Pergunta

É preciso falar em línguas para ser salvo?

Resposta
Não, falar em línguas não é um requisito para a salvação. A Bíblia registra ocasiões em que alguns crentes usaram o dom de línguas, mas ela não ensina que falar em línguas seja evidência de salvação. Aqueles que ensinam que alguém precisa falar em línguas para ser salvo geralmente apontam para alguns exemplos específicos no livro de Atos, nos quais as línguas foram um sinal da habitação do Espírito Santo e, portanto, da salvação.

Em Atos 10, o centurião romano Cornélio e sua família creem em Cristo. O Espírito Santo vem sobre eles, e eles começam a falar em línguas. Isso foi um sinal para Pedro de que aqueles gentios haviam sido salvos e recebido o Espírito Santo — Pedro teria associado imediatamente esse acontecimento ao que ocorreu no Dia de Pentecostes, quando a igreja começou entre os judeus. Agora os gentios também estavam sendo salvos, e Pedro recebeu a confirmação: aquele grupo de gentios estava falando em línguas.

Em Atos 19:4–6, o apóstolo Paulo encontrou alguns discípulos de João Batista em Éfeso. Esses homens haviam aceitado a mensagem de arrependimento de João, mas ainda não conheciam o Espírito Santo. Paulo os direcionou a Jesus, e eles creram e foram batizados em nome de Jesus. Paulo impôs as mãos sobre eles, e eles receberam o Espírito Santo, evidenciado pelo fato de falarem em línguas. Nesse caso, o falar em línguas foi usado como sinal para eles e para Paulo de que haviam crido plenamente na mensagem do evangelho. Também foi um sinal para toda a cidade de Éfeso, grande centro gentílico de comércio, arte e idolatria. Deus estava preparando a Sua obra em Éfeso, e ali estavam homens aptos para o Seu propósito, capazes de proclamar o evangelho em qualquer idioma necessário.

A salvação de Cornélio e dos homens de Éfeso representa casos específicos em que o falar em línguas foi uma evidência ou sinal de que o novo nascimento havia ocorrido. Esses casos são exceções, e não a regra. Observe que, ao longo do livro de Atos e do restante do Novo Testamento, não vemos o falar em línguas associado à salvação. Nenhuma apresentação do evangelho no Novo Testamento menciona línguas (João 3:16–18; Efésios 2:1–10; Atos 4:12; 16:31; Romanos 10:9–13; 1 Coríntios 15:3–8). Se falar em línguas fosse necessário para a salvação, ou mesmo o principal sinal dela, esperaríamos ler muito mais sobre isso.

Uma compreensão correta do dom espiritual de falar em línguas é essencial para entender por que falar em línguas não é sinal de salvação. O dom de línguas foi dado no Dia de Pentecostes quando o Espírito Santo veio habitar permanentemente nos seguidores de Cristo. O dom se manifestou na capacidade de falar idiomas estrangeiros sem tê-los aprendido, e a igreja primitiva utilizou esse dom para pregar Cristo (Atos 2:4–12). Muitas traduções interpretam a palavra “línguas” como “idiomas”. A palavra grega é glossa, que se refere à língua física ou a um idioma. Hoje, alguns associam o dom de línguas a expressões extáticas, ininteligíveis e “celestiais” (isto é, místicas e desconhecidas), mas isso não corresponde ao modelo bíblico. O dom de línguas ou idiomas tinha o propósito de comunicar uma mensagem e servia como sinal para os incrédulos (1 Coríntios 14:22), e cessou com a era apostólica, como Paulo disse que aconteceria (1 Coríntios 13:8). Missionários em campos estrangeiros agora precisam estudar e aprender o idioma no qual irão ministrar. O falar em línguas era um dom espiritual dado a alguns, não a todos (1 Coríntios 12:30). Em nenhum momento ele é apresentado nas Escrituras como requisito para a salvação.

A Bíblia enfatiza que nem todos terão o mesmo dom. Como Paulo pergunta em uma série de perguntas retóricas em 1 Coríntios 12:29–30: “Será que são todos apóstolos? Será que são todos profetas? Será que são todos mestres? São todos operadores de milagres? Todos têm dons de curar? Todos falam em línguas? Todos têm o dom de interpretar essas línguas?” (NAA). A resposta implícita é “não”. No corpo de Cristo, diferentes partes possuem diferentes funções (1 Coríntios 12:18–20). Mesmo na igreja primitiva, quando o dom de línguas estava em uso, nem todo cristão era esperado ou obrigado a falar em línguas. O Espírito Santo concedia o dom de línguas àqueles que Ele queria que o recebessem (1 Coríntios 12:11).

A fé em Jesus Cristo — Sua obra na cruz e Sua ressurreição — é o que salva as pessoas (1 Coríntios 15:3–4), pela graça de Deus. Se a salvação exigisse algo além da fé, então a fé estaria acompanhada de obras, o que vai contra o ensino das Escrituras (veja Efésios 2:8–9). Assim como os judaizantes argumentavam que os cristãos precisavam seguir partes da Lei de Moisés para serem salvos, alguns hoje também afirmam que algo mais deve ser feito para a salvação. Esse ensino não encontra respaldo na Bíblia (veja Gálatas 2:16).

Se uma pessoa colocou sua fé em Cristo, então sua vida certamente demonstrará evidências de salvação (Tiago 2:22). Produzir o fruto do Espírito, amar os outros e obedecer ao Senhor demonstrará que a vida dessa pessoa foi transformada por Cristo (Gálatas 5:22–23; João 13:34–35; 14:15). Viver para Jesus, e não falar em línguas, é o que fornece evidência de salvação.