Pergunta
O que ocorreu no Concílio Vaticano I / Primeiro Concílio Vaticano?
Resposta
O Concílio Vaticano I, ou Vaticano I, foi uma reunião de bispos católicos romanos. Foi convocado pelo Papa Pio IX e realizado entre 1869 e 1870. Cerca de 700 bispos participaram da abertura. Para compreender o que ocorreu no Vaticano I, é importante saber que a Igreja Católica Romana é estruturada em uma hierarquia. O Papa, o Bispo de Roma, é o líder, e abaixo dele há uma série de bispos inferiores que supervisionam os sínodos, ou órgãos governamentais, dentro da organização. A Igreja Católica baseia essa estrutura nos apóstolos originais de Cristo: Pedro, que eles consideram o líder, e os outros apóstolos, que são vistos como bispos inferiores. Várias questões foram discutidas no Vaticano I, a maioria delas administrativas e consideradas um tanto tediosas pelos participantes. Várias doutrinas católicas foram afirmadas, mas a questão central discutida, e a razão pela qual o concílio foi convocado, dizia respeito à infalibilidade do Papa.
A infalibilidade papal não foi realmente questionada no Concílio Vaticano I. Essa doutrina já fazia parte da tradição católica há algum tempo e, sob esse manto de infalibilidade, os papas anteriores introduziram com autoridade outros dogmas, mais notavelmente, em 1854, a Imaculada Conceição de Maria. A ideia de que o papa estava livre de erros quando ensinava definitivamente sobre uma doutrina relativa à fé ou à moral não foi questionada, exceto por um pequeno contingente de bispos presentes no Concílio Vaticano I. No entanto, a definição da doutrina como dogma oficial da Igreja encontrou resistência por outras razões. Muitos dos bispos desejavam declarar a infalibilidade papal com o objetivo de conferir mais autoridade ao Papa. Outros se opunham a isso, alegando que isso afastaria aqueles que viam o dogma como um afastamento dos ensinamentos da Igreja Cristã primitiva. Eles estavam interessados na unidade e temiam que a definição do dogma fosse contra esse objetivo. Também foi proposto que os bispos fossem um órgão governamental coletivo que decidisse sobre a tradição, mas o Papa Pio IX argumentou que somente o Papa decide sobre a tradição. Por fim, o dogma foi aprovado, e o concílio reconheceu formalmente que o Papa tem “pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja” e o declarou infalível quando fala ex cathedra.
O processo de votar uma doutrina como tradição autoritária é específico da Igreja Católica e não possui modelo bíblico. A Bíblia declara que o próprio Cristo é o cabeça da igreja (Efésios 1:22; 5:23; Colossenses 1:18) e, portanto, é a Sua autoridade que devemos seguir. As Escrituras nunca sugerem que Pedro exercia autoridade sobre os outros apóstolos. A ideia católica de sucessão apostólica, assumindo uma linha de líderes que tomariam o lugar de Pedro como líder da cristandade ao longo dos tempos, também não é bíblica. Pedro foi escolhido como um instrumento através do qual Cristo estabeleceu a Sua Palavra, mas nunca houve um mandato para a criação de um cargo papal, muito menos qualquer razão para afirmar a sua infalibilidade.
O objetivo do Concílio Vaticano I era em grande parte de natureza política. De fato, o desenvolvimento da Guerra Franco-Prussiana interrompeu o concílio e forçou-os a adiar a discussão de vários outros tópicos que estavam planejados. O concílio foi suspenso indefinidamente após Roma ser capturada pelo Reino da Itália em 1870. É difícil acreditar que a agenda espiritual de Cristo para a Sua igreja pudesse ser interrompida e adiada por uma guerra humana. Hoje, o Vaticano é considerado um poder político, e há muito tempo é visto dessa forma. Isso também está em desacordo com as Escrituras. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).
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