Pergunta
O que é uma sala de cura? As salas de cura têm fundamento bíblico?
Resposta
Uma “sala de cura” é, simplesmente, um local dedicado à cura. Na maioria das vezes, a cura buscada vem de Deus, por meio do Espírito Santo. No entanto, também existem salas de cura dedicadas ao bem-estar holístico e à cura psíquica, onde se busca a “autocura” por meio de cristais, adivinhação, acupuntura e intervenção angelical. Como esse último tipo de cura não é, decididamente, bíblico, este artigo tratará apenas das salas de cura promovidas no âmbito do movimento carismático.
Nos primórdios do pentecostalismo, líderes como John G. Lake e Charles Parham criaram “salas de cura” com o objetivo específico de orar pelos enfermos e ministrar a cura divina. Recentemente, tem havido um ressurgimento dessas salas de cura. Hoje em dia, existe até mesmo uma Associação Internacional de Salas de Cura (IAHR).
A maioria das salas de cura fica aberta em horários específicos todas as semanas. Normalmente, uma pessoa pode entrar em uma igreja que tenha uma sala de cura, preencher um breve formulário, dirigir-se à sala de cura e aguardar a oração. Às vezes, é realizado um culto de louvor e adoração antes da abertura da sala de cura. Assim que a pessoa entra na sala de cura, outra pessoa, ou várias pessoas, oram por ela. Geralmente há música tocando para criar o clima e material sobre cura disponível para consulta ou compra. Algumas salas também disponibilizam “panos de oração” — panos sobre os quais se orou e que foram ungidos com óleo como auxílio à cura —, uma prática baseada em Atos 19:11–12. Em consonância com o ensino carismático, há uma forte ênfase em ter fé suficiente para ser curado, sendo o falar em línguas o sinal do batismo no Espírito.
A oração uns pelos outros é incentivada em toda a Escritura (1 Samuel 12:23; 1 Timóteo 2:1; Tiago 5:15–16), e não é errado orar por cura física. Aqueles que oferecem salas de cura afirmam ter grande consideração pela suficiência do sacrifício de Cristo e pela compaixão de Deus. No entanto, existem algumas crenças associadas às salas de cura que devem suscitar certa preocupação.
Primeiro, há uma interpretação incorreta de Isaías 53:5: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” Este versículo afirma claramente que o Messias seria “traspassado” por nossas transgressões — nossa violação da lei de Deus. Jesus foi “esmagado” na cruz pelo peso da ira de Deus contra o nosso pecado. Jesus foi “castigado” para nos trazer paz — a reconciliação com Deus. É a última parte do versículo, que menciona a “cura”, que é tirada completamente fora de contexto nas salas de cura. O versículo inteiro enumera as bênçãos espirituais que a morte de Jesus proporciona, e a “cura” mencionada no final do versículo não é exceção — é um remédio espiritual para a maldição do pecado, não para doenças físicas. Isaías 53:5 é citado em 1 Pedro 2:24 e, ali, o apóstolo deixa claro que a “cura” de Jesus é espiritual, levando à “justiça”.
A maioria das organizações que promovem as salas de cura acredita que a cura física imediata é garantida pela cruz de Cristo. Sua interpretação é, na melhor das hipóteses, fora de contexto e tende a perder de vista a cura definitiva que virá com o retorno de Cristo e a ressurreição. Como escreve o estudioso Douglas Moo: “A morte expiatória de Cristo proporciona a cura de todas as nossas doenças — mas nada no... Novo Testamento sugere que essa cura ocorrerá nesta vida. De fato, [...] o NT dá motivos para pensar que o triunfo sobre a doença física, assim como o triunfo sobre a morte física, não virá para a maioria dos crentes até a futura redenção do corpo” (“A Cura Divina no Evangelho da Saúde e da Prosperidade”, Trinity Journal 9, n.º 2, 1988, p. 204).
Mateus 8:17 é frequentemente citado em conjunto com Isaías 53 como parte dos benefícios da cruz. Esse versículo, que segue uma descrição do ministério de cura de Jesus, diz: “Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças”. No entanto, Mateus 8:17 especifica que a profecia se cumpriu durante a vida de Jesus — não na cruz. O fato de Jesus “carregar nossas doenças” tem a ver com a Sua vida, não com a Sua morte.
