Pergunta
Quem foram os ptolomeus e os selêucidas e qual foi o impacto que tiveram na história bíblica?
Resposta
Os ptolomeus e os selêucidas foram dinastias que surgiram após a morte de Alexandre, o Grande (356—323 a.C.), durante os séculos entre o Antigo e o Novo Testamento. Ambas as dinastias desempenharam papéis fundamentais na região em torno da Judeia, na terra de Israel. Os ptolomeus governaram o Egito, ao sul da Judeia, por cerca de 275 anos (305—30 a.C.). Eles controlaram a Judeia por volta de 301–200 a.C. Os selêucidas governaram a Síria, ao norte da Judeia, por cerca de 250 anos (312—63 a.C.). Eles controlaram a Judeia por volta de 200—142 a.C.
Houve cerca de 400 anos entre o fim da era do Antigo Testamento e o início da era do Novo Testamento. A Grécia, liderada por Alexandre, o Grande, transformou grande parte da região do Mediterrâneo. Em seu auge, Alexandre, o Grande, governou terras que iam da Índia, a leste, até a Grécia, a oeste, e do Egito, ao sul, até a atual Turquia, ao norte. Assim, ele governou a maior parte do atual Oriente Médio antes de morrer aos 33 anos.
Após a morte de Alexandre, quatro de seus generais assumiram a liderança de várias partes de seu império. Cassandro, que governou a Macedônia e a Grécia a oeste, e Lisímaco, que governou a Trácia e a atual Turquia ao norte, tiveram menor impacto na história bíblica. No entanto, Ptolomeu I Soter, que governou o Egito ao sul, e Seleuco I Nicátor, que governou a Síria e os outros territórios a leste, tiveram um impacto maior.
Conhecer as figuras-chave e os eventos do período entre os testamentos, como os ptolomeus e os selêucidas, ajuda os leitores da Bíblia a compreender o contexto do Novo Testamento. Embora Malaquias seja o último livro do Antigo Testamento, Neemias registra os anos finais desse período. No livro, Neemias lidera os judeus que retornam do exílio para reconstruir Israel. Esse retorno ocorreu sob a supervisão regional do Império Persa. A história do Antigo Testamento termina aqui.
No entanto, quando a história do Novo Testamento começa, a Pérsia já não governa a região, incluindo a Judeia. O Império Romano está no comando, e sua presença é evidente desde as primeiras histórias dos Evangelhos. Contudo, o Império Romano não sucedeu o Império Persa na história. Em vez disso, nos anos entre os testamentos, o Império Grego substituiu o Império Persa. Depois disso, o Império Romano substituiu o Império Grego. Assim, o Antigo Testamento termina sob o domínio persa, e o Novo Testamento começa sob o domínio romano.
Embora o Império Romano tenha substituído o Império Grego, ele não apagou as influências culturais gregas em toda a região. A difusão da cultura grega — chamada helenização, da palavra grega hellēn, que significa “grego” — provou ser duradoura. A helenização é evidente em todo o Novo Testamento. Por exemplo, o grego é a língua original de todos os 27 livros do Novo Testamento. Além disso, a cultura grega é evidente em histórias que abordam religião, governo e educação. Os ptolomeus e os selêucidas contribuíram para a helenização que continuou durante o Império Romano.
O livro de Daniel prediz o reinado de Alexandre e a eventual divisão do império. Uma das profecias se refere a Alexandre como “o grande chifre”. Essa imagem simbólica retrata o poderio militar de Alexandre: “O bode peludo é o rei da Grécia, e o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei” (Daniel 8:21). Daniel também prediz a divisão do império em quatro partes, que incluíam os ptolomeus e os selêucidas. Chamando-os de “reinos”, Daniel escreve: “O fato de o chifre ter sido quebrado, levantando-se quatro chifres em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com força igual à que ele tinha” (Daniel 8:22). Daniel 7:6 e Daniel 11:3–4 também são profecias que se referem a Alexandre e seus sucessores.
Tanto o reinado dos ptolomeus quanto o dos selêucidas terminaram antes do nascimento de Jesus Cristo. Os ptolomeus caíram em 30 a.C., quando o Egito passou a fazer parte do Império Romano. Os selêucidas chegaram ao fim em 64 a.C., quando a Síria ficou sob domínio romano. O Novo Testamento não menciona nenhuma das dinastias pelo nome. No entanto, Jesus ensinou sobre “a abominação da desolação” (Mateus 24:15; Marcos 13:14), um evento que aguarda o seu cumprimento final nos últimos tempos. Contudo, em 167 a.C., o governante selêucida Antíoco IV Epifânio prenunciou o evento futuro ao profanar o templo. Jesus também celebrou a Festa da Dedicação (João 10:22), comumente chamada de Hanukkah. Este dia santo relembra a rededicação do templo após Antíoco tê-lo violado.
Dessa forma, os ptolomeus e os selêucidas desempenham um papel na história bíblica.
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Quem foram os ptolomeus e os selêucidas e qual foi o impacto que tiveram na história bíblica?
