Pergunta

Quais são os diferentes tipos de amor mencionados na Bíblia?

Resposta
Existem pelo menos quatro palavras gregas diferentes usadas para designar o “amor”, mas nem todas elas aparecem no Novo Testamento. (Na verdade, existem mais de quatro palavras gregas para “amor”, mas geralmente são essas quatro que surgem nas discussões.)

A primeira palavra grega para “amor” é eros, que se refere ao amor romântico ou sexual. Dela deriva a palavra “erótico”. Essa palavra específica não é usada no Novo Testamento.

O segundo é storge, que se refere ao amor familiar, como o de uma mãe pelo seu bebê ou o de irmãos entre si. Ele não é usado no Novo Testamento; no entanto, o termo negativo astorgoi (“sem afeição natural”) é encontrado em 2 Timóteo 3:3, e um termo semelhante, astorgous (“sem amor pela família” na NVI e “sem afeição natural” na NAA), é encontrado em Romanos 1:31.

A terceira palavra grega para “amor”, philia, refere-se à amizade e à camaradagem. Essa palavra é frequentemente traduzida como “amigo” (aquele que é amado) no Novo Testamento. Em uma ocasião, em Romanos 12:10, o Novo Testamento utiliza a palavra composta philostorgos, que é traduzida na NIV como “amor fraternal”.

Por fim, agape é usada para se referir ao amor que Deus tem pelo mundo e que os cristãos devem imitar. Essa é a palavra para “amor” mais comumente usada no Novo Testamento. Por um tempo, pensou-se que os cristãos teriam cunhado a palavra agape para se referir a um tipo de amor divino que o mundo grego desconhecia. Mas a palavra agape já era, de fato, utilizada no Império Romano e não foi cunhada pelos cristãos para comunicar o amor de Deus.

Embora esses quatro termos expressem nuances diferentes do conceito de amor, eles não podem ser aplicados em todas as situações. Em certa época, muitas pessoas acreditavam que a língua grega possuía uma precisão quase matemática. No entanto, à medida que mais e mais manuscritos gregos antigos são descobertos (e à medida que pesquisas mais cuidadosas são realizadas), constatamos que o grego não é mais preciso do que a maioria das outras línguas. Muitas vezes, as pessoas usam as palavras de maneiras que não são tecnicamente corretas, e as definições estritas das palavras nem sempre são respeitadas.

As distinções entre os diferentes tipos de amor não se sustentam totalmente dentro do próprio Novo Testamento. Jesus diz em Lucas 6:32: “Se vocês amam aqueles que os amam, que recompensa terão? Porque até os pecadores amam aqueles que os amam.” Aqui, a palavra traduzida como “amor” é agape em todo o versículo. Como podem os pecadores demonstrar o amor de Deus uns pelos outros? O que Jesus quer dizer é que o tipo de amor que os pecadores demonstram uns pelos outros não é o amor altruísta e sacrificial que os cristãos são chamados a demonstrar. Em Lucas 7:5, o centurião é descrito como alguém que ama a nação de Israel — mais uma vez, agape é o amor mencionado aqui.

A maioria das palavras pode ter vários significados, mas o significado específico de qualquer palavra deve ser determinado pelo contexto. Os falantes de português usam a palavra “amor” de diversas maneiras, desde “Eu amo sorvete” até “Eu amo a minha esposa” e muitas outras coisas entre essas duas. Ninguém fica confuso com isso porque entendemos que tipo de amor é referido a partir do contexto. Quando agape é usada no Novo Testamento, geralmente está em conjunto com outras palavras para dar clareza quanto ao tipo de amor pretendido. Na maioria das vezes, agape é modificada pela frase tou theou (“de Deus”). A qualidade divina do agape é encontrada na frase modificadora, não apenas na palavra em si. A natureza revolucionária do amor em 1 Coríntios 13 é encontrada na descrição que dele é feita ali, não na palavra em si. O tipo de amor em questão será sempre esclarecido pelo contexto.

O cristianismo introduziu um novo tipo de amor ao mundo, mas os cristãos utilizaram palavras já existentes para explicar a natureza desse amor. O amor era expresso principalmente por meio do sacrifício de si mesmos, à imagem de Cristo, e não pela palavra agape.