Pergunta
É possível a restauração pastoral depois que um pastor se envolve em um escândalo?
Resposta
Parte do que torna a questão da restauração pastoral tão difícil é que cada caso é diferente. Não parece possível fazer uma afirmação genérica que abranja todas as circunstâncias. Se dissermos: “Um pastor que comete adultério pode ser restaurado ao seu cargo pastoral se pedir desculpas”, então estaremos, na melhor das hipóteses, ignorando tolamente a necessidade de um arrependimento genuíno. Mas se dissermos: “Um pastor que comete adultério nunca pode ser restaurado ao cargo pastoral, em lugar ou momento algum”, então parecemos ignorar a graça e o perdão disponíveis a todos os crentes em Cristo (Gálatas 6:1; 1 João 1:9). O meio-termo é dizer: “Um pastor pode ser restaurado ao seu cargo original, sob certas circunstâncias”, e isso exige que identifiquemos com precisão essas “certas circunstâncias”.
Embora 2 Coríntios 2:5–11 não trate do pecado de um pastor, essa passagem oferece algumas orientações sobre a disciplina na igreja. O pecado na igreja causa dor (versículo 5). A punição imposta pela igreja tem um limite (versículo 6). A pessoa arrependida deve demonstrar tristeza por seu pecado (versículo 7). A igreja deve responder ao verdadeiro arrependimento com consolo e perdão (versículo 7) e amor reafirmado (versículo 8). E a falta de perdão favorece as artimanhas de Satanás (versículo 11). Nesses versículos, Paulo enfatiza a restauração e a unidade que devem seguir a disciplina, com base na graça e na misericórdia de Deus em Cristo; a advertência implícita é contra limites humanos ao perdão, vinganças pessoais, desunião e punição excessiva.
Dado o desejo de Deus de que a igreja restaure os crentes que caíram, a questão então passa a ser: o pastor está isento da possibilidade de perdão e restauração? É claro que a resposta é não; o perdão está disponível para todos em Cristo (1 João 1:9).
No entanto, o ato de perdoar não restaura automaticamente o status anterior. Um motorista embriagado pode ser perdoado, mas o carro que ele destruiu continua destruído. Uma fraudadora pode ser perdoada, mas pode ser que nenhum banco a contrate novamente. Um pedófilo pode ser perdoado, mas, por lei, nunca mais terá permissão para trabalhar com crianças. Portanto, quando falamos da “restauração” de um pastor, não queremos necessariamente dizer que ele recupere sua vida antiga. Pastores envolvidos em escândalos podem e devem ser restaurados na comunhão com Deus, com suas famílias e com os irmãos na fé. Mas a restauração ao pastorado é outra questão. Em vez de buscar restaurar um pastor caído ao púlpito, as igrejas devem buscar restaurá-lo à comunhão dentro da igreja, seguindo o processo de disciplina eclesiástica descrito nas Escrituras (Mateus 18:15–20). O ex-pastor deve estar disposto a aceitar a disciplina que a igreja impõe.
A Bíblia diz que servir no pastorado é uma “tarefa nobre” (1 Timóteo 3:1). Um trabalho nobre requer caráter nobre e comportamento nobre. O pecado sexual não é um comportamento nobre, e um pastor que cai na imoralidade não demonstrou caráter nobre. Além disso, um pastor-mestre é submetido a um padrão mais elevado do que as pessoas que ele pastoreia (Tiago 3:1). O padrão básico para todos os crentes é que “nem mesmo haja menção de imoralidade sexual, ou de qualquer tipo de impureza” entre nós (Efésios 5:3). Se os pastores receberão um julgamento mais rigoroso, então eles devem demonstrar menos do que “nem mesmo uma menção” de transgressões sexuais.
Infelizmente, o clima atual na igreja envolve uma alta tolerância à conduta sexual imprópria. Casais cristãos moram juntos antes do casamento, e ninguém os repreende. O tratamento permissivo do pecado sexual, em nome da “graça”, se estende aos pastores que caem. Algumas denominações simplesmente transferem o pastor pecador para outro distrito, sem qualquer disciplina real. Outras igrejas recebem de volta um pastor adúltero após um breve período sabático e garantias de que ele não o fará novamente. E, é claro, algumas igrejas estão ordenando pastores ou padres abertamente homossexuais e ignorando a pedofilia entre o clero. Tudo isso evidencia uma abordagem despreocupada em relação ao pecado sexual — um pecado que tem consequências graves nas Escrituras (Provérbios 6:27–29; 1 Coríntios 6:18; Hebreus 13:4).