Outro sinal de alerta é a confecção e distribuição de panos de oração. Tal prática nunca é ordenada na Bíblia, nem temos qualquer exemplo de alguém fazendo isso como meio de cura. Tudo o que Atos 19:11–12 nos diz é que Deus estava agindo poderosamente em Paulo, realizando “milagres extraordinários”. Um desses “milagres extraordinários” era que aqueles que tocavam nas vestes de Paulo eram curados. As pessoas não estavam confeccionando vestimentas por conta própria; elas tocavam pedaços de roupa que Paulo usava, e Deus escolheu curá-las, da mesma forma que Jesus curou aqueles que tocaram a barra de Sua túnica (Mateus 14:36). Não temos autorização para fabricar tais relíquias por conta própria hoje em dia. Há uma razão pela qual Lucas diz que os milagres eram “extraordinários”; eles nunca tiveram a intenção de se tornarem “comuns”.
Uma terceira causa de preocupação é parte da retórica utilizada nas salas de cura. Muitos ministros de cura se descrevem como desejando “preparar a terra por meio do canto para a Sua vinda”, realizar uma “celebração alegre” e “restaurar a cidade por meio da cura”. Um problema com tais afirmações é que Jesus disse em Mateus 24:14 que é a pregação do evangelho que precede o retorno de Cristo — não o canto de hinos. Da mesma forma, a verdadeira cura de uma cidade ocorre quando as pessoas daquela cidade se arrependem do pecado e se voltam para Deus (2 Crônicas 7:14; Jonas 3:6–10).
O evangelho não deve ser reduzido a uma mensagem de cura física. O sangue de Cristo nos salva do pecado, não das enfermidades físicas. Jesus não morreu para possibilitar milagres espetaculares na igreja hoje. As “coisas maiores” que Jesus prometeu que faríamos em João 14:12 são melhor interpretadas como conquistas espirituais e o avanço mundial do evangelho por meio de nós. Afinal, a transformação espiritual de um coração renascido é um milagre maior do que qualquer cura física — o milagre espiritual dura para sempre, mas o milagre físico é apenas temporário.
Ter um espaço dedicado à oração, onde as pessoas buscam as respostas do Senhor para suas súplicas, pode ser benéfico espiritualmente, fisicamente e emocionalmente (Tiago 5:16). No entanto, devemos estar atentos a algumas das crenças e práticas das salas de cura, especialmente se o evangelho for diluído.
Nos primórdios do pentecostalismo, líderes como John G. Lake e Charles Parham criaram “salas de cura” com o objetivo específico de orar pelos enfermos e ministrar a cura divina. Recentemente, tem havido um ressurgimento dessas salas de cura. Hoje em dia, existe até mesmo uma Associação Internacional de Salas de Cura (IAHR).
A maioria das salas de cura fica aberta em horários específicos todas as semanas. Normalmente, uma pessoa pode entrar em uma igreja que tenha uma sala de cura, preencher um breve formulário, dirigir-se à sala de cura e aguardar a oração. Às vezes, é realizado um culto de louvor e adoração antes da abertura da sala de cura. Assim que a pessoa entra na sala de cura, outra pessoa, ou várias pessoas, oram por ela. Geralmente há música tocando para criar o clima e material sobre cura disponível para consulta ou compra. Algumas salas também disponibilizam “panos de oração” — panos sobre os quais se orou e que foram ungidos com óleo como auxílio à cura —, uma prática baseada em Atos 19:11–12. Em consonância com o ensino carismático, há uma forte ênfase em ter fé suficiente para ser curado, sendo o falar em línguas o sinal do batismo no Espírito.
A oração uns pelos outros é incentivada em toda a Escritura (1 Samuel 12:23; 1 Timóteo 2:1; Tiago 5:15–16), e não é errado orar por cura física. Aqueles que oferecem salas de cura afirmam ter grande consideração pela suficiência do sacrifício de Cristo e pela compaixão de Deus. No entanto, existem algumas crenças associadas às salas de cura que devem suscitar certa preocupação.
