Pergunta
O que Jesus quis dizer quando afirmou: “Este é o meu corpo, que é partido por vós”?
Resposta
Durante a Última Ceia, quando Jesus e Seus discípulos estavam comendo a refeição da Páscoa na noite em que Ele foi traído, Jesus tomou o pão, “e, tendo dado graças, o partiu e disse: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim'” (1 Coríntios 11:24). A comparação de Jesus entre o Seu corpo e o pão também está registrada nos Evangelhos Sinópticos:
Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, dizendo: 'Tomem, comam; isto é o meu corpo' (Mateus 26:26).
E, enquanto comiam, Jesus pegou um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: 'Tomem; isto é o meu corpo' (Marcos 14:22).
E, pegando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim' (Lucas 22:19).
O Evangelho de João inclui uma metáfora semelhante. Ao dirigir-se às multidões que O procuravam depois de terem sido alimentadas no dia anterior, Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:51; ver também os versículos 53–58).
Observe que, entre todas as passagens acima, a única que registra Jesus dizendo algo semelhante a “Isto é o meu corpo, que é partido por vós” é 1 Coríntios 11:24 em algumas versões. Além disso, a maioria das traduções em português não inclui a referência ao corpo de Jesus como “partido”. Essa redação aparece, por exemplo, na Almeida Revista e Corrigida (ARC).
Outras traduções em português de 1 Coríntios 11:24 trazem:
Almeida Revista e Atualizada (ARA): “Isto é o meu corpo, que é dado por vós.”
Nova Almeida Atualizada (NAA): “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês.”
Nova Versão Internacional (NVI): “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês.”
Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês.”
A diferença está relacionada aos manuscritos gregos usados como base para a tradução. Os manuscritos mais antigos e geralmente considerados mais próximos do texto original não contêm a palavra traduzida como “partido” em algumas versões tradicionais. Por isso, muitas traduções modernas preferem expressões como “dado por vós” ou “em favor de vocês”.
Em 1 Coríntios 11:24, Jesus partiu o pão. De acordo com os manuscritos mais antigos — e muitos dizem que os mais confiáveis —, Ele não disse que o Seu corpo foi partido. A maioria dos estudiosos hoje acredita que a formulação “este é o meu corpo, que é partido por vós” é obra de um escriba que inseriu a palavra “partido” para corresponder ao ato de partir o pão.
É claro que, em certo sentido, o corpo de Jesus foi “quebrado”: na violência de Sua morte, o Seu corpo foi ferido e contuso, e a Sua carne e pele foram dilaceradas. No entanto, as Escrituras têm o cuidado de afirmar que nenhum dos ossos de Jesus foi quebrado (João 19:33–36). Como o verdadeiro Cordeiro da Páscoa, os Seus ossos tinham que permanecer inteiros (ver Êxodo 12:46 e Números 9:12).
Jesus se identificou como “o pão vivo que desceu do céu” (João 6:51). Assim como o pão físico deve ser “partido” ou rasgado para ser compartilhado com os outros, assim também o corpo de Jesus teve que ser “partido” ou ferido na cruz para beneficiar o mundo. Assim como o pão físico serve para manter a saúde corporal, assim o corpo de Jesus proporciona saúde espiritual ao crente.
A declaração de Jesus: “Este é o meu corpo” é interpretada literalmente no catolicismo romano, resultando na doutrina da transubstanciação (o pão se torna o próprio corpo de Cristo). Acreditamos que essa doutrina esteja errada. Uma razão é que, quando Jesus chamou o pão de Seu corpo, Ele estava fisicamente presente com os Seus discípulos, com o Seu corpo intacto. Como Ele poderia literalmente oferecer o Seu corpo partido aos Seus discípulos na noite anterior à Sua morte?
Além disso, o contexto da refeição da Páscoa é totalmente simbólico. Quase todos os elementos da refeição representavam algo mais. Jesus tomou dois desses elementos e lhes conferiu um novo significado simbólico, pois Ele era o cumprimento de tudo o que a Páscoa representava. A partir de então, sempre que os crentes judeus celebravam a refeição da Páscoa, eles pensavam no novo significado que Jesus havia dado ao pão e ao cálice final. E os crentes gentios, que nunca haviam participado de uma refeição da Páscoa, celebravam a “Ceia do Senhor”.
Outra evidência de que Jesus estava falando simbolicamente é encontrada em João 6:53–58. Lá, Jesus diz à multidão: “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.”
Quando Jesus falou sobre comer a Sua carne em João 6, Ele já havia dado à multidão uma indicação de que estava falando figurativamente. Anteriormente, nos versículos 32–33, Jesus havia se chamado de pão, comparando-se ao maná no deserto. Quando o povo pediu que lhes fosse dado esse pão, Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35). Como que para esclarecer qualquer mal-entendido, Jesus então distingue o físico do espiritual: “O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita. As palavras que eu lhes tenho falado são espírito e são vida” (João 6:63).
Independentemente de Jesus ter falado ou não de Seu corpo “partido” na Última Ceia, o pão simbolizava o Seu corpo que em breve seria sacrificado na cruz. De acordo com João 6:35, pode-se “comer” o corpo quebrado de Jesus ao “vir” a Ele e “beber” o Seu sangue ao crer nEle. Jesus também enfatiza a fé (que o ato de comer simboliza) em João 6:36, 40 e 47.
Mais uma vez, todo o contexto da Última Ceia é simbólico. Não participamos de Jesus comendo fisicamente o Seu corpo. “A carne para nada aproveita” (João 6:63). Em vez disso, participamos de Jesus vindo a Ele com fé, confiando que o Seu corpo partido (e o Seu sangue derramado) é o único sacrifício aceitável por nossos pecados. O pão comemora o Seu corpo entregue por nós e, quando participamos dele, afirmamos a nossa fé e comunhão em Cristo.
Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, dizendo: 'Tomem, comam; isto é o meu corpo' (Mateus 26:26).
E, enquanto comiam, Jesus pegou um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: 'Tomem; isto é o meu corpo' (Marcos 14:22).
E, pegando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim' (Lucas 22:19).
O Evangelho de João inclui uma metáfora semelhante. Ao dirigir-se às multidões que O procuravam depois de terem sido alimentadas no dia anterior, Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:51; ver também os versículos 53–58).
Observe que, entre todas as passagens acima, a única que registra Jesus dizendo algo semelhante a “Isto é o meu corpo, que é partido por vós” é 1 Coríntios 11:24 em algumas versões. Além disso, a maioria das traduções em português não inclui a referência ao corpo de Jesus como “partido”. Essa redação aparece, por exemplo, na Almeida Revista e Corrigida (ARC).
Outras traduções em português de 1 Coríntios 11:24 trazem:
Almeida Revista e Atualizada (ARA): “Isto é o meu corpo, que é dado por vós.”
Nova Almeida Atualizada (NAA): “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês.”
Nova Versão Internacional (NVI): “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês.”
Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês.”
A diferença está relacionada aos manuscritos gregos usados como base para a tradução. Os manuscritos mais antigos e geralmente considerados mais próximos do texto original não contêm a palavra traduzida como “partido” em algumas versões tradicionais. Por isso, muitas traduções modernas preferem expressões como “dado por vós” ou “em favor de vocês”.
Em 1 Coríntios 11:24, Jesus partiu o pão. De acordo com os manuscritos mais antigos — e muitos dizem que os mais confiáveis —, Ele não disse que o Seu corpo foi partido. A maioria dos estudiosos hoje acredita que a formulação “este é o meu corpo, que é partido por vós” é obra de um escriba que inseriu a palavra “partido” para corresponder ao ato de partir o pão.
É claro que, em certo sentido, o corpo de Jesus foi “quebrado”: na violência de Sua morte, o Seu corpo foi ferido e contuso, e a Sua carne e pele foram dilaceradas. No entanto, as Escrituras têm o cuidado de afirmar que nenhum dos ossos de Jesus foi quebrado (João 19:33–36). Como o verdadeiro Cordeiro da Páscoa, os Seus ossos tinham que permanecer inteiros (ver Êxodo 12:46 e Números 9:12).
Jesus se identificou como “o pão vivo que desceu do céu” (João 6:51). Assim como o pão físico deve ser “partido” ou rasgado para ser compartilhado com os outros, assim também o corpo de Jesus teve que ser “partido” ou ferido na cruz para beneficiar o mundo. Assim como o pão físico serve para manter a saúde corporal, assim o corpo de Jesus proporciona saúde espiritual ao crente.
A declaração de Jesus: “Este é o meu corpo” é interpretada literalmente no catolicismo romano, resultando na doutrina da transubstanciação (o pão se torna o próprio corpo de Cristo). Acreditamos que essa doutrina esteja errada. Uma razão é que, quando Jesus chamou o pão de Seu corpo, Ele estava fisicamente presente com os Seus discípulos, com o Seu corpo intacto. Como Ele poderia literalmente oferecer o Seu corpo partido aos Seus discípulos na noite anterior à Sua morte?
Além disso, o contexto da refeição da Páscoa é totalmente simbólico. Quase todos os elementos da refeição representavam algo mais. Jesus tomou dois desses elementos e lhes conferiu um novo significado simbólico, pois Ele era o cumprimento de tudo o que a Páscoa representava. A partir de então, sempre que os crentes judeus celebravam a refeição da Páscoa, eles pensavam no novo significado que Jesus havia dado ao pão e ao cálice final. E os crentes gentios, que nunca haviam participado de uma refeição da Páscoa, celebravam a “Ceia do Senhor”.
Outra evidência de que Jesus estava falando simbolicamente é encontrada em João 6:53–58. Lá, Jesus diz à multidão: “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.”
Quando Jesus falou sobre comer a Sua carne em João 6, Ele já havia dado à multidão uma indicação de que estava falando figurativamente. Anteriormente, nos versículos 32–33, Jesus havia se chamado de pão, comparando-se ao maná no deserto. Quando o povo pediu que lhes fosse dado esse pão, Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35). Como que para esclarecer qualquer mal-entendido, Jesus então distingue o físico do espiritual: “O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita. As palavras que eu lhes tenho falado são espírito e são vida” (João 6:63).
Independentemente de Jesus ter falado ou não de Seu corpo “partido” na Última Ceia, o pão simbolizava o Seu corpo que em breve seria sacrificado na cruz. De acordo com João 6:35, pode-se “comer” o corpo quebrado de Jesus ao “vir” a Ele e “beber” o Seu sangue ao crer nEle. Jesus também enfatiza a fé (que o ato de comer simboliza) em João 6:36, 40 e 47.
Mais uma vez, todo o contexto da Última Ceia é simbólico. Não participamos de Jesus comendo fisicamente o Seu corpo. “A carne para nada aproveita” (João 6:63). Em vez disso, participamos de Jesus vindo a Ele com fé, confiando que o Seu corpo partido (e o Seu sangue derramado) é o único sacrifício aceitável por nossos pecados. O pão comemora o Seu corpo entregue por nós e, quando participamos dele, afirmamos a nossa fé e comunhão em Cristo.