Um pastor que comete adultério está se comportando como um falso mestre (2 Pedro 2:14). A manifestação externa do pecado sexual é apenas a ponta do iceberg; há sérias falhas de caráter que devem ser abordadas. Um adúltero, por exemplo, quebrou uma confiança; ele não foi sincero; ele foi hipócrita; ele não é mais irrepreensível; ele não tem mais boa reputação; ele não é um homem de bom comportamento; ele não tem autocontrole; seu comportamento não é santo; ele tem sido obstinado; ele não tem sido sóbrio em seu pensamento — em outras palavras, ele violou muitas das qualificações listadas em Tito 1:6–9 e 1 Timóteo 3:2–7.
1 Timóteo 3:2 contém um detalhe saliente que afeta a restauração pastoral. A primeira qualificação pastoral é que “o bispo deve ser irrepreensível”. Ser “irrepreensível” (como diz a NAA) é uma parte importante de ser pastor, e esse requisito não deve ser ignorado. Um pastor que comete imoralidade tornou-se inadequado para a “nobre tarefa” do pastorado (versículo 1) por não ser “irrepreensível, fiel à sua esposa, sóbrio, moderado, respeitável” (versículo 2), e ele não tem mais “boa reputação entre os de fora” (versículo 7). Além disso, no versículo 4, “ele deve governar bem a sua própria casa”. Isso deve referir-se a mais do que simplesmente a forma como ele cria seus filhos. Não se pode dizer que um homem que comete imoralidade e se divorcia de sua esposa tenha administrado bem a sua própria família.
No contexto de pregar o evangelho e ganhar outros para Cristo, Paulo diz: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Coríntios 9:27). Sabemos que ele não pode estar se referindo a ser “desqualificado” para o céu, já que nada pode separá-lo do amor de Deus em Cristo (Romanos 8:39); a “desqualificação” parece ser para a pregação do evangelho. Paulo sugere que, se ele cedesse aos apetites carnais (de qualquer tipo), não seria mais “qualificado” e seria reprovado para o ministério. Paulo subjugou o seu corpo para que pudesse continuar ministrando aos outros.
Existem muitas variações e complicações em torno da questão básica:
- Um homem que se divorciou e se casou novamente antes de ser salvo e agora busca a ordenação.
- Um pastor cuja esposa renuncia à fé e o abandona, fornecendo motivos para um divórcio bíblico.
- Um pastor que teve um caso de uma noite, renunciou à igreja, mas não se divorciou, optando por trabalhar na reconstrução de seu relacionamento com a esposa.
- Um pastor que teve um caso adúltero de um ano há trinta anos e, desde então, tem levado uma vida irrepreensível.
Diante dessas complicações, fazemos perguntas como: por quanto tempo dura uma “desqualificação”? Quando a disciplina da igreja se torna excessiva? A exigência de “uma única mulher” se estende até a vida pré-salvação da pessoa? Ser “irrepreensível” descreve apenas a condição atual da pessoa, ou sugere uma vida inteira de comportamento irrepreensível? A resposta a essas perguntas depende em grande parte da interpretação que se faz das Escrituras, e uma igreja que esteja considerando a restauração pastoral deve buscar sabedoria do alto (Tiago 1:5) e conselho piedoso de líderes cristãos de confiança.
Os cristãos vivem na graça e estendem a graça aos outros. No entanto, a igreja tem a responsabilidade de se policiar e disciplinar os crentes que erram (1 Coríntios 5:9–13). Um pastor culpado de adultério deve deixar de ser pastor. Sua resposta à disciplina da igreja deve ser o arrependimento humilde e, em seguida, a busca pela restauração da comunhão. Deveria ele ir além da comunhão e buscar recuperar o cargo de pastor? Na maioria dos casos, parece que isso seria imprudente.
Mais uma vez, não estamos tentando estabelecer uma regra rígida e inflexível. É possível que um pastor que caiu em pecado seja restaurado ao ministério pastoral? Sim, acreditamos que sim — não vamos nos atrever a limitar a graça e o poder de Deus. Temos um exemplo no Novo Testamento de um pastor sendo restaurado? Não. O ato de adultério revela uma falha profunda de caráter? Sim. Por essas razões, uma igreja deve ser muito cautelosa ao reordenar um homem que falhou moralmente após a salvação.