Primeiro, há uma interpretação incorreta de Isaías 53:5: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” Este versículo afirma claramente que o Messias seria “traspassado” por nossas transgressões — nossa violação da lei de Deus. Jesus foi “esmagado” na cruz pelo peso da ira de Deus contra o nosso pecado. Jesus foi “castigado” para nos trazer paz — a reconciliação com Deus. É a última parte do versículo, que menciona a “cura”, que é tirada completamente fora de contexto nas salas de cura. O versículo inteiro enumera as bênçãos espirituais que a morte de Jesus proporciona, e a “cura” mencionada no final do versículo não é exceção — é um remédio espiritual para a maldição do pecado, não para doenças físicas. Isaías 53:5 é citado em 1 Pedro 2:24 e, ali, o apóstolo deixa claro que a “cura” de Jesus é espiritual, levando à “justiça”.
A maioria das organizações que promovem as salas de cura acredita que a cura física imediata é garantida pela cruz de Cristo. Sua interpretação é, na melhor das hipóteses, fora de contexto e tende a perder de vista a cura definitiva que virá com o retorno de Cristo e a ressurreição. Como escreve o estudioso Douglas Moo: “A morte expiatória de Cristo proporciona a cura de todas as nossas doenças — mas nada no... Novo Testamento sugere que essa cura ocorrerá nesta vida. De fato, [...] o NT dá motivos para pensar que o triunfo sobre a doença física, assim como o triunfo sobre a morte física, não virá para a maioria dos crentes até a futura redenção do corpo” (“A Cura Divina no Evangelho da Saúde e da Prosperidade”, Trinity Journal 9, n.º 2, 1988, p. 204).
Mateus 8:17 é frequentemente citado em conjunto com Isaías 53 como parte dos benefícios da cruz. Esse versículo, que segue uma descrição do ministério de cura de Jesus, diz: “Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças”. No entanto, Mateus 8:17 especifica que a profecia se cumpriu durante a vida de Jesus — não na cruz. O fato de Jesus “carregar nossas doenças” tem a ver com a Sua vida, não com a Sua morte.
Outro sinal de alerta é a confecção e distribuição de panos de oração. Tal prática nunca é ordenada na Bíblia, nem temos qualquer exemplo de alguém fazendo isso como meio de cura. Tudo o que Atos 19:11–12 nos diz é que Deus estava agindo poderosamente em Paulo, realizando “milagres extraordinários”. Um desses “milagres extraordinários” era que aqueles que tocavam nas vestes de Paulo eram curados. As pessoas não estavam confeccionando vestimentas por conta própria; elas tocavam pedaços de roupa que Paulo usava, e Deus escolheu curá-las, da mesma forma que Jesus curou aqueles que tocaram a barra de Sua túnica (Mateus 14:36). Não temos autorização para fabricar tais relíquias por conta própria hoje em dia. Há uma razão pela qual Lucas diz que os milagres eram “extraordinários”; eles nunca tiveram a intenção de se tornarem “comuns”.
Uma terceira causa de preocupação é parte da retórica utilizada nas salas de cura. Muitos ministros de cura se descrevem como desejando “preparar a terra por meio do canto para a Sua vinda”, realizar uma “celebração alegre” e “restaurar a cidade por meio da cura”. Um problema com tais afirmações é que Jesus disse em Mateus 24:14 que é a pregação do evangelho que precede o retorno de Cristo — não o canto de hinos. Da mesma forma, a verdadeira cura de uma cidade ocorre quando as pessoas daquela cidade se arrependem do pecado e se voltam para Deus (2 Crônicas 7:14; Jonas 3:6–10).
O evangelho não deve ser reduzido a uma mensagem de cura física. O sangue de Cristo nos salva do pecado, não das enfermidades físicas. Jesus não morreu para possibilitar milagres espetaculares na igreja hoje. As “coisas maiores” que Jesus prometeu que faríamos em João 14:12 são melhor interpretadas como conquistas espirituais e o avanço mundial do evangelho por meio de nós. Afinal, a transformação espiritual de um coração renascido é um milagre maior do que qualquer cura física — o milagre espiritual dura para sempre, mas o milagre físico é apenas temporário.
Ter um espaço dedicado à oração, onde as pessoas buscam as respostas do Senhor para suas súplicas, pode ser benéfico espiritualmente, fisicamente e emocionalmente (Tiago 5:16). No entanto, devemos estar atentos a algumas das crenças e práticas das salas de cura, especialmente se o evangelho for diluído.