Pergunta

O que é o criacionismo fiat?

Resposta
O início do universo fascina as pessoas há milênios. Alguns acreditam que sua origem seja exclusivamente resultado de processos naturais que ocorreram ao longo de bilhões de anos. Outros acreditam que o universo se materializou quando Deus, por vontade própria, o criou com uma palavra. Essa visão — de que Deus criou o universo por meio de uma ordem direta — é chamada de “criacionismo fiat”.

A palavra “fiat” refere-se a um decreto autoritário. Ela deriva de uma palavra latina com a mesma grafia, que significa “haja”. Nas primeiras traduções latinas da Bíblia, “fiat” aparece seis vezes no primeiro capítulo de Gênesis. Sua primeira ocorrência encontra-se na frase “fiat lux”, que significa “haja luz” (Gênesis 1:3). A palavra descreve Deus chamando à existência diferentes aspectos da ordem criada (ver Gênesis 1:6, 9, 14, 20, 24).

O criacionismo fiat é teologicamente consistente com o ensinamento da Bíblia sobre a natureza da Palavra de Deus. Isaías 55:11 diz que uma característica central da Palavra de Deus é que ela nunca falha: “assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (NAA). Por exemplo, a Palavra de Deus salvou instantaneamente pessoas da calamidade: “Enviou-lhes a sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal” (Salmos 107:20). Além disso, quando o diabo tentou Jesus, o Senhor expressou fé na Palavra de Deus para sustentá-Lo diretamente: “O homem não viverá só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4; cf. Deuteronômio 8:3). Esses exemplos afirmam que a Palavra de Deus tem o poder de promulgar e cumprir imediatamente os decretos de Deus, refletindo a essência do criacionismo fiat.

O criacionismo fiat é compatível com certas visões que os cristãos têm sobre as origens do universo, mas não com outras. Por exemplo, ele se alinha ao criacionismo da Terra jovem, a posição do Got Questions Ministries. De acordo com essa interpretação, o relato da criação descreve sete períodos consecutivos de 24 horas que ocorreram entre 6.000 e 10.000 anos atrás. Em contraste com a evolução lenta que levaria bilhões de anos, Deus falou cada aspecto da criação à existência instantaneamente. Por exemplo, quando Deus chamou os animais terrestres à existência, eles apareceram imediatamente: “E Deus disse: 'Que a terra produza seres vivos, conforme a sua espécie: animais domésticos, animais que rastejam e animais selvagens, segundo a sua espécie.' E assim aconteceu” (Gênesis 1:24, ênfase adicionada).

No entanto, o criacionismo fiat não é compatível com o criacionismo da Terra antiga, também chamado de “criacionismo progressivo” ou “criacionismo dia-era”. De acordo com essa visão, os “dias” mencionados no relato da criação descrevem sete períodos de tempo desiguais, cada um consistindo em bilhões de anos. Cada “dia” na passagem reflete um resumo simbólico das mudanças que ocorreram ao longo de bilhões de anos.

O criacionismo fiat apresenta vários graus de compatibilidade com outras visões sobre a origem do universo. Primeiro, ele não é compatível com a evolução teísta, que postula que Deus guiou o processo evolutivo pelo qual o mundo natural evoluiu gradualmente ao longo de bilhões de anos. Segundo, embora os defensores do design inteligente concordem que há um projeto proposital na criação e rejeitem explicações puramente darwinianas para a origem do universo, eles não chegam a um consenso quanto a Deus ter chamado a criação à existência por meio de comandos diretos. Em terceiro lugar, a teoria da lacuna sustenta que bilhões de anos se passaram entre Gênesis 1:1 e 1:2, mas o período subsequente de seis dias (Gênesis 1:3—2:3) consistiu em criações instantâneas trazidas à existência por meio de comandos diretos de Deus. Em quarto lugar, os adeptos da visão estrutural do relato da criação postulam que o relato da criação não é científico nem histórico, mas contém meramente uma estrutura literária para transmitir a verdade teológica. Portanto, ela não aborda e, consequentemente, não afirma o criacionismo fiat.

A visão mais comum da origem do universo entre os não cristãos hoje é o oposto do criacionismo fiat. Ela atribui o início do universo ao chamado “Big Bang”, que se supõe ter ocorrido há 13,8 bilhões de anos. O termo Big Bang é um equívoco porque, embora os defensores acreditem que o suposto evento tenha sido “grande”, eles não sustentam que tenha ocorrido um “bang” no sentido de um som alto ou de uma explosão. De acordo com a teoria, o universo começou em um estado quente e denso e vem se expandindo lentamente desde então. Os defensores do Big Bang sustentam que não houve um momento singular que possa ser comparado a um surgimento repentino e por decreto do universo material. Portanto, o criacionismo por decreto e o Big Bang são posições incompatíveis.

O criacionismo por decreto reflete a fé no poder de Deus, que Jeremias relaciona ao início do universo quando escreve: “Ah! Senhor Deus, eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; nada é demasiadamente difícil para ti” (Jeremias 32:17). O salmista ilustra que a resposta apropriada ao refletir sobre o poder de Deus é o louvor: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso” (Salmo 147:5).