Pergunta

O que significa entristecer o Espírito Santo (Efésios 4:30)?

Resposta
Em uma extensa instrução prática sobre a vida santa (Efésios 4:17—5:21), o apóstolo Paulo diz aos crentes: “E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30, NAA). Seu mandamento para não entristecer o Espírito faz parte das instruções iniciais de Paulo sobre o que não fazer para cultivar a santidade e andar em pureza cristã.

A palavra grega traduzida como “entristecer” em Efésios 4:30 significa “causar tristeza, dor, infelicidade ou angústia”. Como a terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo possui personalidade e capacidade de sentir emoções como alegria (Lucas 10:21), indignação (Hebreus 10:29) e tristeza (Efésios 4:30).

Em Atos 7:51, Estêvão condena o ato de “resistir” ao Espírito, e em 1 Tessalonicenses 5:19 Paulo instrui os crentes a não “apagar” o Espírito. Mas a única vez em que “entristecer” o Espírito é mencionado no Novo Testamento é aqui em Efésios 4:30. O mandamento de Paulo parece ser inspirado em dois versículos do Antigo Testamento que falam do Espírito de Deus sendo “afligido”, “entristecido” (Isaías 63:9–10) e “amargurado” (Salmo 106:33). Tanto em Isaías 63:9–10 quanto em Efésios 4:30, entristecer o Espírito Santo está associado à resposta inadequada do povo de Deus à Sua redenção.

A expressão “não entristeçam o Espírito” parece complementar a exortação inicial de Paulo: “Por isso eu, o prisioneiro no Senhor, peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor, fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:1–3, NAA). Os crentes entristecem o Espírito quando não mantêm paz e harmonia no corpo de Cristo.

Paulo então apresenta maneiras específicas pelas quais entristecemos o Espírito ao viver como vivíamos antes da salvação, quando estávamos “separados da vida que Deus dá” (Efésios 4:17–19, NAA). Nós O entristecemos quando não falamos a verdade aos nossos irmãos e irmãs em Cristo (Efésios 4:25), quando deixamos a ira controlar nossas ações (4:26–27), quando roubamos uns dos outros (4:28) e quando usamos palavras torpes e ofensivas em vez de palavras que edificam e encorajam (4:29). Também entristecemos o Espírito quando não abandonamos “toda amargura, indignação, ira, gritaria e blasfêmias, bem como toda maldade” (Efésios 4:31, NAA) e quando deixamos de ser “bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, como também Deus, em Cristo, perdoou vocês” (Efésios 4:32, NAA).

O Espírito Santo de Deus habita no cristão (João 14:17; 2 Timóteo 1:14). Nós somos o Seu templo (1 Coríntios 3:16), e, quando não andamos na santidade e no amor de Cristo nem em harmonia com os demais crentes, entristecemos o Espírito de Deus com nossos pensamentos e comportamentos pecaminosos (Efésios 5:1–21).

Entristecer o Espírito Santo é semelhante a “apagar” o Espírito Santo (1 Tessalonicenses 5:19), pois ambos afetam negativamente o crente, a igreja e o mundo. Apagar o Espírito fala de sufocar ou reprimir o fogo do Espírito de Deus que arde em cada crente. O Espírito Santo deseja expressar-Se em nossas ações e atitudes. Quando não permitimos que o Espírito de Deus seja visto em nosso comportamento, quando fazemos aquilo que sabemos ser errado, reprimimos ou apagamos o Espírito. Não permitimos que o Espírito Se revele como deseja, com “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22–23, NAA).

Tanto apagar o Espírito quanto entristecer o Espírito impedem uma vida piedosa. Ambos acontecem quando pecamos contra Deus e seguimos nossos próprios desejos mundanos, vivendo como vivíamos antes de aceitar a salvação em Cristo. O único caminho correto a seguir é aquele que leva o crente para mais perto de Deus e da pureza, e para mais longe do mundo e do pecado. Assim como não gostamos de ser entristecidos e não buscamos apagar aquilo que é bom, também não devemos apagar nem entristecer o Espírito Santo ao nos recusarmos a seguir a Sua direção.