Pergunta
Por que João Calvino mandou queimar Miguel Servet na fogueira por heresia?
Resposta
João Calvino foi um líder altamente influente na Reforma Protestante. Nascido na França e formado em direito civil, Calvino acabou fugindo da França católica e se mudou para Genebra, na Suíça, onde instituiu muitas reformas. Sob a liderança de Calvino, a cidade de Genebra tornou-se um refúgio para outros reformadores que fugiram da perseguição em seus próprios países; além disso, em 1540, a cidade começou a caminhar em direção a uma teocracia — a lei moral e a lei civil eram uma e a mesma coisa. Em 1553, ocorreu um confronto com um herege chamado Miguel Servet (também conhecido como Miguel Servetus), que acabou sendo executado em Genebra por sua heresia; esse incidente tem sido fonte de controvérsia desde então.
Miguel Servet foi um médico e teólogo espanhol que rejeitou a doutrina ortodoxa da Trindade. Segundo Servet, Deus é uma única pessoa. Ele afirmava que as pessoas da Trindade são, na verdade, "formas" nas quais Deus escolheu se manifestar. Segundo Servet, Cristo foi feito homem por Deus, e a Sua natureza humana o impede de ser Deus. Servet concluiu que Deus é eterno, mas Jesus Cristo não. Por negar a Trindade, Servet foi considerado herege tanto pelos católicos quanto pelos protestantes. João Calvino manteve uma breve correspondência com Servet, mas interrompeu toda comunicação após as primeiras cartas, pois ficou claro que Servet era inflexível em sua negação da Trindade.
Em 1552, a Inquisição Espanhola tomou medidas contra Servet, mas ele escapou. Posteriormente, a Inquisição Francesa declarou Servet digno de morte, mas teve que queimar sua efígie, devido à sua fuga. Em agosto de 1553, Servet viajou para Genebra, onde foi reconhecido e, a pedido de Calvino, foi preso pelos magistrados da cidade. O julgamento de Miguel Servetus durou até outubro, quando o Conselho de Genebra o condenou à morte. Servetus foi queimado na fogueira em 27 de outubro de 1553. Tanto os calvinistas quanto os católicos desejavam a sua morte, mas os calvinistas chegaram primeiro.
A condenação e morte de Miguel Servet têm sido uma mancha negra na história de João Calvino há séculos. A queima de Servet foi justificada ou foi um assassinato a sangue frio? Deus julgará. Ao refletir sobre a história de Calvino e Servet, é importante lembrar os seguintes fatos:
– As leis na Suíça consideravam a heresia um crime punível com a pena de morte; a morte de Servetus foi, portanto, justificada aos olhos do Conselho de Genebra. Além disso, os conselhos de Berna, Zurique, Basileia e Schaffhausen foram consultados e todos apoiaram o veredicto e a punição.
– Calvino concordou com a sentença de morte proferida contra Servetus; no entanto, ele insistiu que, por misericórdia, Servetus fosse executado pela espada, e não na fogueira. O concílio rejeitou a sua sugestão.
– Miguel Servetus foi o único herege executado em Genebra durante a vida de Calvino. Em comparação, entre 3.000 e 10.000 pessoas foram executadas pelos católicos somente na Espanha durante a Inquisição. Por mais trágica que tenha sido a morte de Servet, ela deve ser vista em perspectiva.
A infeliz questão de Calvino e Servetus deve nos ensinar pelo menos duas coisas: 1) os reformadores não eram perfeitos — mesmo grandes homens como João Calvino podem cometer erros graves; e 2) a igreja do Novo Testamento nunca foi concebida para funcionar também como um governo civil.
Miguel Servet foi um médico e teólogo espanhol que rejeitou a doutrina ortodoxa da Trindade. Segundo Servet, Deus é uma única pessoa. Ele afirmava que as pessoas da Trindade são, na verdade, "formas" nas quais Deus escolheu se manifestar. Segundo Servet, Cristo foi feito homem por Deus, e a Sua natureza humana o impede de ser Deus. Servet concluiu que Deus é eterno, mas Jesus Cristo não. Por negar a Trindade, Servet foi considerado herege tanto pelos católicos quanto pelos protestantes. João Calvino manteve uma breve correspondência com Servet, mas interrompeu toda comunicação após as primeiras cartas, pois ficou claro que Servet era inflexível em sua negação da Trindade.
Em 1552, a Inquisição Espanhola tomou medidas contra Servet, mas ele escapou. Posteriormente, a Inquisição Francesa declarou Servet digno de morte, mas teve que queimar sua efígie, devido à sua fuga. Em agosto de 1553, Servet viajou para Genebra, onde foi reconhecido e, a pedido de Calvino, foi preso pelos magistrados da cidade. O julgamento de Miguel Servetus durou até outubro, quando o Conselho de Genebra o condenou à morte. Servetus foi queimado na fogueira em 27 de outubro de 1553. Tanto os calvinistas quanto os católicos desejavam a sua morte, mas os calvinistas chegaram primeiro.
A condenação e morte de Miguel Servet têm sido uma mancha negra na história de João Calvino há séculos. A queima de Servet foi justificada ou foi um assassinato a sangue frio? Deus julgará. Ao refletir sobre a história de Calvino e Servet, é importante lembrar os seguintes fatos:
– As leis na Suíça consideravam a heresia um crime punível com a pena de morte; a morte de Servetus foi, portanto, justificada aos olhos do Conselho de Genebra. Além disso, os conselhos de Berna, Zurique, Basileia e Schaffhausen foram consultados e todos apoiaram o veredicto e a punição.
– Calvino concordou com a sentença de morte proferida contra Servetus; no entanto, ele insistiu que, por misericórdia, Servetus fosse executado pela espada, e não na fogueira. O concílio rejeitou a sua sugestão.
– Miguel Servetus foi o único herege executado em Genebra durante a vida de Calvino. Em comparação, entre 3.000 e 10.000 pessoas foram executadas pelos católicos somente na Espanha durante a Inquisição. Por mais trágica que tenha sido a morte de Servet, ela deve ser vista em perspectiva.
A infeliz questão de Calvino e Servetus deve nos ensinar pelo menos duas coisas: 1) os reformadores não eram perfeitos — mesmo grandes homens como João Calvino podem cometer erros graves; e 2) a igreja do Novo Testamento nunca foi concebida para funcionar também como um governo civil.