Pergunta

Quando foi escrito o livro de Ezequiel?

Resposta
O livro de Ezequiel está repleto de ensinamentos edificantes e de uma rica teologia. No entanto, a sua mensagem tem origem na crise histórica e espiritual que Israel enfrentou durante o exílio babilônico. Ezequiel estava entre os milhares de israelitas deportados para a Babilônia em 597 a.C. Embora estivessem longe da Terra Prometida, Ezequiel afirmou que Deus não havia abandonado o Seu povo. Ele enfatizou essa mensagem ao longo de todo o seu ministério. Ezequiel escreveu o livro durante os primeiros anos do exílio, entre 590 e 570 a.C.

A obra de Ezequiel como profeta começou em 593 a.C. e durou cerca de 22 anos. Sua visão final ocorreu em 571 a.C. (Ezequiel 29:17). O primeiro versículo do livro menciona “o trigésimo ano” (Ezequiel 1:1), que muitos acreditam ser a idade de Ezequiel. Isso é importante porque os sacerdotes em Israel começavam a servir quando completavam 30 anos (Números 4:3), e Ezequiel não era apenas um profeta, mas também um sacerdote (Ezequiel 1:3). Deus o chamou para servir em uma época em que o templo — o centro da adoração de Israel — havia desaparecido e não estava mais disponível.

Para entender por que a presença de Deus no exílio era tão significativa, é importante compreender as promessas da aliança que Ele fez a Israel. Também ajuda ver como a nação quebrou essas alianças. Deus fez uma aliança com Abraão por volta de 2000 a.C. e mais tarde a ampliou durante o reinado de Davi, por volta de 1000 a.C. (Gênesis 12:1–3; 2 Samuel 7:12–16). No entanto, a partir do reinado de Salomão (970–930 a.C.), Israel tornou-se cada vez mais infiel a Deus e à Sua lei (1 Reis 11:1–13). A desobediência da nação acabou levando à guerra civil e à divisão entre o reino do norte de Israel e o reino do sul de Judá por volta de 930 a.C.

Em vez de governar com justiça e conduzir o povo em santidade, os reis tanto do norte quanto do sul afundaram-se cada vez mais na infidelidade. Assim, Deus permitiu que nações estrangeiras conquistassem a terra e enviassem o povo ao exílio como forma de disciplina. Em 722 a.C., a Assíria derrotou o reino do norte de Israel, e em 586 a.C. a Babilônia tomou o reino do sul de Judá (2 Reis 17:20).

Enquanto os israelitas estavam no exílio, eles questionavam a aliança de Deus com eles. Muitos se perguntaram se a aliança ainda estava intacta e se Deus permaneceria fiel a eles apesar de seus pecados (Jeremias 29:10–14).

Ezequiel desempenhou um papel fundamental ao abordar essas questões durante o exílio. Como profeta e sacerdote, ele ajudou o povo a compreender que Deus não os havia abandonado. Ele frequentemente escreveu sobre o templo (por exemplo, Ezequiel 8—11; 40–48), refletindo o seu foco na presença e na santidade de Deus. Ele também datou suas visões a partir do ano do exílio do rei Joaquim, em 597 a.C., o que ajuda a situar o livro entre 590 e 570 a.C. Esses detalhes mostram que Ezequiel foi uma verdadeira testemunha ocular e profeta durante o exílio.

Após setenta anos, Deus permitiu que o povo judeu voltasse à sua terra. Deus moveu Ciro, rei da Pérsia, a dar uma ordem permitindo que eles retornassem. Quando chegaram em casa, muitos nunca haviam visto a terra. O estado de ruína e destruição de tudo os deixou consternados (Neemias 1:3–4). Ao olharem para a cidade e o templo destruídos, eles se perguntaram se a aliança de Deus com eles também havia sido quebrada.

O livro de Ezequiel mostra que, mesmo durante o trágico exílio de Israel, as promessas de Deus permaneceram inalteradas. Deus disse: “O meu tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Ezequiel 37:27). Por meio de Ezequiel, Deus lembrou ao Seu povo que o exílio não era o fim, mas um passo em direção à restauração e à comunhão.