Pergunta

O que significa quando Jesus diz: “Meu Pai é o lavrador” (João 15:1)?

Resposta
Em João 15:1, Jesus declara: “Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o lavrador” (NAA). A palavra grega traduzida como “lavrador” significa “agricultor” ou “jardineiro”. Jesus usa essa metáfora para descrever Deus Pai no contexto de nossa relação com Cristo: Jesus é a “videira verdadeira”, e nós somos os “ramos” (versículo 5).

No Antigo Testamento, uma videira ou vinhedo era frequentemente usado como símbolo de Israel: “Eu mesmo a plantei como videira excelente, da semente mais pura. Como, então, você se tornou uma planta degenerada, como de videira brava?” (Jeremias 2:21, NAA; veja também Salmos 80:8–16 e Isaías 5:1–7). O fracasso de Israel em produzir frutos resultou no julgamento de Deus. Jesus, no entanto, é “a videira verdadeira” (João 15:1). Essa autodescrição revela o que Israel deveria ser — fiel, obediente e frutífero.

A metáfora da videira em João 15:1–11 ilustra a relação pessoal e íntima entre o Pai, Jesus e os crentes. Nessa metáfora, Jesus é a videira, os crentes são os ramos e o Pai é o lavrador (ou agricultor) que poda os ramos para garantir a máxima produção de frutos. Para produzir frutos, os crentes devem permanecer (ou ficar) em Jesus: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim vocês não podem dar fruto se não permanecerem em mim” (João 15:4). Permanecer em Jesus envolve confiança, oração, amor, obediência e alegria: “ quem diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 João 2:6).

Em João 15:6, Jesus faz uma advertência àqueles que não permanecem nele: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam” (NAA). A pessoa que não permanece em Cristo nunca foi um crente genuíno para começar, já que o Novo Testamento insiste que os verdadeiros crentes perseverarão na fé: “Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos. Porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1 João 2:19; ver também Filipenses 1:6).

Como o lavrador, o Pai poda os crentes para que possam dar mais frutos: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda” (João 15:2, NAA). A palavra podar significa “cortar ou aparar”. Na horticultura, a poda é uma prática em que galhos mortos ou crescidos demais são removidos de uma planta para promover o crescimento e a frutificação. Da mesma forma, o Pai poda, disciplina e corrige os crentes para moldá-los à imagem de Seu Filho: “porque o Senhor corrige a quem ama e castiga todo filho a quem aceita” (Hebreus 12:6; cf. Deuteronômio 8:5).

Como o lavrador, o Pai está no comando de Sua vinha. Ele poda (ou disciplina) com amor aqueles que já estão dando fruto — não para punir, mas para purificar. Embora os crentes já estejam “limpos por causa da palavra” (João 15:3), eles devem continuar a ser purificados.

A produção de frutos é um tema recorrente em João 12. No Novo Testamento, “fruto” frequentemente se refere aos resultados visíveis de uma vida em união com Cristo: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gálatas 5:22–23, NAA; cf. Mateus 13:8).