Nos casos em que um pastor que caiu está sendo restaurado à sua função anterior, o corpo da igreja local deve trabalhar em prol da paz, da unidade e da compreensão. Se líderes da igreja bem-intencionados e piedosos estiverem por trás da restauração, e se houver ampla evidência de verdadeiro arrependimento, então os crentes devem ser capazes de seguir em frente com graça, fé e muita oração.
Embora 2 Coríntios 2:5–11 não trate do pecado de um pastor, essa passagem oferece algumas orientações sobre a disciplina na igreja. O pecado na igreja causa dor (versículo 5). A punição imposta pela igreja tem um limite (versículo 6). A pessoa arrependida deve demonstrar tristeza por seu pecado (versículo 7). A igreja deve responder ao verdadeiro arrependimento com consolo e perdão (versículo 7) e amor reafirmado (versículo 8). E a falta de perdão favorece as artimanhas de Satanás (versículo 11). Nesses versículos, Paulo enfatiza a restauração e a unidade que devem seguir a disciplina, com base na graça e na misericórdia de Deus em Cristo; a advertência implícita é contra limites humanos ao perdão, vinganças pessoais, desunião e punição excessiva.
Dado o desejo de Deus de que a igreja restaure os crentes que caíram, a questão então passa a ser: o pastor está isento da possibilidade de perdão e restauração? É claro que a resposta é não; o perdão está disponível para todos em Cristo (1 João 1:9).
No entanto, o ato de perdoar não restaura automaticamente o status anterior. Um motorista embriagado pode ser perdoado, mas o carro que ele destruiu continua destruído. Uma fraudadora pode ser perdoada, mas pode ser que nenhum banco a contrate novamente. Um pedófilo pode ser perdoado, mas, por lei, nunca mais terá permissão para trabalhar com crianças. Portanto, quando falamos da “restauração” de um pastor, não queremos necessariamente dizer que ele recupere sua vida antiga. Pastores envolvidos em escândalos podem e devem ser restaurados na comunhão com Deus, com suas famílias e com os irmãos na fé. Mas a restauração ao pastorado é outra questão. Em vez de buscar restaurar um pastor caído ao púlpito, as igrejas devem buscar restaurá-lo à comunhão dentro da igreja, seguindo o processo de disciplina eclesiástica descrito nas Escrituras (Mateus 18:15–20). O ex-pastor deve estar disposto a aceitar a disciplina que a igreja impõe.
A Bíblia diz que servir no pastorado é uma “tarefa nobre” (1 Timóteo 3:1). Um trabalho nobre requer caráter nobre e comportamento nobre. O pecado sexual não é um comportamento nobre, e um pastor que cai na imoralidade não demonstrou caráter nobre. Além disso, um pastor-mestre é submetido a um padrão mais elevado do que as pessoas que ele pastoreia (Tiago 3:1). O padrão básico para todos os crentes é que “nem mesmo haja menção de imoralidade sexual, ou de qualquer tipo de impureza” entre nós (Efésios 5:3). Se os pastores receberão um julgamento mais rigoroso, então eles devem demonstrar menos do que “nem mesmo uma menção” de transgressões sexuais.
Infelizmente, o clima atual na igreja envolve uma alta tolerância à conduta sexual imprópria. Casais cristãos moram juntos antes do casamento, e ninguém os repreende. O tratamento permissivo do pecado sexual, em nome da “graça”, se estende aos pastores que caem. Algumas denominações simplesmente transferem o pastor pecador para outro distrito, sem qualquer disciplina real. Outras igrejas recebem de volta um pastor adúltero após um breve período sabático e garantias de que ele não o fará novamente. E, é claro, algumas igrejas estão ordenando pastores ou padres abertamente homossexuais e ignorando a pedofilia entre o clero. Tudo isso evidencia uma abordagem despreocupada em relação ao pecado sexual — um pecado que tem consequências graves nas Escrituras (Provérbios 6:27–29; 1 Coríntios 6:18; Hebreus 13:4).
