Pergunta
O que foi a Controvérsia do Declínio?
Resposta
Em 1887 e 1888, o renomado pastor Charles Spurgeon esteve envolvido no que ficou conhecido como a Controvérsia do Downgrade (mantendo o termo original em inglês, também grafada Controvérsia do Declínio). Nesse contexto, a palavra grade é utilizada no sentido arquitetônico, de construção ou engenharia; ou seja, refere-se à inclinação do terreno. Se o terreno estiver inclinado para baixo, é uma inclinação descendente. O termo <i>downgrade</i>, conforme utilizado por Spurgeon, significava praticamente o mesmo que nosso termo ladeira escorregadia. A ideia é que as coisas estão começando a dar errado e, uma vez que isso ocorra, será quase impossível impedir que piorem.
Nos últimos anos de vida de Charles Spurgeon, ele começou a discordar veementemente de muitos membros da União Batista, organização da qual fazia parte. A questão era a pureza doutrinária e o ensino bíblico. Alguns, incluindo Spurgeon, alertaram que a União Batista estava em uma ladeira escorregadia doutrinariamente, pois certos compromissos estavam sendo feitos com o erro. O termo "downgrade" (declínio) foi cunhado por Robert Schindler em um artigo que escreveu para a revista de Spurgeon, Sword and Trowel. No artigo, Schindler alertou que alguns ministros estavam em um "declínio” que os afastava da doutrina evangélica essencial. Eles estavam se afastando da verdade das Escrituras, e esse curso descendente deveria ser interrompido antes que causasse danos à igreja (https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/down-grade-controversy, acessado em 27/03/25).
O próprio Spurgeon assumiu a causa e continuou a publicar artigos sobre a Controvérsia do Downgrade em todas as edições de sua revista por aproximadamente dois anos (https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/down-grade-controversy, acessado em 27/03/25).
Havia quatro erros doutrinários fundamentais que alguns membros da União Batista estavam começando a defender: As Escrituras não eram infalíveis, a expiação de Cristo não era substitutiva, o inferno não era eterno (e talvez nem mesmo real) e todos seriam salvos no final (www.spurgeon.org/resource-library/blog-entries/what-was-the-downgrade-controversy-actually-all-about, acessado em 27/03/25). No início da disputa, Spurgeon escreveu: "Nossa guerra é contra homens que estão abandonando o sacrifício expiatório, negando a inspiração das Escrituras Sagradas e difamando a justificação pela fé" (Sword and Trowel, abril de 1887). Durante todo esse período, Spurgeon se recusou a citar nomes, optando por fazer advertências mais gerais.
Essencialmente, Spurgeon estava alertando sobre um liberalismo teológico crescente. Muitas das questões abordadas por Spurgeon ainda são relevantes hoje em dia em várias denominações. O desvio da missão, ou a distorção da missão, é uma realidade em muitas instituições religiosas.
Em outubro de 1887, Spurgeon retirou-se da União porque a liderança não estava levando a sério a questão do "declínio". A renúncia de Spurgeon foi um duro golpe para a denominação. A liderança criticou Spurgeon, dizendo que ele não havia feito o suficiente para tentar a reconciliação antes de se retirar. Assim, o que deveria ser uma disputa sobre questões doutrinárias tornou-se uma questão de política interdenominacional, personalidades e ataques pessoais. A União Batista votou em 1888 para censurar Spurgeon, e a medida foi um grande golpe para ele.
A Controvérsia do Declínio continuou mais tarde, quando alguns, incluindo o irmão de Spurgeon, James, ajudaram a negociar uma nova declaração de fé batista que seria mais evangélica, mas ainda ampla o suficiente para permitir que membros mais liberais a aceitassem. Esse compromisso foi mais uma decepção para Spurgeon. A controvérsia afetou a sua saúde e parece ter consumido os últimos anos de sua vida (https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/down-grade-controversy, acessado em 27/05/25).
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O que foi a Controvérsia do Declínio?
