Pergunta

Por que Gólgota significa “lugar da caveira” (Mateus 27:33)?

Resposta
Ao relatar a crucificação de Jesus, Mateus descreve que “chegaram a um lugar chamado Gólgota (que significa ‘lugar da caveira’)” (Mateus 27:33). Mateus não responde diretamente à pergunta sobre por que Gólgota significa “lugar da caveira”, mas usa o termo Gólgota, que era “o nome aramaico de uma colina perto de Jerusalém onde ocorriam as execuções” (Louw, J. P., e Nida, E. A., Léxico grego-inglês do Novo Testamento: baseado em domínios semânticos, United Bible Societies, 1996, p. 834). Lucas se refere ao local da crucificação como “o lugar chamado Caveira” (Lucas 23:33) ou, mais literalmente, “o lugar chamado Kranion” — o termo grego geral para “caveira”. O que Mateus escreve em aramaico, Lucas relata em grego, já que ambas as línguas eram comumente usadas entre o povo de Israel naquela época.

Lucas, assim como Mateus, não oferece nenhuma explicação direta sobre por que o nome do local significa “lugar da caveira”, mas seu uso do grego kranion, juntamente com o uso de Gólgota por Mateus, pode ser indicativo de um local que se assemelhava um pouco a uma caveira e recebeu esse nome por causa de sua aparência, ou o termo pode simplesmente se referir a um lugar de morte, pois parece que esse era um local comum de crucificação para criminosos.

João também faz menção ao local onde Jesus foi crucificado, acrescentando que “Jesus, carregando ele mesmo a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico. Ali o crucificaram” (João 19:17–18a). João primeiro usa o grego kranion e depois esclarece que em hebraico o nome era Gólgota. Embora João forneça os dois termos em sua descrição, ele não aborda a questão de por que Gólgota significa “lugar da caveira”.

Marcos fornece a resposta mais direta para a questão de por que Gólgota significa “lugar da caveira”, ao relatar que “o levaram ao lugar chamado Gólgota, que se traduz como Lugar da Caveira” (Marcos 15:22). A partir do relato de Marcos, podemos entender que o lugar era simplesmente chamado de Gólgota e que a associação com a caveira era apenas uma tradução, mas é claro que isso ainda não forneceria uma resposta para o motivo pelo qual o nome Gólgota foi usado em primeiro lugar. Como a localização exata é desconhecida, o lugar não pode ser observado hoje para determinar se o terreno se assemelha a uma caveira, nem há documentação histórica adicional explicando por que esse local era o lugar da caveira.

Vale a pena notar que, em traduções latinas posteriores, o termo calva foi usado, traduzindo os termos grego e aramaico para “caveira” com o equivalente latino, e o termo Calvário tornou-se um nome comumente identificado para se referir ao local onde Jesus foi crucificado. Tanto Gólgota quanto Calvário se tornaram parte do vocabulário cristão popular, embora Gólgota parecesse ser mais usado na igreja primitiva (veja, por exemplo, o antigo hino copta “Gólgota”). O termo Calvário é geralmente preferido no uso mais contemporâneo (por exemplo, no hino de Jennie Evelyn Hussey de 1921, “Guia-me ao Calvário”).

Embora nunca nos seja dito nas páginas das Escrituras exatamente por que o Gólgota foi chamado de “lugar da caveira”, a imagem desse nome cria um clima sóbrio para lembrarmos que o nosso Salvador morreu ali, pagando o preço por nossos pecados. Essa imagem nos lembra que Ele venceu a morte, ressuscitando dos mortos vitorioso e capaz de nos dar a vida eterna.