Pergunta

Quem foi B. B. Warfield?

Resposta
Benjamin Breckenridge Warfield (1851—1921) foi um teólogo, educador e apologista presbiteriano americano. Ele foi considerado um dos últimos grandes defensores da teologia presbiteriana conservadora antes da divisão da denominação em 1929. Como professor do Seminário Teológico de Princeton de 1887 a 1921, ele defendeu as tradições teológicas reformadas de seus antecessores, Charles Hodge e seu filho Archibald Alexander (A. A.) Hodge. Warfield foi um estudioso, autor, revisor e editor excepcional. Suas obras ainda são amplamente lidas entre os cristãos evangélicos, principalmente por causa de sua vigorosa defesa da inerrância bíblica.

Benjamin nasceu em uma família distinta perto de Lexington, Kentucky. Seu pai, William Warfield, era um fazendeiro rico e especialista em criação de gado e cavalos. Ele também serviu como oficial da União na Guerra Civil. Sua mãe, Mary Cabell Breckinridge, era filha de Robert Jefferson Breckinridge, um ministro presbiteriano, teólogo, editor e político. O avô de Mary era John Breckinridge, procurador-geral de Thomas Jefferson e primo distante de John C. Breckinridge, vice-presidente dos Estados Unidos durante o governo de James Buchanan.

Após receber educação particular, B. B. Warfield frequentou a Universidade de Princeton (na época, o College of New Jersey), graduando-se em 1871 como orador da turma, aos dezenove anos. Em seguida, passou uma temporada viajando pela Europa. Quando Warfield retornou a Lexington, sua inclinação para uma carreira na ciência havia se voltado para o ministério. Trabalhou brevemente como editor da seção de pecuária do Farmer’s Home Journal antes de ingressar no Seminário Teológico de Princeton em 1873.

Pouco tempo após se formar em 1876, Benjamin casou-se com Annie Pearce Kinkead, filha de um advogado proeminente. Logo, o casal embarcou para a Europa, onde Warfield estudou teologia do Novo Testamento e crítica bíblica na Universidade de Leipzig. Durante a viagem, eles enfrentaram uma violenta tempestade, e Annie sofreu um trauma debilitante que a atormentou pelo resto da vida. Os biógrafos não especificam se a lesão foi mental ou física, mas ela permaneceu gravemente incapacitada, vivendo reclusa. Além de suas funções em Princeton, B. B. Warfield também viveu em semi-reclusão, cuidando de Annie até a sua morte, em 1915. O casal não teve filhos.

Após retornar aos Estados Unidos, Warfield serviu brevemente como ministro suplente na Primeira Igreja Presbiteriana em Baltimore, Maryland. Em 1878, ele aceitou um cargo de professor do Novo Testamento no Seminário Teológico Ocidental, próximo a Pittsburgh, Pensilvânia. Ele foi ordenado no ministério presbiteriano em 1879.

Em 1881, Warfield e A. A. Hodge (então diretor do Seminário Teológico de Princeton) publicaram um ensaio colaborativo sobre a inspiração das Escrituras em uma edição da Presbyterian Review. O artigo — notável por sua defesa acadêmica e convincente da inerrância da Bíblia — atraiu atenção significativa na época.

Em 1887, após a morte de Archibald Alexander Hodge, B. B. Warfield o sucedeu como titular da Cátedra Charles Hodge no Seminário Teológico de Princeton e professor de Teologia Didática e Polêmica. Ele permaneceu no cargo por 34 anos, ensinando a quase 3.000 alunos ao longo de sua vida. No final da noite de 16 de fevereiro de 1921, B. B. Warfield faleceu em Princeton, Nova Jersey, após um dia de aulas.

Durante 12 anos (1890-1902), B. B. Warfield foi editor-chefe da revista Presbyterian and Reformed Review. Ele também contribuiu para a sua sucessora, a Princeton Theological Review. Teologicamente, ele se manteve firme nas doutrinas da infalibilidade bíblica, pecado original, predestinação e expiação limitada, conforme descrito na Confissão de Fé de Westminster. Seus escritos se empenhavam em provar, por meio de estudos precisos e detalhados, a autoridade e a inspiração da Bíblia — que a inerrância bíblica é um ensinamento cristão ortodoxo essencial e não um conceito inventado pela igreja do século XIX. Ele argumentava apaixonadamente contra o modernismo e o liberalismo dentro do presbiterianismo e do cristianismo em geral.

Ao longo de sua vida, B. B. Warfield escreveu livros e artigos bíblicos, teológicos e apologéticos, volumes de sermões, palestras e resenhas, incluindo An Introduction to the Textual Criticism of the New Testament (1886 - Uma Introdução à Crítica Textual do Novo Testamento), The Gospel of the Incarnation (1893 - O Evangelho da Encarnação), The Lord of Glory (1907 - O Senhor da Glória) e Counterfeit Miracles (1918 - Milagres Falsificados). Dez volumes de seus artigos mais valiosos foram reunidos e publicados postumamente. Entre eles estão Revelação e Inspiração (1927), Cristologia e Crítica (1929), Calvino e o Calvinismo (1931), Perfeccionismo (1931-1932) e A Inspiração e Autoridade da Bíblia (1948). Muitas das opiniões de B. B. Warfield continuam a desempenhar um papel vital nos círculos evangélicos atuais.

A seguir, algumas citações de B. B. Warfield:

“Cristo levou o sábado consigo para o túmulo e trouxe o Dia do Senhor consigo da ressurreição na manhã da ressurreição” (Escritos Selecionados Mais Curtos).

“A graça é um favor soberano gratuito concedido aos que não o merecem” (Escritos Selecionados Mais Curtos, Volume 2).

Não cabe aos cristãos permanecerem indiferentes em relação às investigações e descobertas da época. Pelo contrário, os seguidores da Verdade Verdadeira não podem ter segurança, na ciência ou na filosofia, a não ser nos braços da verdade. Cabe a nós, portanto, como cristãos, levar a investigação ao extremo; ser líderes em todas as ciências; estar na vanguarda da crítica; ser os primeiros a captar, em todos os campos, a voz do Revelador da verdade, que também é nosso Redentor” (Jessica Parks, ed., B. B. Warfield: Um Guia para Sua Vida e Obras, Faithlife Author Guides, Faithlife, 2017).