ramá de Aser é uma aldeia perto da fronteira norte de Aser, na região de Tiro (Josué 19:29). Ramá de Naftali é uma aldeia atribuída à tribo de Naftali (Josué 19:36). Ramá de Aser e Ramá de Naftali podem ter sido a mesma comunidade, uma vez que as fronteiras de Aser e Naftali eram contíguas. Ramá de Benjamim é uma cidade atribuída à tribo de Benjamim, perto de onde Débora governava como juíza sobre Israel (Juízes 4:5). E Ramá de Simeão (também chamada Ramá do Neguebe) é uma aldeia no deserto do Neguebe atribuída à tribo de Simeão (Josué 19:8). O rei Davi uma vez deu presentes ao povo de lá com os despojos da guerra, após derrotar com sucesso os amalequitas (1 Samuel 30:27).
Ramá significa “altura” ou “alto” e é frequentemente aplicado a fortalezas militares. Ramá de Benjamim desempenha o papel mais proeminente na narrativa bíblica. Ramá de Benjamim, situada a cerca de oito quilômetros ao norte de Jerusalém e a oeste de Geba e Micmás, é associada hoje à moderna er-Ram. Essa Ramá foi o local de nascimento, cidade natal e local de sepultamento do profeta Samuel (1 Samuel 1:1, 19–20; 25:1). O livro de 1 Samuel situa Ramá na região montanhosa de Efraim — um vasto território montanhoso que compreende as terras tribais de Efraim, Benjamim e Manassés.
Débora, a única juíza de Israel, estabeleceu sua sede em um local próximo a Ramá de Benjamim: “Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel vinham até ali para apresentar as suas questões” (Juízes 4:5). A proximidade de Ramá com Gibeá, cidade natal do rei Saul (1 Samuel 10:26), tornou-a o refúgio ideal para Davi quando fugiu de Saul para se encontrar com Samuel (1 Samuel 19:18-19).
Ramá de Benjamim aparece novamente durante a monarquia dividida e os reinos rivais de Israel e Judá. O rei Baasa de Israel construiu uma fortaleza em Ramá, em Benjamim, para impedir que as pessoas entrassem ou saíssem de Judá. Mas o rei Asa, que governava em Judá na época, fez uma aliança com Ben-Hadade de Damasco, rei da Síria. Quando Baasa soube que Ben-Hadade havia atacado e conquistado cidades em Israel, ele parou de fortificar Ramá e partiu para Tirza. Asa então desmantelou a fortaleza de Baasa em Ramá (1 Reis 15:17-22).
Ramá de Benjamim é mencionada algumas vezes nos livros proféticos. Isaías 10:29 conta como os assírios avançariam em direção a Jerusalém passando por Ramá. Essa mesma Ramá é uma das cidades que soou um alerta no clamor de julgamento de Oséias contra Israel (Oséias 5:8). E depois que Jeremias foi preso e mais tarde jogado em uma cisterna pelo rei Zedequias, ele foi levado para Ramá e libertado (Jeremias 40:1). Quando os cativos retornaram do exílio na Babilônia, Ramá de Benjamim está listada entre os lugares onde os judeus se estabeleceram (Esdras 2:26; Neemias 7:30).
O local do sepultamento de Raquel, esposa de Jacó, também está associado a esta Ramá. Raquel morreu ao dar à luz seu filho Benjamim e foi sepultada perto de Belém. Jacó marcou o seu túmulo com um grande pilar (Gênesis 35:20). Mais tarde, Raquel é mencionada em uma passagem de lamentação: “Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem” (Jeremias 31:15). Falando da situação difícil dos exilados hebreus, o profeta retrata Raquel chorando por seus “filhos”. Ramá, uma cidade no território do filho de Raquel, Benjamim, era, na verdade, povoada por seus descendentes. No Novo Testamento, Mateus aplica as palavras de Jeremias ao pranto em Belém quando Herodes massacrou as crianças lá após o nascimento de Cristo (Mateus 2:17-18). É a única vez que Ramá é mencionada no Novo Testamento.
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