Pergunta
Onde Jesus Cristo aparece em Gênesis?
Resposta
Os eventos registrados no Gênesis ocorreram milhares de anos antes do nascimento de Jesus Cristo. No entanto, Jesus ensinou que essas histórias, em última análise, apontam para Ele. Em uma conversa com os fariseus, referindo-se ao Antigo Testamento, Ele disse: “Vocês examinam as Escrituras, porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5:39). Isso significa que os relatos sobre pessoas como Adão, Abraão, Jacó e José, no Gênesis, apontam todos para Jesus. Esses testemunhos assumem a forma de profecias, tipologia e cristofanias.
A primeira profecia da Bíblia, registrada logo no terceiro capítulo, trata da vitória de Jesus sobre Satanás. Os estudiosos chamam-na de “protoevangelho”, que significa “primeiro evangelho”. Quando Deus julgou a serpente por ter enganado Adão e Eva, Ele predisse sua derrota: “Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gênesis 3:15). Isso significa que a descendência da mulher — o Messias — desferiria um golpe fatal na serpente, enquanto Ele próprio sofreria apenas um ferimento temporário. Essa profecia antecipa a vitória final de Jesus sobre Satanás (Romanos 16:20), que Ele garantiu na cruz (Hebreus 2:14).
O primeiro homem, Adão, é um tipo de Cristo. Um tipo é uma pessoa, um lugar ou um evento no Antigo Testamento que prenuncia uma parte futura do plano de Deus. O Novo Testamento ajuda os leitores a identificar e compreender os tipos. Paulo se referiu a Adão como “o qual prefigurava aquele que havia de vir” (Romanos 5:14, NAA). Assim como Adão agiu em nome da humanidade quando pecou, Jesus agiu em nome das pessoas quando morreu. A desobediência de Adão trouxe pecado e morte àqueles que ele representava, enquanto a obediência de Jesus trouxe justiça e vida àqueles que depositam sua confiança nEle (2 Coríntios 5:21).
A história de Abraão em Gênesis testifica a respeito de Jesus de várias maneiras. A primeira é uma profecia sobre a sua descendência (Gênesis 17:7–8). Paulo diz que essa promessa antecipava uma única pessoa “que é Cristo” (Gálatas 3:16). Em Jesus, Deus cumpriu a Sua promessa de que “todas as nações da terra serão abençoadas por meio de” Abraão (Gênesis 12:3). A bênção prometida vem por meio do evangelho, que Jesus proclamou a pessoas de todas as nações (Mateus 28:19–20; Apocalipse 7:9).
A história de Abraão também contém um tipo de Cristo na pessoa de Melquisedeque, um sacerdote e rei justo. O Novo Testamento ensina que Jesus também é um rei e sacerdote justo. Além disso, assim como a oferta de pão e vinho de Melquisedeque a Abraão, Jesus oferece pão e vinho como símbolos de Seu corpo e sangue àqueles que creem nEle (Gênesis 14:18; Hebreus 7:1–17). Outra maneira pela qual Melquisedeque aponta para Jesus é que o seu sacerdócio é apresentado sem uma genealogia registrada. Isso prenuncia o sacerdócio de Jesus, que se baseia no plano de Deus, e não na descendência hereditária (Hebreus 7:3, 13–17).
Outra forma pela qual Gênesis aponta para Jesus é por meio das cristofanias — aparições físicas de Jesus séculos antes de Seu nascimento. Um dos três homens que apareceram a Abraão em Manre é chamado de “SENHOR” — YHWH em hebraico. No entanto, a passagem também se refere a ele como um homem, embora Ele fale como Deus (Gênesis 18:1–2, 20). Esse visitante foi uma aparição pré-encarnada de Cristo, ou seja, uma aparição dEle antes de Seu nascimento como homem.
A história do quase sacrifício de Isaque por Abraão também contém dois tipos importantes. Assim como Jesus, Isaque era um filho amado por seu pai (Gênesis 22:2; João 3:16). Pouco antes de Abraão quase matar Isaque, Deus o impediu. De acordo com o Novo Testamento, Abraão receber Isaque de volta da morte foi “um tipo” (Hebreus 11:19). Assim, a ressurreição figurativa de Isaque prenunciou a ressurreição literal de Jesus (Mateus 28:1–10; 1 Coríntios 15:20–22). Abraão então sacrificou um carneiro como substituto de Isaque, o que simbolizou a morte de Jesus no lugar dos pecadores (2 Coríntios 5:21).
Outro tipo aparece mais adiante em Gênesis, na profecia de Jacó sobre seus filhos: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão sairá de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos” (Gênesis 49:10). O cetro e o bastão simbolizam autoridade real. Jesus, descendente de Judá, cumpre essa profecia como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Mateus 1:1–3; Apocalipse 19:16). João também retrata Jesus reinando de Seu trono e o chama de “o Leão da tribo de Judá” (Apocalipse 1:1; 5:5).
Embora as principais profecias sobre Jesus tenham sido discutidas, Gênesis contém outros tipos e cristofanias. A arca de Noé, que resgatou o povo de Deus do julgamento (Gênesis 6–8), é um tipo de Cristo. Da mesma forma, a escada de Jacó, que ligava o céu à terra (Gênesis 28:12; João 1:51), é um tipo de Cristo. José, que foi rejeitado, exaltado e salvou o seu povo, também é um tipo de Cristo (Gênesis 37–50; Isaías 52:13–15; 53:10–12). Outras cristofanias também ocorrem, algumas envolvendo o Anjo do Senhor, que fala do céu, jura por Si mesmo e abençoa Abraão (Gênesis 22:15–19). Outra cristofania aconteceu quando Jacó lutou com um homem misterioso, dizendo mais tarde que havia visto “Deus face a face” (Gênesis 32:30).
Embora Gênesis ensine sobre temas importantes como a humanidade, o pecado e Israel, sua mensagem principal é sobre Jesus. Após a sua ressurreição, Jesus disse aos seus discípulos: “São estas as palavras que eu lhes falei, estando ainda com vocês: era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito a respeito de mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24:44). Gênesis, o primeiro livro da Lei de Moisés, aponta para o dia em que o Criador revelado em Gênesis 1–2 entrou na sua própria criação na pessoa de Jesus, para buscar e salvar o que estava perdido (João 1:14; Lucas 19:10).
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