Pergunta

Qual é o significado de vãs sutilezas em Colossenses 2:8?

Resposta
O apóstolo Paulo acreditava que a igreja de Colossos estava sendo atacada. Os crentes de lá corriam o risco de serem capturados e arrastados para longe de sua genuína devoção a Jesus Cristo pelas filosofias enganosas e pelas ideias grandiosas dos falsos mestres: "Tenham cuidado para que ninguém venha a enredá-los com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo" (Colossenses 2:8).

O significado de vãs sutilezas, uma expressão pouco familiar ao ouvido moderno, é transmitido em traduções mais recentes como "argumentos sem valor" (NTLH) e "filosofias vãs e enganosas" (NVI). O termo vão (mataios, em grego) significa "vazio, vago, inútil, infrutífero e desprovido de significado, ponto ou benefício". Os falsos mestres estavam espalhando mentiras perigosas e filosofias enganosas, mas, para os crentes colossenses, as ideias pareciam atraentes. A decisão de Paulo foi que tudo isso era besteira. Seus ensinamentos muito alardeados eram conceitos infrutíferos, inúteis e enganosos que não tinham nenhum conteúdo real. Sem um sólido alicerce na verdade da Palavra de Deus, os cristãos podem ser rapidamente cativados pelos enganos vãos (ou bobagens que soam bem) das falsas religiões. Aqueles que abraçam enganos vazios correm o risco de serem espiritualmente sequestrados e levados para longe da supremacia absoluta de Jesus Cristo.

Paulo fez uma advertência semelhante à igreja de Éfeso: "Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência" (Efésios 5:6). As palavras vazias, ocas e enganosas dos falsos mestres entram em conflito flagrante com a verdade de Jesus Cristo, em quem "habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses 2:9; veja também Colossenses 1:19). Com enganos vazios ou vãos, os falsos mestres tentam minar a divindade de Cristo e a verdade da Palavra de Deus ainda hoje.

Paulo identificou as raízes do engano vazio ou do engano vão como provenientes de duas fontes: "a tradição dos homens" e "os rudimentos do mundo". De acordo com as Escrituras, o pensamento humano e a sabedoria terrena são "loucura aos olhos de Deus" (1 Coríntios 3:19; veja também 1 Coríntios 3:20; Tiago 3:13-15). Os pensamentos de Deus são infinitamente mais elevados e sábios do que os pensamentos dos seres humanos (Isaías 55:8-9; Salmo 92:5). Os falsos mestres vomitam ideias elaboradas a partir de suas próprias mentes mortais e não da verdade exaltada da Palavra de Deus.

A palavra grega original traduzida como "rudimentos" em Colossenses 2:8 significa "um em uma série ou fileira". O termo poderia ser aplicado a sons ou letras elementares (como no ABC), aos elementos fundamentais da terra e do universo (como em 2 Pedro 3:10-12) ou a ensinamentos elementares (como em Hebreus 5:12). Uma outra aplicação do termo no mundo grego antigo estava relacionada aos "espíritos elementares do mundo", como anjos e outras forças espirituais invisíveis (consulte Colossenses 2:20). A mesma palavra estava associada à astrologia religiosa daquela época.

Assim, em Colossenses 2:8, Paulo relacionou o engano vazio ou o engano vão às forças espirituais obscuras que atuavam no mundo. Os cristãos que se envolvem com horóscopos, mapas astrais, cartas de tarô ou experimentam qualquer outra prática ocultista estão se abrindo para o engano e o cativeiro espiritual. A sabedoria de Deus não é "a sabedoria deste mundo, nem a dos poderosos desta época" (1 Coríntios 2:6). Pelo contrário, esses poderes espirituais mundanos foram desarmados, desonrados e derrotados publicamente por Cristo (Colossenses 2:15). Os crentes estão completos em Jesus, que é "o cabeça de todo poder e autoridade" (Colossenses 2:10). Se algum professor tentar acrescentar ou retirar algo da verdade simples do evangelho de Jesus Cristo, estará ensinando um engano vazio ou uma fraude vã (veja Gálatas 1:9).

Antes de o apóstolo Paulo emitir a sua advertência contra os falsos mestres, Jesus alertou os Seus seguidores sobre "falsos cristos e falsos profetas" que se levantariam, zombariam da verdade e até tentariam enganar os escolhidos de Deus (Mateus 24:23-27; veja também 2 Pedro 3:3 e Judas 1:17-18). Os cristãos devem seguir as instruções do Senhor e cuidar para que ninguém nos engane ou nos desvie do caminho (Marcos 13:5; ver também 1 João 3:7). Devemos "provar os espíritos" para ver se o que eles estão ensinando vem de Deus (1 João 4:1). A defesa mais eficaz contra o engano vazio ou o engano vão é conhecer a verdade (2 Timóteo 2:15) e apegar-se às Escrituras (1 Coríntios 15:1-4).