Pergunta

Gritar é pecado? É pecado gritar?

Resposta
Gritar não é pecado em si mesmo. Às vezes podemos gritar de dor (Isaías 26:17; Apocalipse 12:2), clamar em oração angustiada (Atos 7:59–60), pedir socorro aos gritos (Salmo 88:1; Mateus 27:46) ou levantar a voz para chamar a atenção de alguém (Atos 14:10; 16:28). Nessas situações, gritar não é pecado. Mas quando perdemos o controle das emoções em uma explosão violenta de ira contra alguém, provavelmente ultrapassamos a linha para um comportamento pecaminoso.

A Bíblia diz: “Fiquem irados e não pequem” (Efésios 4:26; veja também Salmo 37:8). Isso significa que é aceitável sentir a emoção da ira, desde que não ajamos de maneira negativa e prejudicial contra os outros. Em Gálatas 5:20, o apóstolo Paulo inclui “explosões de ira” em uma categoria de pecados chamada “obras da carne”. A ira humana é explosiva, agressiva e hostil para com os outros. Quando a nossa raiva transborda em gritos carregados de emoção, então, sim, isso é pecado.

Precisamos aprender a lidar com a ira de maneira construtiva para não descarregarmos sobre os outros em explosões pecaminosas, dando ao diabo uma oportunidade ou “brecha” para agir contra nós (Efésios 4:27). Talvez a forma mais prejudicial de gritar aconteça quando um pai ou mãe responde à desobediência de um filho com ira descontrolada. Esses ataques verbais sem domínio próprio jamais devem ser defendidos ou desculpados como “temperamento forte” ou “perder a cabeça”. Não importa o quão desagradável seja o comportamento da criança, isso não justifica a nossa falta de autocontrole.

Diversos provérbios testemunham o resultado desfavorável da ira furiosa:

• “Palavras precipitadas são como pontas de espada, mas as palavras dos sábios são remédio” (Provérbios 12:18).

• “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15:1; veja também Provérbios 15:18; 18:21; 29:11, 22).

Se lutamos contra o hábito de gritar ao disciplinar nossos filhos, precisamos entender que tal comportamento é pecaminoso. A Escritura diz: “Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Romanos 6:13).

Gritar com raiva contra nossos filhos (ou qualquer pessoa) é inaceitável para o cristão guiado pelo Espírito. Precisamos resistir ao impulso de satisfazer a carne, pois a Bíblia diz que não devemos ser controlados pela natureza pecaminosa, mas pelo Espírito de Deus que habita em nós (veja Romanos 8:9). Não devemos nos render à carne, mas ao Espírito Santo. Caso contrário, gritar com nossos filhos provavelmente terá consequências indesejadas:

• Nossa disciplina perderá o efeito desejado.

• Nossos filhos aprenderão a copiar o nosso comportamento pecaminoso.

• Causaremos medo, estresse e ansiedade em nossos filhos.

• Nós os feriremos emocionalmente com palavras duras.

• Eles perderão o respeito por nós.

• No fim, afastaremos nossos filhos, prejudicando nosso relacionamento com eles.

Pais que desejam manter um relacionamento próximo com seus filhos e ajudá-los a crescer emocionalmente saudáveis e fortes na fé buscarão a ajuda do Senhor para controlar a sua ira. Eles se arrependerão e pedirão perdão ao Senhor quando cederem à raiva.

A Escritura ensina que os pecados da carne devem ser crucificados (veja Gálatas 5:24; Romanos 6:1–23; Colossenses 3:5–25). Jesus Cristo realizou essa obra por nós na cruz, mas precisamos nos render a essa verdade. Paulo explica: “Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne, como se estivéssemos obrigados a viver segundo a carne. Porque, se vocês viverem segundo a carne, caminharão para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificarem os feitos do corpo, certamente viverão. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8:12–14).

Temos a escolha de não gritar ao disciplinar nossos filhos. Podemos aprender maneiras que honram a Deus para corrigir o mau comportamento deles — maneiras muito mais eficazes do que gritar. Em vez de levantar a voz contra familiares e pessoas amadas (ou qualquer outra pessoa), devemos “nunca tratá-los com aspereza” (Colossenses 3:19). Devemos “procurar viver em paz com todos e buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).