Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a inquietação?
Resposta
A inquietação é o estado de não conseguir descansar, seja física ou mentalmente. A inquietação pode ser causada por fatores físicos, como o excesso de cafeína, ou por fatores emocionais, como ansiedade, euforia ou apreensão. Sinônimos como “desconforto” e “descontentamento” restringem a definição; portanto, para os fins deste artigo, vamos nos concentrar nas causas mentais, espirituais e emocionais da inquietação e descobrir o que a Bíblia diz a respeito delas.
A inquietação faz parte da experiência humana desde o início da civilização. Parte da maldição que Deus lançou sobre Caim por ter assassinado seu irmão Abel foi esta: “você será fugitivo e errante pela terra” (Gênesis 4:12). Caim nunca encontraria descanso e paz em nenhum lugar.
Trilhar nosso caminho neste mundo por vezes hostil pode ser motivo de muitas noites sem dormir. O salmista descreve a sua inquietação assim: “Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Salmo 42:11) Davi fala de uma noite de inquietação no Salmo 6:6: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.” Pode ser um conforto saber que homens e mulheres que foram poderosamente usados por Deus também lutaram contra crises de inquietação, assim como nós.
A inquietação mental pode ter várias causas, e a Bíblia aborda todas elas. Vejamos algumas delas:
1. Preocupação. Preocupar-se com o que pode acontecer é um problema maior para alguns do que para outros, mas todos nós já passamos por isso. Preocupar-se é simplesmente imaginar um futuro sem Deus. A preocupação é o oposto da fé; portanto, quando nos encontramos preocupados, precisamos enfrentá-la com a verdade. Encontrar passagens das Escrituras que abordam a soberania de Deus sobre os nossos problemas nos dá um alicerce sólido a partir do qual podemos combater a preocupação. Jesus nos disse para não nos surpreendermos com as provações pelas quais passamos e nos lembrou que Ele venceu o mundo (João 16:33). Quando escolhemos descansar em Suas promessas em vez de em nossos medos, a inquietação se acalma.
2. Insatisfação. Às vezes, a inquietação surge quando comparamos a nossa situação com a de outra pessoa. A ostentação do estilo de vida das celebridades nos expõe constantemente a uma realidade exagerada que talvez desejássemos que fosse a nossa. Depois de assistir a vários episódios de “Celebrity Homes” (Casas de Celebridades), a nossa própria casa parece um barraco. Assistir a programas de reforma de casas, comerciais de carros e vencedores da loteria na TV pode gerar um descontentamento inquieto com o que Deus nos deu. Paulo nos desafiou em Filipenses 4:11–13 com a sua decisão de se contentar em quaisquer circunstâncias em que se encontrasse. A sua cura para o descontentamento inquieto era que ele podia tudo naquele que o fortalecia (versículo 13).
A cura para o descontentamento é voltar o nosso foco para o nosso elevado chamado, em vez de para as ofertas mesquinhas do mundo. Quando começamos a considerar as coisas materiais mais desejáveis do que as espirituais, estamos cultivando um terreno fértil para a inquietação. A resposta de Deus é a gratidão. Quando optamos por expressar gratidão ao Senhor por tudo o que Ele nos concedeu, o nosso descontentamento inquieto se acalma.
3. Inatividade. Ficamos inquietos quando ficamos por muito tempo mergulhados na apatia e na insignificância. De certa forma, os ociosos sabem que foram criados para algo mais do que a letargia, mas, por alguma razão, se recusam a seguir em frente. É fácil para qualquer um de nós nos tornarmos preguiçosos e acomodados, sem vontade de nos desafiar para crescer. A nossa zona de conforto pode se estreitar antes que percebamos, e ficamos relutantes em abandoná-la. O preço, no entanto, costuma ser a inquietação.
No caso da inatividade, a inquietação pode ser um bom motivador. Quando finalmente nos cansamos de nos sentir assim, estamos prontos para mergulhar naquilo a que Deus nos chama. Quando ficamos espiritualmente inquietos, a cura é permitir que o Espírito Santo nos encha (Efésios 5:18; Atos 1:8). Ele então nos capacita a dar um passo adiante em obediência. Paulo escreveu que “o amor de Cristo nos domina” (2 Coríntios 5:14). Quando estamos cheios do poder de Cristo, não podemos ficar em silêncio. Não podemos nos contentar com a complacência e a falta de frutos, porque Ele não se contenta (João 15:1–8). A inquietação causada pela apatia pode ser curada quando nos dedicamos à obra eterna que Deus nos deu para realizar (Mateus 28:19).
4. Uma voz suave e tranquila. Há momentos em que Deus nos dá avisos preventivos para que possamos fazer escolhas mais sensatas, em vez de sofrer as consequências das escolhas erradas. A inquietação pode ser causada por sentimentos de desassossego em nosso íntimo que já pouparam muitos de uma catástrofe. Por exemplo, uma estudante universitária sente que não deve voltar para casa por um determinado caminho, então ela toma uma rota diferente, apenas para ler na manhã seguinte sobre um assassinato que aconteceu na hora em que ela normalmente estaria naquele local. Um empresário não consegue ficar tranquilo em relação a uma fusão pendente, então ele cancela a sua oferta. No ano seguinte, a empresa com a qual ele quase fez negócios vai à falência, e ele economiza milhões.
O Senhor pode usar a nossa sensibilidade espiritual para nos alertar, nos preparar ou, de alguma forma, nos informar sobre o que Ele deseja que saibamos. Quando vivemos com sensibilidade ao Espírito Santo, aprendemos a dar ouvidos àquela voz mansa e suave (Romanos 8:14). A. W. Tozer, em seu livro best-seller A Busca de Deus, chama esse discernimento de “receptividade espiritual”. Quando afinamos o nosso espírito para andar em sintonia com o Espírito de Deus (Gálatas 5:25), a nossa receptividade à Sua voz se fortalece e, quando percebemos o Seu aviso sobre uma determinada atividade, acolhemos essa cautela insistente.
Os períodos de inquietação fazem parte da condição humana, mas, se essa inquietação persistir, devemos examinar as razões por trás dela. O descontentamento com um cristianismo superficial, a tristeza por nossa própria falta de comprometimento ou a sensação de que Deus está nos preparando para algo mais podem, todos, causar inquietação. Mas cada uma dessas causas tem uma solução. Deus não quer que vivamos em um estado contínuo de inquietação quando as Suas respostas estão escritas em Seu livro.
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O que a Bíblia diz sobre a inquietação?