Um pastor que comete adultério está se comportando como um falso mestre (2 Pedro 2:14). A manifestação externa do pecado sexual é apenas a ponta do iceberg; há sérias falhas de caráter que devem ser abordadas. Um adúltero, por exemplo, quebrou uma confiança; ele não foi sincero; ele foi hipócrita; ele não é mais irrepreensível; ele não tem mais boa reputação; ele não é um homem de bom comportamento; ele não tem autocontrole; seu comportamento não é santo; ele tem sido obstinado; ele não tem sido sóbrio em seu pensamento — em outras palavras, ele violou muitas das qualificações listadas em Tito 1:6–9 e 1 Timóteo 3:2–7.
1 Timóteo 3:2 contém um detalhe saliente que afeta a restauração pastoral. A primeira qualificação pastoral é que “o bispo deve ser irrepreensível”. Ser “irrepreensível” (como diz a NAA) é uma parte importante de ser pastor, e esse requisito não deve ser ignorado. Um pastor que comete imoralidade tornou-se inadequado para a “nobre tarefa” do pastorado (versículo 1) por não ser “irrepreensível, fiel à sua esposa, sóbrio, moderado, respeitável” (versículo 2), e ele não tem mais “boa reputação entre os de fora” (versículo 7). Além disso, no versículo 4, “ele deve governar bem a sua própria casa”. Isso deve referir-se a mais do que simplesmente a forma como ele cria seus filhos. Não se pode dizer que um homem que comete imoralidade e se divorcia de sua esposa tenha administrado bem a sua própria família.
No contexto de pregar o evangelho e ganhar outros para Cristo, Paulo diz: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Coríntios 9:27). Sabemos que ele não pode estar se referindo a ser “desqualificado” para o céu, já que nada pode separá-lo do amor de Deus em Cristo (Romanos 8:39); a “desqualificação” parece ser para a pregação do evangelho. Paulo sugere que, se ele cedesse aos apetites carnais (de qualquer tipo), não seria mais “qualificado” e seria reprovado para o ministério. Paulo subjugou o seu corpo para que pudesse continuar ministrando aos outros.
Existem muitas variações e complicações em torno da questão básica:
- Um homem que se divorciou e se casou novamente antes de ser salvo e agora busca a ordenação.
- Um pastor cuja esposa renuncia à fé e o abandona, fornecendo motivos para um divórcio bíblico.
- Um pastor que teve um caso de uma noite, renunciou à igreja, mas não se divorciou, optando por trabalhar na reconstrução de seu relacionamento com a esposa.
- Um pastor que teve um caso adúltero de um ano há trinta anos e, desde então, tem levado uma vida irrepreensível.
Diante dessas complicações, fazemos perguntas como: por quanto tempo dura uma “desqualificação”? Quando a disciplina da igreja se torna excessiva? A exigência de “uma única mulher” se estende até a vida pré-salvação da pessoa? Ser “irrepreensível” descreve apenas a condição atual da pessoa, ou sugere uma vida inteira de comportamento irrepreensível? A resposta a essas perguntas depende em grande parte da interpretação que se faz das Escrituras, e uma igreja que esteja considerando a restauração pastoral deve buscar sabedoria do alto (Tiago 1:5) e conselho piedoso de líderes cristãos de confiança.
Os cristãos vivem na graça e estendem a graça aos outros. No entanto, a igreja tem a responsabilidade de se policiar e disciplinar os crentes que erram (1 Coríntios 5:9–13). Um pastor culpado de adultério deve deixar de ser pastor. Sua resposta à disciplina da igreja deve ser o arrependimento humilde e, em seguida, a busca pela restauração da comunhão. Deveria ele ir além da comunhão e buscar recuperar o cargo de pastor? Na maioria dos casos, parece que isso seria imprudente.
Mais uma vez, não estamos tentando estabelecer uma regra rígida e inflexível. É possível que um pastor que caiu em pecado seja restaurado ao ministério pastoral? Sim, acreditamos que sim — não vamos nos atrever a limitar a graça e o poder de Deus. Temos um exemplo no Novo Testamento de um pastor sendo restaurado? Não. O ato de adultério revela uma falha profunda de caráter? Sim. Por essas razões, uma igreja deve ser muito cautelosa ao reordenar um homem que falhou moralmente após a salvação.
Nos casos em que um pastor que caiu está sendo restaurado à sua função anterior, o corpo da igreja local deve trabalhar em prol da paz, da unidade e da compreensão. Se líderes da igreja bem-intencionados e piedosos estiverem por trás da restauração, e se houver ampla evidência de verdadeiro arrependimento, então os crentes devem ser capazes de seguir em frente com graça, fé e muita oração.