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Pergunta

Quem é o Espírito da verdade em João 14:17?

Resposta


Em João 14:17, Jesus diz: “... é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele habita com vocês e estará em vocês” (NAA). Como a NAA capitaliza “Espírito”, leitores modernos podem facilmente inferir que o espírito em questão é o Espírito Santo. Para entender por que Jesus se refere ao Espírito Santo como o “Espírito da verdade”, vamos revisar o contexto de João 14.

João 14 faz parte do Discurso do Cenáculo (João 13–17), uma série de ensinamentos dados por Jesus aos Seus discípulos na noite anterior à Sua crucificação. Nesses momentos finais, os discípulos estavam profundamente aflitos com a iminente partida de seu amado amigo, Jesus (João 14:1). Por isso, Jesus dedicou um tempo prolongado para acalmar seus corações perturbados e assegurar-lhes que “outro Consolador” estava a caminho (João 14:16).

O termo grego traduzido como “Consolador” (João 14:16, 26; 15:26; 16:7) é paráklētos. A forma dessa palavra é passiva e significa “aquele que é chamado para estar ao lado”. A pedido do Filho, o Pai enviará outro Consolador para encorajar e exortar os discípulos.

O uso que João faz da palavra “outro” implica que os discípulos já tinham um consolador — aquele que em breve deixaria o mundo. Embora os evangelhos não se refiram explicitamente a Jesus como um paráklētos, o termo é aplicado a Ele em 1 João 2:1. Assim, no contexto de João 14:16, Jesus promete enviar aos Seus discípulos um consolador do mesmo tipo, e esse consolador continuaria o ministério que Jesus havia iniciado.

Em João 14:17, a identidade desse consolador é revelada: Ele é o Espírito da verdade (cf. João 15:26; 16:13). O Espírito da verdade é Deus, o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade. O Pai enviará o Espírito para estar ao lado dos discípulos. Ele é chamado de Espírito da verdade porque dá testemunho da verdade de Jesus Cristo (ver João 14:6).

Em contraste com a obra do Espírito Santo está a obra do diabo, um ser que não permanece “na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). Como o mundo incrédulo permanece preso a enganos satânicos, ele não pode receber o Espírito da verdade (cf. 1 Coríntios 2:14). Tragicamente, os incrédulos preferem andar por vista e não por fé, sem compreender que a visão não garante nada.

No momento de Seu batismo, Jesus recebeu o Espírito Santo: João testemunhou: “Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele” (João 1:32). Assim, em certo sentido, o Espírito da verdade já estava com os discípulos. Após a partida de Jesus, porém, os discípulos conheceriam o Espírito de maneira mais íntima, pois Ele estaria neles (cf. Romanos 8:9–11 e Efésios 1:13–14).

Antes de iniciarem seu ministério, Jesus instruiu os discípulos a permanecerem em Jerusalém até a vinda prometida do Espírito Santo: “E, comendo com eles, deu-lhes esta ordem: 'Não se afastem de Jerusalém, mas esperem a promessa do Pai, a qual vocês ouviram de mim. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias'” (Atos 1:4–5). Quando o Espírito Santo veio sobre eles, foram plenamente capacitados para proclamar o evangelho de Jesus Cristo (verso 8).

Os crentes devem ser gratos porque o Espírito da verdade está conosco, em nós e sobre nós. Pois, sem Sua orientação e luz, não poderíamos distinguir a verdade do erro.

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