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Pergunta: "Por que marido e mulher eram considerados impuros depois de terem relações sexuais?"

Resposta:
Levítico 15:18 diz: “Se um homem coabitar com mulher e tiver emissão do sêmen, ambos se banharão em água e serão imundos até à tarde.” Este comando deve estar falando de relações sexuais dentro do matrimônio, já que a Lei em outros lugares proíbe o adultério e a fornicação. Assim, sempre que marido e mulher tivessem relações sexuais, seriam considerados impuros pelo resto do dia. Parece estranho, se o sexo conjugal não é pecaminoso, que isso tornaria um casal impuro.

Ser impuro de acordo com a Lei não era sinônimo de ser pecaminoso. A Lei do Antigo Testamento fala de dois tipos de impureza – moral e cerimonial. A impureza moral era causada por atos imorais como os listados em Levítico 20:10-21, com punições que iam desde a ausência de filhos até a morte. A “impureza” causada pelo sexo conjugal era do tipo cerimonial e não trazia punição.

Uma pessoa impura tinha de evitar tocar em coisas sagradas e seguir as instruções da Lei para retornar ao estado de pureza. A impureza impedia a pessoa de se aproximar do santuário (Números 5:3). Uma pessoa impura não podia comer comida consagrada ou mesmo trazê-la como dízimo (Levítico 7:20-21; Deuteronômio 26:14). Se uma pessoa era impura durante a época da Páscoa, ela tinha que esperar um mês antes de celebrar a festa (Números 9:6-13).

Além das relações sexuais conjugais, havia outras causas de impureza cerimonial. Uma emissão noturna de sêmen fazia com que um homem ficasse cerimonialmente impuro naquele dia, e ele tinha que passar o dia fora do acampamento (Deuteronômio 23:10-11). Além disso, as mulheres eram cerimonialmente impuras durante a menstruação (Levítico 15:19-23) e após o parto (Levítico 12:1-8). No casamento, dois se tornam um (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6) e compartilham a impureza cerimonial na união sexual (Levítico 15:18). Mas não há nada pecaminoso ou imoral no sexo conjugal, que foi invenção e decreto de Deus para os humanos, mesmo antes do pecado entrar na raça humana (Gênesis 1:28).

Podemos supor uma série de razões que Deus teve para fazer essas regras governando a impureza, desde a higiene física para indivíduos e comunidades até ajudar os casais a apreciar a especialidade de Sua dádiva do sexo. Em contraste, algumas sociedades antigas caíram em um estado chocante e selvagem, vivendo mais como animais selvagens movidos por todo tipo de impulso, em vez de viver como a criação mais elevada de Deus, feita à Sua imagem (Gênesis 1:26-27).

Mas o propósito final de tudo na Lei é espiritual. No caso das leis que governam a impureza, o objetivo era mostrar ao povo de Israel que Deus é santo e a humanidade não. O fato de que as relações sexuais normais fizeram com que um casal se tornasse cerimonialmente impuro mostra que somos impuros diante de Deus, mesmo quando não cometemos pecados descarados. Somos pessoas decaídas vivendo em um mundo decaído, e até mesmo as atividades cotidianas da vida nos tornam impuros. Necessitamos de purificação antes de podermos nos aproximar do Deus Santo.

Deus disse a Israel: “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Levítico 20:26). A falta de santidade de Israel foi mantida em primeiro plano na Lei. “Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões” (Gálatas 3:19). O que Israel precisava – e o que todos nós precisamos – é a fé de Abraão, porque “os da fé é que são filhos de Abraão” (versículo 7), ou seja, aqueles que confiam nas promessas de Deus são destinatários da bênção de Deus.

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