Pergunta

O que é o Testamento de Salomão?

Resposta
O Testamento de Salomão é uma obra escrita séculos após o nascimento de Cristo que afirma registrar as aventuras sobrenaturais de Salomão, filho do rei Davi. O Testamento de Salomão é estruturado de certa forma como uma confissão no leito de morte ou uma carta destinada aos herdeiros. A maior parte do livro descreve a escravização de demônios por Salomão e sua construção do templo com o poder de um anel mágico. O Testamento de Salomão tem uma data de redação extremamente tardia, mistura várias ideias religiosas e está profundamente ligado à astrologia. O livro nunca foi aceito como verdade, muito menos como Escritura, pela igreja primitiva ou pelas comunidades judaicas.

De acordo com o Testamento de Salomão, um menino que trabalha no templo é atormentado por um demônio que suga sua força vital pelo polegar direito. Salomão ora por causa desse problema e recebe um anel mágico do anjo Miguel. Esse objeto às vezes é chamado de Selo de Salomão e supostamente tinha o formato de um pentagrama ou de um hexagrama (como a Estrela de Davi). Usando o anel, Salomão escraviza os demônios e os força a trabalhar no projeto do templo. Salomão também é capaz de interrogar os demônios, aprendendo quais problemas eles causam e como derrotá-los.

Essas histórias misturam ideias espirituais gregas, egípcias e cristãs. O Testamento de Salomão está profundamente ligado à astrologia; os demônios estão associados a várias estrelas e constelações. Um tipo de alquimia médica também é predominante. Os demônios que falam com Salomão assumem a culpa por certas doenças e relacionam feitiços que podem ser usados para remover seu poder. Muitos dos nomes dados aos demônios nessa obra foram infames na mitologia e na literatura, nomes como Asmodeus e Abyzou.

O Testamento de Salomão é datado de algum lugar entre os séculos III e V, quase 1.500 anos após a vida do próprio Salomão. Em termos de valor, o Testamento de Salomão é útil apenas para se ter uma ideia das lendas e dos mitos relacionados a Salomão. Os historiadores observam que Salomão era um tema popular de histórias durante o início da era cristã. Relatos fictícios, como o Testamento de Salomão, refletem esse interesse. O conteúdo desse texto não está de acordo com as Escrituras inspiradas e não foi aceito em nenhum sentido pela igreja primitiva. Os estudiosos judeus também o consideravam fictício.