Pergunta

Se uma pessoa sai da igreja antes da bênção final, ela perde a bênção?

Resposta
A maioria das igrejas litúrgicas, senão todas, encerra o culto com uma bênção final, ou palavras de bênção retiradas das Escrituras. Essa tradição tem suas raízes na lei do Antigo Testamento (Números 6:22–27), e muitas epístolas do Novo Testamento também terminam com bênçãos (por exemplo, 1 Coríntios 16:23–24).

A ideia por trás da bênção final ao término de um culto é que Deus está abençoando o Seu povo por meio das palavras pronunciadas por um ministro do evangelho. A bênção é vista como uma declaração autorizada da intenção de Deus de abençoar os presentes. Igrejas que incluem uma bênção formal em sua liturgia geralmente a consideram um “meio de graça”; isto é, a graça de Deus é comunicada por meio do ministro para alcançar os ouvintes nos bancos.

Em algumas igrejas, os fiéis levantam a cabeça e olham para o céu durante a bênção; em outras, eles inclinam a cabeça. Algumas igrejas especificam que as mãos do ministro devem estar erguidas enquanto ele dá a bênção. Quem frequenta igrejas litúrgicas pode ficar com a impressão de que, se perder a bênção, perderá a bênção de Deus.

O problema é que o ritual de dar uma bênção não é diretamente ordenado na Bíblia. A Bíblia não dá instruções em nenhum lugar sobre a posição das mãos do ministro ou a direção do olhar. A Bíblia nunca diz que receber a graça de Deus é uma questão de estar em um determinado lugar, em um determinado momento, ouvindo determinadas palavras. Na verdade, não há nenhuma ordem bíblica para incluir uma bênção em um culto.

Para ser claro, não há nada de errado em recitar uma bênção no encerramento de um culto. Ler e ouvir as Escrituras é sempre algo bom. A questão é apenas que a Bíblia não exige uma bênção formal no encerramento de um culto na igreja.

Atos 2:42 nos dá um retrato das práticas da igreja primitiva: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Observe como isso é básico. Nenhuma instrução específica sobre metodologia, nenhuma liturgia formal e nada identificado como um “meio de graça”. Simplesmente um exemplo dessas quatro atividades:

1) dedicação ao ensino dos apóstolos

2) manutenção da comunhão

3) observância da comunhão

4) oração

Ao longo do restante do Novo Testamento, não são introduzidas mais cerimônias ou rituais no culto. A Bíblia não determina uma maneira específica de “fazer igreja”, mas deixa espaço para práticas diferentes entre os diversos crentes. Várias tradições surgiram ao longo dos séculos, entre elas a concessão de uma bênção.

Se uma pessoa sai da igreja antes da bênção, ela perde a bênção? Isso pode depender do motivo da saída. A pessoa está saindo por causa de um coração endurecido e da recusa em ouvir a Palavra de Deus? Não há bênção nisso, é claro. A pessoa está saindo porque precisa, honestamente, ir a algum lugar? Podemos supor que Deus é misericordioso nessas questões. Além disso, a graça e a verdade vêm por meio de Jesus Cristo (João 1:17), e um filho de Deus está em Cristo. Nós somos o sacerdócio (1 Pedro 2:5) e não precisamos que outro ser humano nos conceda a graça de Deus.

Jesus identifica os bem-aventurados em Mateus 5:3–10:

- os pobres de espírito

- os que choram

- os mansos

- os que têm fome e sede de justiça

- os misericordiosos

- os puros de coração

- os pacificadores

- os que são perseguidos por causa da justiça

Observe o que falta nesta lista: “os que ficam durante todo o culto” e “os que ouvem todas as palavras que o pastor fala”.

Mais importante do que participar de uma tradição da igreja é ter um coração que busca a Deus. “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade e cujo nome é Santo: 'Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos'” (Isaías 57:15).

É possível que uma pessoa participe de inúmeros cultos e ouça muitas bênçãos finais, e ainda assim tenha um coração endurecido, fechado para a verdade de Deus. Ouvir certas palavras ditas do púlpito, até mesmo palavras das Escrituras, não terá um efeito mágico sobre quem as escuta. A semente que cai em solo duro é arrebatada (Mateus 13:4). Da mesma forma, é possível que alguém precise sair mais cedo de um culto, perdendo a bênção final, e ainda assim tenha um coração sensível e aberto à verdade de Deus. Essa pessoa será abençoada. Deus conhece o coração.