Pergunta

O que a Bíblia diz sobre a timidez?

Resposta
A timidez é um tipo de ansiedade social que leva as pessoas a ficarem excessivamente preocupadas com a própria imagem e com a forma como os outros possam julgá-las. O Dicionário Webster define timidez como “o estado de ser tímido, facilmente assustável, reservado, acanhado e de evitar o contato com os outros”. Quem sofre de timidez extrema geralmente enfrenta efeitos debilitantes, como problemas nos relacionamentos, dificuldade em fazer amigos, conhecer pessoas e aproveitar novas experiências. Pessoas tímidas podem se sentir isoladas, ansiosas, deprimidas, envergonhadas, desajeitadas e cheias de insegurança e até mesmo de autoaversão.

A maioria das pessoas sente timidez em diferentes graus, em algum momento da vida ou em determinadas situações. As crianças, por exemplo, são mais propensas à timidez do que os adultos (ver Jeremias 1:6), e falar em público pode assustar pessoas que se sentem confiantes na maioria dos outros contextos sociais. Vários fatores contribuem para a timidez. Uma disposição tímida pode estar associada a motivações pecaminosas e egoístas, mas geralmente há mais por trás disso. O tipo de personalidade (introvertida, extrovertida etc.) desempenha um papel na timidez, juntamente com o histórico familiar, o desenvolvimento na infância e traumas emocionais precoces.

Ser tímido não é algo ruim, por si só. A timidez pode conter características inerentemente positivas que são vistas com bons olhos na Bíblia. Pessoas tímidas tendem a demonstrar mais modéstia (Romanos 12:3), humildade (Efésios 4:2; Provérbios 25:6–7; 1 Pedro 5:5) e serenidade de espírito (Provérbios 29:23; 1 Tessalonicenses 4:11; 1 Timóteo 2:1–2; 1 Pedro 3:1–4), evitando a autoexaltação e a busca por atenção. Elas também podem estar mais inclinadas a demonstrar discernimento (Provérbios 10:19; 17:28; 21:23; Eclesiastes 5:2) e discrição (Amós 5:13; Salmo 39:1).

Mas há casos em que a timidez é prejudicial. A timidez pode, por vezes, estar ligada ao orgulho, ao egocentrismo e ao medo. Preocupar-se com o que as pessoas pensam de nós e buscar excessivamente a aprovação dos homens (Efésios 6:6–7; Provérbios 29:25) podem refletir uma obsessão pelo próprio eu. A Bíblia aconselha os crentes a não buscar a aprovação dos homens nem temer o que as pessoas pensam ou dizem sobre eles, se estiverem fazendo o que sabem ser certo diante do Senhor (Gálatas 1:10; 1 Tessalonicenses 2:4). Se estivermos verdadeiramente nos esforçando para viver uma vida piedosa, podemos esperar não sermos apreciados (2 Timóteo 3:12). A nossa principal preocupação deve ser agradar a Deus (Romanos 12:1; Efésios 5:8–10; Gálatas 6:8).

Se a nossa timidez e vergonha provêm do medo, então devemos lembrar que o medo é o oposto da fé. Superamos o medo por meio da fé e da confiança em Deus (Hebreus 11:6) e do amor do Senhor (1 João 4:18–19). As virtudes da fé e do amor crescem à medida que saturamos os nossos corações, mentes e vidas com as Escrituras (Colossenses 3:16; Romanos 10:17). Quando se trata de crescer em santidade (João 17:17) e superar o medo, a dúvida e a confusão, o poder da Palavra de Deus é inigualável (Salmo 19; 2 Timóteo 3:16–17).

Para muitos cristãos, os efeitos problemáticos da timidez extrema podem ser controlados ou superados por meio da confiança no Espírito Santo. A Bíblia explica isso em 2 Timóteo 1:7: “Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação." Deus concede o Espírito Santo àqueles que depositam a sua fé no sacrifício de Jesus Cristo como pagamento por seus pecados. Como cristãos, precisamos ser cheios do Espírito Santo e nos submeter ao Seu controle. Meditar em Efésios 5:17–21, Efésios 4:30 e Colossenses 3:16 ajudará aqueles que lutam contra a timidez.

Além de nos tornarmos cristãos, submetermo-nos ao controle do Espírito Santo, substituirmos o medo e o orgulho pela fé e pelo amor de Deus, e saturarmos nossas mentes com as Escrituras, podemos acrescentar mais um ingrediente para superar a timidez. O mundo recomenda nutrir a “autoestima” ou desenvolver uma melhor “autoimagem”. Mas a Bíblia aconselha a vivermos a nossa identidade em Jesus Cristo. Meditar em Efésios 1 revela tudo o que somos em Cristo. Em vez de nos concentrarmos em nós mesmos, devemos compreender que a nossa verdadeira vida está centrada em Cristo, “que é a [nossa] vida” (ver Colossenses 3:4).

Não precisamos deixar que o medo e a timidez nos paralisem. Podemos dar um passo de fé e confiar em Deus, demonstrar interesse pelos outros, iniciar uma conversa e expressar o amor genuíno de Cristo. Quando estivermos cheios do poder de Deus e motivados pelo Seu amor, seremos capazes de ministrar às pessoas de uma forma que as faça se sentir vistas, ouvidas e valorizadas. A ênfase muda de nós mesmos para os outros, e começamos a viver em liberdade (Gálatas 5:13), sacrifício (Filipenses 3:8; João 12:24–25) e amor altruísta (1 João 3:16–18; 1 Coríntios 13:3).

Quando Deus chamou Corrie ten Boom para o ministério, ela estava determinada a superar a sua timidez. Ela se matriculou em um curso de Dale Carnegie para desenvolver habilidades para conversar com as pessoas e se tornar uma oradora pública e ministra do evangelho mais competente. Um dos líderes mais importantes da Bíblia, Moisés, também lutava contra a timidez, mas isso não impediu que Deus o escolhesse como porta-voz da libertação (Êxodo 4:10–15; 6:12, 30). Deus frequentemente usa as nossas deficiências, como a timidez e o medo, para revelar a nossa incapacidade humana e nos ajudar a reconhecer a necessidade de depender dEle.

Ser tímido não é o fim da história. Todos os cristãos lutam contra as falhas e fraquezas da carne. Nós “somos como vasos de barro frágeis que contêm” um “grande tesouro”, ou seja, a vida de Jesus Cristo (2 Coríntios 4:7–10). Entregue a sua timidez a Deus e veja como Ele transforma a sua vida em algo inesperadamente belo (ver Isaías 61:3; Romanos 8:28).