Pergunta

O que significa que o reino de Deus não está nas palavras (1 Coríntios 4:20)?

Resposta
Em 1 Coríntios 4:20, o apóstolo Paulo declara: “Porque o Reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (NAA). Com essa afirmação, Paulo distingue claramente entre a retórica vazia e o poder genuíno e transformador do evangelho. Vamos revisar o contexto de 1 Coríntios 4:20 para entender melhor o significado de “o reino de Deus consiste não em palavra”.

Paulo está escrevendo a uma igreja de Corinto dividida, que havia formado facções em torno de diferentes líderes (1 Coríntios 1:10–12). Nos primeiros capítulos desta carta, Paulo redireciona o foco deles da sabedoria humana e da eloquência para Cristo crucificado (1 Coríntios 1:23). No entanto, em 1 Coríntios 4:14–21, Paulo adota um tom pastoral. Ele não está tentando envergonhá-los, mas admoestá-los como filhos amados (versículo 14).

Paulo, como seu pai espiritual, encoraja os crentes em Corinto a imitá-lo (1 Coríntios 4:15–16). Ele até enviou Timóteo para lembrá-los de seus caminhos em Cristo (versículo 17). Infelizmente, alguns coríntios haviam se tornado arrogantes e agiam como se Paulo não fosse voltar para corrigi-los (versículo 18). Paulo diz: “Mas, em breve, se o Senhor quiser, irei visitá-los, e então conhecerei não a palavra, mas o poder desses orgulhosos. Porque o Reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder. O que vocês preferem? Que eu vá até aí com um chicote ou com amor e espírito de mansidão?” (1 Coríntios 4:19–21).

O contraste entre palavra e poder em 1 Coríntios 4:20 não descarta o valor da pregação centrada no evangelho. Pelo contrário, ele vai além da retórica vazia para chegar ao poder de Deus em Cristo. Os coríntios ficavam impressionados com discursos eloquentes, mas Paulo lhes lembra que a essência do reino de Deus reside no poder vivificante do evangelho.

No início da carta, Paulo escreveu: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé que vocês têm não se apoiasse em sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1 Coríntios 2:4-5, NAA). O poder de Deus não é uma “força” impessoal, mas a obra do Espírito Santo autentica o evangelho, produz fé e arrependimento e nos santifica.

O evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16). O poder de Deus é demonstrado no presente e no futuro, onde quer que a Sua vontade seja feita e a Sua soberania seja abraçada. Em Romanos 14:17, Paulo define o reino de Deus como “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Justiça, paz e alegria são realidades vividas no reino de Deus.

Como tal, o reino “não está nas palavras” (1 Coríntios 4:20). Os coríntios, alguns dos quais eram oradores poderosos, careciam de evidências de uma vida centrada no evangelho. Retórica grandiosa e discursos floreados não produzem o fruto do Espírito. Os pregadores devem viver o que pregam, produzindo frutos de “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22–23).

Jesus prometeu aos Seus discípulos: “Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra” (Atos 1:8). A testemunha mais poderosa é uma vida dedicada a Cristo. Paulo escreve: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência de que com simplicidade. Alguns manuscritos trazem santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas na graça divina, temos vivido no mundo, especialmente em relação a vocês” (2 Coríntios 1:12). Estamos nos conduzindo de acordo com a sabedoria humana ou com a graça de Deus? Nossas vidas demonstram que o reino de Deus “não está na palavra, mas no poder”?