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Pergunta

Por que Jesus disse: "Eu não vim trazer a paz" (Mateus 10:34)?

Resposta


Os ensinamentos de Jesus sempre deixaram os Seus ouvintes perplexos, e isso não mudou até hoje. O leitor moderno da Bíblia fica perplexo com algumas declarações intrigantes e aparentemente ofensivas, como Mateus 10:34: "Não pensem que eu vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada."

Jesus não veio trazer paz, mas uma espada? O que está acontecendo? Nós o chamamos de Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Jesus também tinha muito a dizer sobre amar os inimigos (Mateus 5:44; Lucas 6:27-28), perdão (Mateus 6:14-15; 18:21-22; Marcos 11:25; Lucas 6:37) e não retaliação (Mateus 5:38-39, 44; Lucas 6:27-29). Ele também advertiu Pedro quando este bateu no servo do sumo sacerdote, dizendo-lhe: "Guarda a tua espada" (Mateus 26:52). Como, então, entendemos as palavras "Não vim trazer paz, mas espada"?

Essa declaração difícil fica mais clara quando examinamos os versículos ao redor. Aqueles que usam a declaração de Jesus de que Ele não veio trazer paz, mas uma espada, para minar a credibilidade do Senhor devem ignorar os ensinamentos completos das Escrituras e tirar o versículo do contexto.

Mateus 10 começa com Jesus enviando os Seus discípulos em uma missão, fornecendo-lhes instruções e informações cruciais. Ele lhes diz para se concentrarem em Israel (Mateus 10:6), realizarem milagres (versículo 8), proclamarem a chegada do reino (versículo 7), etc. Ele também avisa que eles serão odiados por causa dEle (versículo 22).

Nesse capítulo, Jesus revela um conflito entre aqueles que acreditam nEle e aqueles que não acreditam - um conflito que ainda é evidente em nosso mundo. A cruz reconcilia a humanidade com Deus, mas entre os seres humanos haverá uma divisão, pois nem todos se unirão à Equipe Jesus. Embora sejamos chamados a buscar a paz (Romanos 12:18; Hebreus 12:14), precisamos entender a separação que Jesus traz.

Jesus é e sempre foi uma figura polarizadora. Os fariseus estavam divididos sobre quem Ele era (João 9:16). Entre as multidões que ouviam Jesus falar, "uns diziam: 'Ele é bom.' E outros afirmavam: 'Não, não é! Ele engana o povo'" (João 7:12). Havia uma variedade de opiniões sobre a Sua identidade, conforme relataram os discípulos: "Uns dizem que é João Batista; outros dizem que é Elias; e outros dizem que é Jeremias ou um dos profetas" (Mateus 16:14).

A verdade, por sua própria natureza, é separada da mentira. A espada da verdade que Jesus empunha divide até mesmo os membros da família: "Pois vim causar divisão entre o homem e o seu pai; entre a filha e a sua mãe e entre a nora e a sua sogra. Assim, os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria casa" (Mateus 10:35-36, citando Miquéias 7:6). Devido à aceitação ou rejeição da verdade pelas pessoas, Jesus estava certo ao dizer que não veio trazer paz, mas uma espada.

Paulo faz uma série de perguntas retóricas em 2 Coríntios 6:14-16 que confirmam que Jesus não veio para trazer paz, mas uma espada: "Não se ponham em jugo desigual com os descrentes. Pois que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão existe entre a luz e as trevas? Que harmonia pode haver entre Cristo e o Maligno? Ou que união existe entre o crente e o descrente? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivo, como ele próprio disse: 'Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.'" Ninguém pode servir a dois senhores (Mateus 6:24); pegar a própria cruz e seguir a Cristo é dar as costas ao mundo.

Certa vez, o Christian Post publicou um artigo sobre o falecido apologista Nabeel Qureshi. Qureshi descreveu sua conversão do Islã ao cristianismo como "a decisão mais difícil" de sua vida. Ele disse ainda: "Pedi a Deus que me matasse porque perdi a minha família. Perdi os meus amigos na mesquita. Perdi todas as pessoas que me amavam no momento em que me tornei cristão" (Smith, S., "Former Muslim Nabeel Qureshi Prayed for God to Kill Him After Converting to Christianity", 19 de julho de 2016). Esse tipo de afastamento é um exemplo da verdade de Mateus 10:34 e é uma luta enfrentada por muitos ex-muçulmanos.

Em uma "cultura cristã", o comprometimento total com Cristo também pode gerar uma espada. O devoto seguidor de Jesus pode ser ridicularizado, chamado de "mais santo do que você", mal compreendido ou envergonhado. Mesmo nos melhores cenários, o estilo de vida de um cristão genuíno é diferente daquele de alguém que apenas professa a religião.

Identificar-se com Jesus tem um grande custo. Exige uma reordenação de prioridades, abnegação e a possível separação dos entes queridos. Assim como um cônjuge deseja comprometimento total, Jesus exige o mesmo. A melhor parte é que Ele iniciou a aliança ao derramar o Seu sangue por nossos pecados. Ele deu o primeiro passo, e o Espírito Santo nos capacita mesmo quando respondemos.

A declaração: "Não vim trazer a paz, mas a espada" deve trazer conforto para aqueles que estão trilhando um caminho semelhante ao de Qureshi. Nada pega Deus de surpresa, e as perseguições enfrentadas pelos cristãos nesta vida acabarão levando à glória. Se Jesus já sabia o impacto divisor que teria, então podemos confiar que Ele sabe o que está fazendo. Enquanto isso, oramos por nossos entes queridos não salvos, buscamos oportunidades de evangelizar e vivemos vidas que glorificam a Deus.

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